CARTA DE BRAGA – “das vespas e da ignorância” por António Oliveira

Chegaram as chuvas e em força! E nem somos dos mais afectados!

Basta pôr os olhos em qualquer órgão de informação para dar conta da quantidade de estragos que provocam por onde passam, como se estivessem a vingar-se de qualquer coisa!

Mas devido às chuvas ou ao arrefecimento próprio da época, nunca mais se viram as vespas asiáticas (dizem que são de lá!) uns bicharocos de camisola às riscas amarelas e bem feiorros, até sem qualquer préstimo.

A zona infestada ameaça aumentar depois de passarem as chuvas e o frio e já os jornais alertam para uma nova invasão ‘Percevejo asiático pode invadir Portugal, alertam cientistas’.

As vespas atacam principalmente as colmeias e estes ameaçam culturas como o tomate, milho, uva e laranja que, poderão vir a ser seriamente prejudicadas.

Não chegava a alteração climática, ainda temos de aguentar com todas estas pragas, que se vêm juntar às dos lixos e resíduos plásticos que já estão a afectar toda a gente, mesmo sem as pessoas darem conta.

Há dias um jornal daqui ao lado dá conta de que um barco de pesca trouxe enrolado nas redes, um golfinho já morto, por não conseguir ir à superfície para respirar. Só que depois de o abrirem, lhe encontraram no estômago e entre outos desperdícios ‘uma sapatilha velha, peúgas diversas, um estojo de óculos e até um boião de creme solar’.

E acrescentava o jornalista ‘frente à ruína moral desta civilização com milhares de emigrantes afogados no Mediterrânio, sem que os golfinhos os possam devolver às praias, a ter a lenda em conta, como o poderiam fazer com a tripa cheia de lixo humano?

Não sei como, estou a juntar na mesma crónica, vespas, percevejos, lixos humanos e a tragédia do Mediterrânio, mas também não me posso esquecer uns versos de Bertolt Brecht ‘Que tempos são estes, em que uma conversa sobre árvores é quase um crime, porque inclui um silêncio sobre tantos malefícios!

E nem esqueço as palavras de um modesto professor que um dia, ao explicar como a cultura e a democracia andam sempre juntas, escreveu isto ‘As crises das humanidades, andam sempre a par com as crises da democracia, por se terem valorizado os saberes meramente produtivos. Isto deu origem a que se criasse um cidadão competente só para produzir uma mercadoria, mas incapaz de se perguntar quais os fins, portanto incapaz de participar activamente na sociedade em que vive’.

Mas é tempo de chuva, de dias curtos e noites longas, talvez seja melhor esquecer os ‘simpáticos’ amigos das selfies e das sentenças até 140 caracteres porque, pôs Tolkien na boca de Gandalf, ‘não nos cabe decidir que tempo temos para viver. Tudo o que temos de decidir é o que fazer com o tempo que nos é dado’.

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

2 comments

  1. Raul Manuel Freitas Araujo Rocha

    Apesar do teu tom, sempre pacífico, lá vem um murro no peito!!Na verdade, meu amigo, sentimo-nos em fim de ciclo..Abalar é preciso, mas como sabiamente reproduzes”, temos ” de decidir o que fazer com o nosso tempo!” Seja muito ou pouco, que seja de resistência e de sementeira…Não me resigno e como tu, com as minhas armas 8 pequeninas…), vou lutando…Há-de sobrar alguma semente…Adoro pensar contigo!!!Um abração !CL

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  2. António Oliveira

    Oito mas enormes árvores, pelas raízes que tão bem espalham, como tive opprtunidade de ‘ouver’
    Abração
    António Oliveira

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