ADEUS MARIA ALBERTA MENÉRES por Clara Castilho

A escritora Maria Alberta Menéres, uma das precursoras da literatura infantil portuguesa morreu esta segunda-feira. Tinha 88 anos e deixa uma obra vasta, que se estendeu à poesia.

Maria Alberta Menéres nasceu em Gaia em 1930. Formou-se em Ciências Histórico-Filosóficas, tendo-se dedicado ao ensino entre 1965 e 1973. Trabalhou na RTP como directora do Departamento de Programas Infantis e Juvenis entre 1976 e 1986. Dedicou-se à poesia e à tradução e colaborou com artigos de opinião em vários jornais e revistas. Tornou-se conhecida como autora de literatura infanto-juvenil, especialmente no âmbito da poesia e do teatro.

Ficará sempre lembrada a sua versão de “Ulisses”, um dos dois principais poemas épicos da Grécia Antiga, atribuído a Homero, numa linguagem acessível que aproximou a juventude deste clássico,  já com 45 edições e registou mais de um milhão de exemplares vendidos.

 Em 1986 recebeu o Grande Prémio Gulbenkian de Literatura para Crianças e Jovens, pelo sua obra literária. Em 2010 foi agraciada com o grau de comendadora da Ordem de Mérito.

A ela se aplica completamente a opinião de Bruno Bettelheim, reconhecido estudioso da literatura infantil e da forma como pode os efeitos das histórias no desenvolvimento das crianças: “Para que uma história possa prender verdadeiramente a atenção de uma criança, é preciso que ela a distraia e desperte a sua curiosidade. Mas, para enriquecer sua vida, ela tem de estimular a sua imaginação; tem de ajudá-la a desenvolver seu intelecto e esclarecer as suas emoções; tem de estar sintonizada com suas angústias e as suas aspirações; tem de reconhecer plenamente suas dificuldades e, ao mesmo tempo, sugerir soluções para os problemas que a perturbam.” (Psicanálise dos Contos de Fadas. Lisboa: Bertrand, 1998).

Maria Alberta Menères conseguiu divertir, fazer pensar, dar pistas para a vida a milhares de crianças. Em nome delas o nosso muito obrigada a Maria Alberta. Nunca será esquecida.

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