29 de Março de 2019: O dia em que o Brexit não aconteceu. Por Victor Hill

brexit imagem em 29 mar2019

Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

Publicado por Master investor em 29 de Março de 2019 (texto original aqui)

De modo que, ainda não estamos FORA – embora possamos estar fora em breve. Estranhamente, os mercados não parecem preocupados. Poderão os políticos faltosos obcecados por aprovar resoluções inúteis ser a razão pela qual a economia do Reino Unido se está a sair bem? Victor Hill faz o seu melhor para não ficar nervoso.

brexit

 

Onde estamos agora

Na quarta-feira (27 de Março), o Parlamento, em conformidade com o acordo alcançado na Cimeira de Bruxelas de 22 de Março, votou a favor da prorrogação da data do Brexit para 11 de Abril (ou 22 de Maio?) por 441 votos a favor e 105 contra.

Se o Acordo de Saída for aprovado hoje (29 de Março), deixaremos a UE a 22 de Maio e o novo período de transição (até ao final de 2020) terá início no dia seguinte. Se o Acordo de Saída for rejeitado hoje, então, em teoria, sairemos sem acordo às 23h00 de sexta-feira, 12 de Abril. Exceto que, nesta última eventualidade, haverá um empurrão da maioria dos Remainers na Câmara dos Comuns para adiar o dia do Brexit para a meia distância – e teríamos de participar nas eleições europeias.

Às 08:00 da manhã de hoje, parece que pode ser em qualquer dos dois sentidos – embora os defensores do Não tenham provavelmente a melhor hipótese, dada a posição inflexível dos Trabalhistas. O Partido Trabalhista é agora o partido dos Remainers e calcula que quanto mais tempo o Brexit se atrasar, menor será a hipótese de que se venha a verificar.

Na quarta-feira, a Câmara dos Comuns, tendo assumido o controlo do Brexit, debateu um menu de opções do Brexit, nenhuma das quais seria negociável com o Conselho da UE, mesmo que este tivesse alguma boa vontade para com o Reino Unido (o que não acontece) – porque já concordaram com o único acordo que para eles é aceitável … Ao ver o Parlamento na BBC foi como se eu estivesse a ver um grupo de cães mal treinados a perseguir freneticamente a sua própria cauda. (Todas as oito opções foram rejeitadas, a propósito.)

Entretanto, diz-se que a senhora  May está mais perto de conseguir aprovar o seu acordo, quando os Moggites começam a entrar em pânico com medo de que os Remainers os ludibriem e paralisem o Brexit ao ponto de, eventualmente, o povo britânico, tal como o filho pródigo, se vir na situação de ser obrigado a regressar à casa dos seus patrões com mansidão e penitência. Mas muitos votos dos deputados em volta de Rees-Mogg, os Moggites, dependem da posição do Partido Unionista Democrático da Irlanda do Norte (DUP) (incluindo a do próprio Jacob Rees-Mogg) – e o Ulster diz NÃO! Enquanto isso – ao som de ranger de dentes e de lamentações – Boris Johnson saltou do navio.

O Primeiro-Ministro teria de conseguir a mudança de opinião de pelo menos 75 deputados conservadores para ter qualquer hipótese de obter o seu terrível (todos concordam que é terrível) Acordo de Saída numa votação da Câmara dos Comuns – e pessoas bem informadas no Partido Conservador dizem-me que isso poderia ser possível hoje… Depende de com quem falarmos.

E a hierarquia conservadora, agora adepta de acordos de bastidores, à noite, alimentados com conhaque ou whisky, condicionou o seu apoio ao acordo de Maio-Barnier a que a senhora May seja confinada a uma residência em Maidenhead assistida por um alto funcionário … Algo que conseguiram assegurar na reunião do Comité de 1922, na quarta-feira (27 de Março). Portanto, agora também temos incertezas sobre a futura liderança do país.

Se a posição na nação em geral da nossa venerável legislatura no conjunto do país pode ser caracterizada por um desprezo agravado, a reputação do executivo de Westminster está em farrapos. Este é, de todos os pontos de vista, o governo mais fraco da minha vida – povoado por charlatães sorridentes, tão desprovidos de talento que saltam de um fiasco político para outro (falhanço da reforma de aprovação para contratar companhias de ferry sem barcos) – a um custo enorme para o erário público – e sem contrição.

