SINAIS DE FOGO – BESTAS PERIGOSAS – por Soares Novais

 

1- A redução do custo dos passes foi um autêntico “KO” técnico que levou a direita ao tapete. Reagiu, depois, com um chorrilho de bestialidades. Da Assunção a Rio. Contudo, é Luís Cabral da Silva, engenheiro, especialista em transportes, que merece estar no topo. Disse ele na Opinião Pública, da SIC Notícias, na última terça-feira: “Isto é muito bom porque vão ter mais dinheiro para comprarem leite e tabaco e droga.”

O senhor especialista em transportes, que foi um dos subscritores do manifesto “Um Futuro Melhor Para Portugal” encabeçado pelo CDS José Ribeiro e Castro e que contou com a assinatura do ínclito Mira Amaral, entre outros notáveis da direita, culminou a sua prestação televisiva com a ordinarice que destaco.

Esta gente, sabe-se, tem uma memória espantosamente selectiva. E lata q.b. Por isso, aqui relembro:

– Foram PSD e CDS/PP que, no governo, aplicaram um Plano Estratégico da Transportes que levou  à supressão de vários transportes públicos (https://www.publico.pt/…/menos-transportes-a-noite-em-lisboa);

– Foram PSD e CDS/PP que eliminaram as carreiras de serviço nocturno da Carris e ordenaram o encerramento do Metro de Lisboa às 23 horas;

– Foram PSD e CDS/PP que encerraram várias linhas férreas. Como as do Corgo/Tâmega e o Ramal da Figueira da Foz; (https://www.jn.pt/…/autarcas-protestam-contra-encerramentos…);

– Foram PSD e CDS/PP que privatizaram e concessionaram empresas públicas sem o aval do Tribunal de Contas, tanta foi a pressa em satisfazer os interesses dos seus amigos.

2 – Bolsonaro afirmou à saída do Museu do Holocausto, em Israel, que o nazismo era um regime de esquerda. E atrevidamente ignorante e provocador acrescentou: Não há dúvida, né? Partido Nacional Socialista da Alemanha.”

O capitão reformado, travestido de presidente do Brasil por acção directa dos evangélicos, das “fake news”, do agronegócio e das WhatsApp pagas pelas empresas, concorda, pois, com o ministro das Relações Exteriores do seu governo – Ernesto Araújo que é um dos rostos da extrema-direita brasileira e um admirador confesso de Trump: “Somente um Deus poderá ainda salvar o Ocidente, um Deus operando pela nação – inclusive, e talvez principalmente, a nação americana. Heidegger jamais acreditou na América como portadora do facho do Ocidente […]. Talvez Heidegger mudasse de opinião após ouvir o discurso de Trump em Varsóvia: ‘Nur noch Trump kann das Abendland retten’, somente Trump pode ainda salvar o Ocidente.”

Uma coisa é certa: a falsificação bolsonarista provocou reações em todo o mundo. Reações enérgicas como a de Astrid Prange Oliveira, jornalista alemã que viveu no Rio de Janeiro e que hoje, na Alemanha, escreve para a Deutshe Welle sobre o Brasil e a América Latina:

“… É trágico, é triste, é devastador. Mesmo depois da visita ao memorial Yad Vashem, em Jerusalém, um museu público em memória às vítimas do Holocausto, Bolsonaro parece não ter conseguido reflectir sobre as consequências catastróficas do nazismo. Pelo contrário: usou o genocídio contra judeus como mais uma oportunidade de combater os ‘esquerdismos’ e o ‘socialismo’. Confesso que eu, como alemã, estou atónita. Sinto vergonha alheia ao ouvir de boca de um presidente de um grande país como o Brasil que ele não teria dúvidas ‘de que o nazismo foi um movimento de esquerda’ A falsificação da história depois da visita a um museu em memória às vítimas do Holocausto cruzou todos os limites.”

3“… E tem um imbecil que nos anos 70 cantou que é proibido proibir. Gostaria de dar veneno de rato para ele.” Quem tal afirmou foi José Francisco Falcão – bispo da Arquidiocese Militar de Brasília – e o destinatário do seu veneno é Caetano Veloso –Caetano e todos aqueles que foram perseguidos, presos e torturados durante os anos de chumbo.

A confissão assassina do bispo-fascista foi feita na noite do passado dia 31 de Março. O dia do golpe de 1964 que levou à instauração da Ditadura Militar (1964-1985) no Brasil. E aconteceu durante uma missa realizada na Paróquia Militar de São Miguel Arcanjo e Santo Expedito, em Brasília.

Joseita Brilhante Ustra, viúva de  Brilhante Ustra, coronel do Exército Brasileiro, ex-chefe do DOI-CODI do II Exército (de 1970 a 1974), um dos órgãos da repressão política, estava na primeira fila…

Como se vê as bestas estão por todo o lado.

E são perigosas. Muito perigosas!…

A tempo: A canção “É Proibido Proibir” é de 1968. Caetano Veloso e os “Mutantes” interpretaram-na no Terceiro Festival Internacional da Canção, promovida pela Rede Globo. De resto, o seu título é uma das mais belas palavras de ordem que brotaram do Maio de 68, em Paris. O Falcão, tal como Bolsonaro, é um ignorante.

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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