CARTA DE BRAGA – “de palhaços e acrobatas” por António Oliveira

Esta foto correu mundo e é explícita sobre a ‘dimensão’ dos personagens, mais o ar acabrunhado dos parceiros de mesa

Parece estar a terminar o tempo dos ‘palhaços’!

Que venha agora o tempo dos ‘aramistas’ e dos ‘acrobatas’!

É preciso fornecer um espectáculo sempre renovado ao ‘Zé Pagode’ frequentador dos ‘manhas’ de todos os dias, com este ou outro nome, sejam escritos ou nas caixas das imagens.

Assim o continua sem pensar e a aproveitar os intervalos dos incontáveis e inefáveis episódios das séries, dos directos de coisas nenhumas e dos futebóis, com que lhe vão entufando a cabeça.

Por outro lado, convém não esquecer a ‘smartphonização’ desenfreada a que estamos todos a ser sujeitos, por um controlo e domínio extremamente poderoso, o império dos ‘likes’ que não conhece limites, mas usa bem o número dos ‘amigos’ que ‘são’ sem nunca ‘estarem’ e Ámen!

E está a terminar o tempo dos ‘palhaços’, pois tudo leva a crer que as duas seresmas tidas por dirigentes dos ‘camones’ e dos ‘bifes’, e considerados os seus símbolos maiores, estão a caminho de ter de procurar outros clientes, porque as aldrabices que arranjaram devem vir a público, para lhes assinalar (talvez) definitivamente o fim da carreira.

Carreira conseguida pela partilha da mesma linguagem imprópria, de tal modo que a identidade baseada no ódio e na diferença, qualquer que ela seja, passou a fazer parte das políticas nacionais e classificatórias dos respectivos torrões natais.

O problema maior é que tais políticas ameaçam propagar-se inescrupulosamente, porque frentismos assim, mentirosos, classistas, racistas e xenófobos tendem a afastar a esquerda, a democracia, as minorias e os pobres, por os pobres e até as mulheres contarem muito pouco.

É o caminho da extrema-direita, frentista por definição, tentando aniquilar de qualquer maneira quem se lhe oponha.

E já cá estão pois, ‘Quarenta e cinco anos depois um fascista torna a sentar-se em S. Bento. Não há nada para celebrar, lamento’ afirma José Simões no blogDer terrorist

Aproveitam-se das sucessivas crises que têm atingido e diminuído a classe média (o sustentáculo da maioria das democracias europeias), mas sempre maltratada e também sempre abocanhada pela linguagem frentista, aparentemente ao lado dela, apelando à tradição, procurando culpados que ela possa aceitar facilmente, até por há muito ter perdido a noção da História e, por arrasto, da Cultura que, de alguma maneira, a poderia ajudar a entender as suas manobras.

Cartoon de Artur Santos, um amigo e pintor portuense, que o cedeu com gosto

É necessário mudar de ‘artistas’, apelar a gente que tenha noção do espectáculo onde caiu, mas que saiba ‘andar no arame’ entre o poder desbragado do capital que tudo comanda e as redes sociais de que se serve, mostrando e utilizando ‘acrobacias’ que as gentes possam entender, para se safarem e poderem afastar as armadilhas que os corifeus de sempre e sempre também imunes, não hesitarão em lhes colocar no caminho!

A cultura ajuda a perceber a importância de se ter a noção de quem se deve afastar do comando da nave, saber e poder escolher quem pense em ultrapassar todos os escolhos porque, afirmou Séneca ‘quando sabes a que porto vais, todos os ventos são favoráveis’.

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

 

3 Comments

  1. A inexistência duma esquerda que, de facto, o seja, é que abre as portas à propagação inescrupulosa de certas políticas. Poder-se-à chamar esquerda a quem aceita e festeja as imposições daquele neoliberalismo carinhosamente perfilhado pela chamada UE ? CLV

  2. Obviamente que não!
    Estamos a asistir a umas fugas para centro (no mínimo) e a deixar desiludidos tantos néscios que
    ainda acreditavam nela!
    E com os populismos a entrar, onde acabaremos nós? Nâo tenho resposta!
    Abraço
    A.O.

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