Isto é parcialmente uma questão de aritmética. Desde que os membros do Parlamento em volta de Anna Mary Soubry, os Soubrinis, a abandonaram, a Sra. May tem apenas 313 deputados (além de si mesma) que nominalmente tomam as rédeas do Partido Conservador. Destes, mais de 120 não aceitam servir sob a sua orientação por razões ideológicas. Outros 20-40 conservadores já se demitiram por questões de princípio. Isso significa que o pool genético de potenciais talentos no governo é extremamente pequeno. Há alguns ministros muito talentosos – o deputado Matt Hancock e o deputado Rory Stewart vêm-me à mente – mas muito poucos mais. Este é outro argumento para acabar com a miséria deste parlamento e realizar uma eleição geral. Mas nenhum conservador quer uma eleição geral enquanto a Sra. May estiver ao leme….

Na cúpula do governo, a primeira-ministra vai precisar dos poderes regenerativos do Homem-Aranha para preservar um legado benigno. Houve uma linha fabulosa, ainda que cruel, no artigo principal de The Spectator na semana passada (quase certamente escrito pelo brilhante Fraser Nelson):

Lord North [que perdeu a América] é um dos poucos beneficiários da primeira-ministra May: ele já não é o pior primeiro-ministro da nossa história.

Isso não é justo. Lord North [i] perdeu as 13 colónias depois de uma resposta totalmente ineficaz a uma rebelião justificável (há americanos a ler isto). A tarefa de May era mais parecida com a de um escapista – é muito mais intratável.

Sim, a política de negociação do governo de May revelou-se um fiasco total. Ela tomou o poder sabendo que lhe tinha sido dado um cálice envenenado – mas escolheu beber dele gananciosamente. Agora, no putativo próprio dia do Brexit, ainda estamos no escuro – e ainda a caminhar para o miasma da incerteza – quando tudo poderia ter sido tão simples… Como o deputado Crispin Blunt escreveu no Daily Telegraph na quarta-feira:

A perda da maioria parlamentar de Theresa  May [nas eleições gerais de Junho de 2017] foi acompanhada por uma perda de confiança em si mesma, nos seus colegas políticos mais próximos, e, sem os seus assistentes mais próximos, a direção e a autoridade entraram progressivamente em colapso. Em vez de se manter firme nas negociações que se seguiram, ela foi conduzida para cá e para lá pela Comissão Europeia …

Oh, e o Presidente [da Câmara dos Comuns] Bercow – um homem que fez uma carreira a partir de uma pomposidade egrégia (uma característica que o torna um presidente bastante histórico – certamente o mais notável da minha vida) decidiu que a votação significativa não pode ser colocada perante a Câmara porque um dos seus antecessores teve uma reviravolta engraçada em Abril de 1604. (Ele argumentou recentemente – au contraire – que nós, modernos, não devemos ser escravizados pelo precedente.) Felizmente, houve um estratagema para contornar esta questão: hoje, o Acordo de Saída (juridicamente um projeto de tratado) será apresentado à Câmara desvinculado da Declaração Política.

Na maioria das democracias (como os EUA) o poder do presidente do parlamento está detalhado na constituição – mas infelizmente, o Reino Unido não tem uma constituição em forma escrita – mas sim um saco de leis, convenções, precedentes e decisões legais.  Há uma coisa que ressalta de tudo isto: que as instituições políticas do Reino Unido são incapazes de cumprir a sua missão na (quase) terceira década do século 21.

Os futuros historiadores poderão perguntar-se por que razão uma Primeira-Ministra que perdeu o controlo do seu gabinete, do seu partido e da Câmara dos Comuns – e, na verdade, de grande parte da função pública – poderá querer perpetuar a crise que a desfez. Ela poderia ter pressionado um botão no painel de controle marcado com “no-deal” – embora isso teria inevitavelmente dado origem a uma crise política. O cálculo da classe dominante foi claramente que o risco político ultrapassou o risco económico que (como argumentei nestas páginas) seria bastante manejável.

O seu pedido de mendigo para a prorrogação do artigo 50º ao carrocel de Bruxelas, na semana passada, humilhou a Grã-Bretanha, o que, na opinião de pessoas como eu, era totalmente desnecessário.

Espero que os meus leitores, na Grã-Bretanha e não só, fiquem agora perfeitamente esclarecidos sobre onde estamos agora e para onde nos dirigimos. Bem, que todos estejam bem, estejam onde estiverem – porque eu não estou.

Sentimento do mercado

A coisa mais extraordinária é que em todo o fandango político de alta velocidade durante as últimas três semanas, aproximadamente, a libra e a bolsa de valores de Londres permaneceram inteiramente sóbrias. Há um argumento em torno do facto de os mercados, tal como todos nós, estarem a sofrer de fadiga do Brexit e de um paroxismo de tédio ter ensombrado um juízo astuto. Isso, evidentemente, não é verdade.

