CARTA DE BRAGA –“de atentados e bufões” por Anónio Oliveira

O Domingo costuma ser olhado como dia de assistir ao serviço religioso, também para refazer a despensa da casa mas, para a maioria, é o dia destinado ao descanso e, para muitos outros, um dia de praia ou de folia!

Deveria ter sido assim para as dezenas de pessoas abatidas ou feridas a tiro por mentecaptos carregados de ódio, em duas cidades do país do trumpa.

Um grave problema de terrorismo branco e que o tipo já não consegue resolver! Anda há muitos anos a inculcar nas gentes a existência de perigos eminentes e imprevisíveis, provocados apenas pelos emigrantes, principalmente os negros e os vindos do sul!

Ele e os seus mentores montaram e estão a propagar por todo o mundo, especialmente na Europa, ‘um perigoso sistema ideológico, baseado num complexo de três fábricas – a do ódio, a do medo e a da mentira – para criar inimigos, insegurança e garantir a verdade da mentira’ e, aquela ideia do sul, também serve de motivo por cá, numa Europa que ele quer ‘desactivar

A fábrica da mentira, é a mais estratégica das três, ‘por ser aquela em que se devem embrulhar todos os artefactos ideológico-mentais, disfarçá-los depois como não-ideológicos, pois a sua maior eficácia é nunca dizer a verdade de si própria’, afirmou Boaventura Sousa Santos já em Fevereiro passado (‘Publico.es’)

E eles, os trumpas, ideologicamente indisfarçáveis, vão abeirando-se dos corredores do poder, abrilhantando cabeleiras e penteados diversos mas debitando slogans parecidos, perseguindo todos um igual objectivo, mostrar um racismo negacionista com dois movimentos velhos de séculos – primeiro lançar a pedra e depois esconder a mão!

Vou transcrever e salientar apenas um título, tirado do ‘DN’ num dia de Julho último, referindo um trumpa de escolha duvidosa que, aparentemente, quer vir (?!?) ou até cá virá, a curto prazo: ‘Bolsonaro diz ter repulsa por quem não é brasileiro

Num discurso a ‘atacar’ todas as entidades de protecção ecológica a quem ofensivamente chamou xiitas ambientais, não se coibiu de afirmar ‘Eu não sei por que essa gente tem tanto amor por ONG estrangeiras. Não temos preconceito contra ninguém, mas temos uma profunda repulsa por quem não é brasileiro

Uma frase pronunciada e a usar um ‘eu majestático’, transformando a asneirada num paradoxo, um pigmeu a encarnar um Guliver!

Mas aqueles dois atentados de domingo, parecem querer validar uma outra afirmação, a do jornalista, escritor, académico e ambientalista do Reino Unido, George Monbiot, vinda no blog ‘Outras Palavras’ de 30 de Julho último – «Os palhaços assassinos estão tomando o poder em todo lugar. Donald Trump, Boris Johnson, Jair Bolsonaro, Narenda Modi, Nigel Farage, Scott Morrison, Rodrigo Duterte, Matteo Salvini, Recep Tayyip Erdoğan, Viktor Orbán e uma horda de outros ridículos homens fortes – ou fracos, como tantas vezes se revelam – dominam nações que no passado os teriam posto fora da cena, aos risos. A questão é: por quê? Por quê os tecnocratas que reinaram em quase todos os lugares há alguns anos, estão dando lugar a bufões extravagantes?»

Extravagante será ironia?

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

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