CARTA DE BRAGA – “liberdade e segurança” por António Oliveira

A felicidade, a virtude, o bem e a tranquilidade, foram os valores que, de algum modo, mobilizaram as gentes para instaurar os mais diversos tipos de sociedades e ou agrupamentos.

Foram sempre invocados para poder agrupar pessoas, motivando-as para uma forma de viver onde o grupo valia mais do que a pessoa e, invocando depois a moral e a ética (ainda não acabou este processo!) se partiu para a regulação das acções humanas, identificando o grupo, a sociedade e mesmo o local.

Estamos assim e ainda, num processo evolutivo de afirmação, onde os menos favorecidos pelas condições naturais, buscam um lugar para poder viver ‘como as pessoas’, aproveitando os benefícios das ‘democracias’ reais e ou assim auto-intituladas.

Esta é a razão das actuais ‘ameaças’ para as democracias, pelo confronto entre ‘os que nada têm e querem ter’ e aqueles outros para quem ‘o poder é sempre pouco’, ou dito de maneira mais rude, entre o acesso à tecnocracia e a manutenção, por todas as maneiras, da irracionalidade das gentes e votantes.

Será essa a razão do que no blog ‘Ponteiros Parados’ se afirmou há pouco dias, ‘A alma do povo é como a alma de um animal: vira-se para quem lhe dá de comer, segurança e estima. Quer é uma casa, pão e vinho sobre a mesa e outras regalias que a evolução histórica, felizmente, lhe trouxe, quer estar feliz e contente com a sua vidinha

Uma dualidade aparentemente primária, a movimentar hoje e mais uma vez, a vida social e política na maioria dos países, com as gentes atraídas pelos sonhos e pelo que vêm despudoradamente exibido nas caixas das imagens, mantidas por quem as pretende continuar a controlar ‘ad eternun

Mas, quer se queira ou não, estamos a viver tempos que podem gerar alguma (muita!) preocupação, aliás normal, quando não se consegue divisar uma qualquer certeza no futuro mais próximo. Somos viventes numa sociedade de risco, em época de mudanças profundas.

Estamos a sair de um tempo de instituições sofrivelmente claras, com separação de poderes também razoavelmente definida, mais uma imprensa que ‘quase’ acompanhava tudo isso e permitia, de algum modo, ter algum conhecimento do que se passava.

Tempos a gerar agora alguma (muita!) preocupação, porque o afastamento das ideologias de vida pública, o seguimento de objectivos particulares a substituir os nacionais, a cristalização das oligarquias nos partidos políticos e a degradação da imprensa, ajudaram a uma mudança brusca e brutal no modo de pensar e viver das diferentes camadas que formam a sociedade.

E conduziu também, afirma Daniel Innerarity (‘El País’, 11.18), ‘à carência de grandes objectivos, à entronização do “curtoprazismo”, à mediania dos fins e ao “darwinismo” ao contrário, que produz a “tumorização” dos ingredientes que configuram a realidade política

Uma Carta não muito apropriada para este ‘5 de Outubro’ de uma época em que os intervenientes maiores não parecem capazes de poder gerir a contento a crescente complexidade das coisas, tanto no país como no mundo, por muito que isso custe admitir.

Cento e dezanove anos tem este Dia, um dos que levou Robert Bevan, jornalista e assessor da UNESCO a afirmar ‘A história move-se sempre para diante, mas também se volta sempre para olhar por cima do ombro, para saber quanto deve ser comemorado e recordado’.

E por isso também, convém relembrar Benjamim Franklin em 1755, numa carta ao governador da Pensilvânia ‘Os que abandonam a liberdade essencial para comprar” um pouco de segurança temporária, não merecem a liberdade nem a segurança’.

Não o podemos esquecer amanhã!

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

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