A Madame Mercado é uma ave velha e astuta. Ela sabe, com base numa longa experiência, que famílias bem estabelecidas com bens substanciais por vezes se desintegram, com lutas internas ferozes entre irmãos e exposições indignas de comportamento em funções públicas. Mas, no final do dia, a quinta ainda vale muito dinheiro. E muitos desses netos têm um enorme potencial de rendimento…

Observo também que os rendimentos dos títulos do governo estão a descer rapidamente numa fuga para a qualidade que é característica de uma recessão em estágio inicial, já que os investidores antecipam que as taxas de incumprimento das empresas estão prestes a subir. Os Bunds alemães de 10 anos agora têm um rendimento negativo – o que significa que os investidores estão a pagar ao governo alemão pelo privilégio de lhe comprar o seu papel de dívida … Isso também impulsiona uma curva de rendimento invertida – o que é mais uma má notícia para os bancos da Europa atingidos. (não menos importante para os da Alemanha)

A economia do Reino Unido continua a sentir-se bem (apesar do Brexit), com o desemprego a cair para 3,9% pela primeira vez desde que registos modernos foram feitos em meados dos anos 70. Alguns economistas refletiram que, com os políticos a lutarem o uns contra os outros como furões num saco, eles tiveram pouca oportunidade de mexer com a economia – o que teve um efeito benéfico.

As próximas eleições europeias

Uma complicação importante para alargar ainda mais o artigo 50.º é que as eleições para o Parlamento Europeu deverão realizar-se entre 23 e 26 de Maio de 2019. Os eurodeputados recém-eleitos ocuparão os seus lugares a 2 de Julho. A posição da Comissão Europeia é que se o Brexit fosse prorrogado para além de 22 de Maio, o Reino Unido seria legalmente obrigado a participar nas eleições europeias.

No entanto, a UE já aprovou legislação que reatribui 27 dos atuais 73 lugares do Reino Unido no Parlamento Europeu a outros Estados-Membros, embora isto só entre em vigor se o Reino Unido deixar a UE até 2 de Julho. Tendo já iniciado os preparativos para as eleições com base no aumento do número de deputados ao Parlamento Europeu, alguns Estados-Membros – como a França e a Espanha, que obtêm mais cinco lugares cada – podem estar relutantes em aprovar uma extensão do artigo 50º que diminuiria a sua representação no Parlamento Europeu.

A não realização de eleições no Reino Unido implicaria que o Reino Unido violaria as obrigações decorrentes do Tratado da UE, que exigem que os cidadãos da UE estejam representados no Parlamento Europeu. Isto poderia levar a um processo judicial contra o Reino Unido junto do Tribunal de Justiça Europeu.

Alguns comentadores sugeriram que os líderes da UE poderiam estar preparados para chegar a acordo sobre um protocolo que isentasse o Reino Unido da obrigação de realizar eleições europeias. Outras opções mencionadas incluem autorizar o Reino Unido a realizar eleições numa data posterior, caso decida permanecer na UE (por exemplo, se o artigo 50º foi prorrogado para permitir a realização de um segundo referendo). Mas cada uma destas decisões causará grandes dores de cabeça à hierarquia europeia, pelo que não se deve presumir a existência de um acordo já pronto.

Nos termos da atual legislação da UE, o número total de lugares no Parlamento Europeu passaria de 751 para 705. Os restantes 46 lugares ficarão vazios, mas poderão ser utilizados no futuro para deputados dos novos Estados-Membros. (Macedónia, Albânia?). Sem a contribuição orçamental do Reino Unido, os outros Estados-Membros terão de pagar a fatura dos 27 eurodeputados adicionais. (Ganham cerca de 8.500 euros por mês e recebem um subsídio mensal de estadia de cerca de 4.300 euros).

A nível político, a elite europeia (que está principalmente situada a Norte da Europa) teme que haja uma onda de populismo no Sul e no Leste da Europa – com os conservadores sociais anti-imigração, e os adversários do euro a chegarem a Bruxelas/Estrasburgo em massa. As verdadeiras fissuras na Europa tornar-se-ão mais evidentes durante essas eleições. Não prevejo uma vitória em massa para os nacionalistas-populistas, mas prevejo uma maior pressão sobre o projeto europeu – especialmente se o abrandamento da economia da zona euro se acelerar.

No que se refere ao Reino Unido, se organizarmos eleições europeias, podemos ter a certeza de que se tratará de uma dinamite política. Muito se tem escrito sobre a forma como o processo Brexit desfez o establisment político. Algumas pessoas especularam que tanto os Conservadores como os Trabalhistas estão acabados – embora tenha havido um acentuado voltar atrás de novo ao sistema bipartidário nas eleições de 2017, à custa de terceiros, como Liberais Democratas e o Partido Nacional da Escócia (SNP).

