CARTA DE BRAGA – “eles nunca dormem!”- por António Oliveira

A palavra e as interpretações que lhe são ligadas, independentemente do sentido concedido pela elocução, levaram muitas vezes a confrontos e conflitos de onde raramente se pode apartar ou tão só arredar, a lisura e a inocência.

Na verdade, significado e sentido podem ser usados como bala ou como isco, como anzol ou como garra, como arma ou bandeira, todas agora ameaças maiores, porque tanto as mensagens como as ideias estão a ser usadas e arremessadas sem qualquer enquadramento.

O populismo nas suas mais diversas e distintas formas, serve-se disso na perfeição, porque uma irrecusável modéstia argumentativa, não esconde nem disfarça a perda de importância da palavra e dos valores que poderá representar, se devidamente explicada.

Nem precisa da demonstração de como tudo isto leva também ao menosprezo e à desvalorização do discurso, uma característica cada vez mais acentuada dos tempos que vivemos.

Tempos onde a tragédia maior é a preocupação pela representação, por exigir o afastamento dos temas gerais ou a poder abarcar muita gente, por isso já nem valer grande coisa, ou por até já ser considerado ‘vulgar e ordinário’ ser ou estar próximo dos trabalhadores.

O professor e analista político Mark Lilla, da Universidade de Colúmbia, aponta a ascensão dos populismos de extrema-direita na Europa e América e o idêntico declive das forças progressistas, como resultado da cedência da defesa das classes trabalhadoras por parte da esquerda progressista.

Aliás, se tivermos em consideração o que se passou, nos últimos anos, por lá e por aqui, talvez se entenda como a classe média tem sido alvo da maior atenção pelos ‘donos’ dos sítios da palavra, ecrãs, redes sociais e mensagens na hora, onde a modéstia de textos e das imagens não precisa e até rejeita qualquer enquadramento.

Mas estão cheios de indicações visando o que cada um quer e deve ouvir ou fazer, enviesando mais os já diminutos entendimento e percepção, até por as gentes ‘odiarem’ ler!

E haverá – vamos ter este ano outras e novas eleições – e se os abstencionistas se mobilizarem agora vai ser só por medo, nunca por qualquer outra ou nova ilusão, criada por uma corrente progressista ainda com vontade de resistir e, por isso…

…Sem uma acção concertada da Europa, o populismo pode acabar com Ela e ‘eles não dormem!’

Não gosto de me meter em assuntos de finanças e economia, por já me ver atrapalhado com as minhas e há muitos anos!

Mas não deixo de encarar com preocupação, a entrada da Google no mercado europeu do fintech, com uma licença concedida pela Lituânia, permitindo-lhe processar pagamentos, emitir dinheiro electrónico e gerirwallets digitais! Net e smartphones no seu melhor!

Outros bancos mais? Irão também ficar a nosso cargo se…?

Aliás, ‘Y, como estaba anunciado, la burbuja del bitcoin pinchó’ (El País, 03.01) e também ‘Podemos ver las cibermonedas como billetes de lotería que se utilizan en Estados deshonestos y fallidos’ (06.01) eEstado já emprestou cinco mil milhões para o BES e o Novo Banco, DN (15.01)

A Lituânia tinha já emitido 39 licenças para pagamentos electrónicos a diferentes empresas de serviços financeiros digitais. Além da Google, também a Revolut obteve recentemente licença para operar a partir daquele país e (DN, 27.12.18) a Facebbook obteve licença para operar na Irlanda e a Amazon Paymnets no Luxemburgo.

Para previsões ou prognósticos para os dois lados do ‘charco’, estou como o antigo internacional João Pinto, ‘prognósticos só no fim do jogo’ e o jogo nem ainda desceu ao relvado, mas está bem aceso nos balneários!

E há ‘artistas e factos’ diferentes a querer jogar – o patético trumpa das fakenews, o muro com o México, Khashoggi, o trumpa b do Brasil, o brexit, todos os salvinis europeus já a declarar apoio aos ‘coletes amarelos’ e por isso creio que…

…Sem uma acção concertada da Europa, o populismo pode acabar com Ela e ‘eles não dormem!’

A terminar estas reflexões, não posso deixar de referir Stefan Zweig, que percebendo a irrupção da barbárie na Europa com a ascensão e domínio dos nazis e até por ser um dos mais relevantes intelectuais judeus na Europa, procurou refúgio no Brasil mas, em 1942, deixou uma carta de despedida e suicidou-se, por não ter qualquer esperança no futuro da humanidade, vencido pela depressão causada pela brutalidade e intolerância da tirania nazi e seguidores.

De carta de despedida tirei este ‘lamento’ que poderemos perfeitamente transferir e adaptar a estes tempos ‘Tudo na nossa democracia parecia construído para durar para sempre. Ninguém acreditava em guerras, em revoluções e subversões. Todo o radicalismo, toda a violência pareciam já não ser possíveis numa época de razão’ e, também por isso…

…Sem uma acção concertada da Europa, o populismo pode acabar com Ela e ‘eles não dormem!’

Só e talvez, a partir de um discurso a aplaudir e a congregar todas as alternativas à xenofobia, ao medo e ao ódio, porque ‘eles nunca dormem!

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

Leave a Reply