Mas numa eleição europeia forçada (e inesperada) conduzida sob representação proporcional, os britânicos podem abandonar a sua reserva tradicional. É perfeitamente possível que tanto os conservadores como os trabalhistas sejam aniquilados e que todos os lugares sejam divididos entre o novo partido político de Farage, o Partido Brexit, e o espectral Grupo Independente de Umunna. Isto seria um golpe tanto sobre a senhora May, que está de saída, como sobre o senhor Corbyn, que está a ir para lado nenhum – mas, na verdade, iria intensificar as divisões sobre a Europa, em vez de promover o consenso sobre o nosso rumo futuro.

Era suposto que só rebentassem com as malditas portas…!

Isto disse Charlie Croker, também conhecido por Sir Michael Caine, em The Italian Job (1969). O meu pai levou-me a vê-lo no meu décimo primeiro aniversário. Charlie ficou consternado pelo facto de que uma simples tarefa de entrar num caminhão cheio de ouro se tinha transformado num fiasco de destruição. Provavelmente não foi o melhor filme que já foi feito – mas parecia ser assim na época, com todos aqueles brilhantes Mini Coopers catapultando-se pelas ravinas….

Sir Michael Caine, a propósito, é um homem rico, tendo investido prudentemente os seus proventos de Hollywood e Pinewood ao longo de muitos anos. Eu gosto da sua conduta de que ele sempre quis ganhar dinheiro enquanto estava deitado na cama – uma ambição perfeitamente nobre, na minha opinião. Somos ambos londrinos do sul: ele nasceu em Rotherhithe; e eu, um quarto de século depois, ao fundo da estrada em Camberwell. Sempre o admirei.

Mas o que quero dizer é que tudo o que a elite política britânica tinha de fazer era rebentar com as malditas portas – e não fazer explodir todo o sistema político, como já o fizeram agora – com consequências extremamente graves.

Aconteça o que acontecer – saída em 12 de Abril, 22 de Maio, ou daqui a dois anos – ou Permanecer Em – por virtude do suposto voto do povo (que conduzirá a mais divergências a médio prazo) – a fé e a confiança na classe política britânica e nas suas antigas instituições perderam-se. Isso não é forçosamente pernicioso se conduzir a uma reforma política radical (alguns poderão dizer modernização política). Embora acarrete riscos muito significativos a curto prazo. Por exemplo, os nacionalistas escoceses estão à espera de ganhar numas eleições gerais antecipadas.

Uma escola de pensamento dentro da ala direita (uma palavra com conotações horríveis – mas como estilizá-la ?) do Partido Conservador considera  que uma vitória por curta margem de Corbyn e com um governo desastroso seria um purgante que abanaria o atual partido da sua disfunção neoliberal atual. Para essas pessoas, a cura não é menos democracia, mas mais democracia – começando pelo próprio Partido Conservador, tornando obrigatórias as primárias ao estilo dos EUA.

O UKIP não vai a lado nenhum e é muito improvável que Nigel Farage consiga obter um lugar na Câmara dos Comuns para o Partido Brexit, ao abrigo do sistema eleitoral uninominal maioritário à uma volta. Os Verdes podem fazer progressos com representação proporcional, mas todos os partidos são agora verdes – por isso a sua marca característica está diluída. O que vamos ver é uma transformação massiva das duas principais coligações políticas históricas. (Eu até contribuí para um livro sobre este tema.)

Venha a saída de Theresa May no verão, o Partido Conservador, aposto, ir-nos-á surpreender pela sua escolha de líder. Esse líder irá às urnas no Outono – na altura em que a próxima ronda de negociações da UE terá muito provavelmente início. É nessa altura que os britânicos, esgotados pelo Brexit, poderão ter a oportunidade de renovar o seu sentido do futuro.

Parte dessa renovação poderia consistir então em dar ao país uma nova Constituição. E o que se passa com o próprio Parlamento? Edimburgo tem os barcos virados do avesso do Parlamento escocês. Cardiff tem a brilhante nova Assembleia Nacional. O Palácio de Westminster está em extrema degradação (física e metaforicamente) – é seguramente um caso em que deveria ser transformado num museu da nossa história nacional e num novo Parlamento construído – não necessariamente em Londres também: Manchester seria um bom candidato…

Enquanto a incerteza política continua, os investidores devem (como diz Jim Mellon) manter a sua pólvora seca; mas também devem analisar o horizonte em busca de oportunidades baseadas em valor. Os investidores nunca devem seguir Madame Mercado de forma servil – mas devem sempre ouvir atentamente o que ela diz.

 

[i] Frederick North, 2ndEarl of Guilford (1732-92).

 

Victor Hill O autor: Victor Hill é um economista financeiro, consultor, formador e escritor, com ampla experiência em banca comercial e de investimento e gestão de fundos. A sua carreira inclui passagens pelo JP Morgan, Argyll Investment Management e World Bank IFC.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

%d bloggers like this: