Luzes e sombras do processo de destituição de Trump – 6. Veja o que está por detrás das histórias do mecanismo de destituição para aprender sobre a América. Por Larry Kummer

Impeachment de Trump luzes e sombras

Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

6. Veja o que está por detrás das histórias do mecanismo de destituição para aprender sobre a América

Larry Kummer Por Larry Kummer, editor

Editado por Fabius Maximus em 4 Outubro de 2019 (ver aqui)

Resumo: Olhe por detrás da briga partidária sobre a destituição de Trump para ver as lições poderosas que podemos aprender com ela. As narrativas dos partidos Republicano e Democrata escondem mais do que revelam, porque neste nosso Mundo Palhaço nada é o que parece.

6 Veja o que está por detrás das histórias do mecanismo de destituição 1

ID 159602507 © Designer491 | Dreamstime.

 

Era uma vez que uma grande nação que entrou nos Anos Loucos, Robert Heinlein tinha-o previsto há sessenta anos. A América era fraca, depois de décadas de turbulência social. Nós rapidamente entrámos em colapso numa situação tipo  República de Weimar à americana, a Weimerica, a que chamámos Mundo Palhaço. Este é o pano de fundo dos grandes títulos dos jornais diários. Regra número um no Mundo Palhaço: nada é o que parece.

O meu texto anterior  sobre a destituição  descreveu como é que fazer dela uma ferramenta normal da política seria uma reforma útil. Mas no Mundo Palhaço, a destituição de Trump é um esquema político superficial projetado para desacreditar Trump nas eleições de 2020. A sua eficácia requer a cooperação de dois grupos, nenhum dos quais pode perfurar a narrativa dos democratas. Primeiro, os principais meios de comunicação (do partidarismo). Segundo, o Team Trump (da incompetência). Aqui está o que nenhum dos dois lhe dirá.

6 Veja o que está por detrás das histórias do mecanismo de destituição 2

ID 128496492 © Aleksii Sidorov | Dreamstime

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Ignore a celeuma mediática. Isto não é um inquérito de destituição“.

por Andrew McCarthy (ex-Procurador Federal) num artigo de opinião em The Hill.

“Você não deve ser criticado se achar que um inquérito formal está em andamento e que o processo legal foi desencadeado. Esta errada impressão é completamente compreensível se se tem lido a cobertura dos media. Em particular, o relato sobre uma carta arrogante de 27 de setembro dos Democratas da Câmara, presumindo dirigir o Secretário de Estado Mike Pompeo, sob pena de ser citado por obstrução, para cooperar nas suas exigências para deporem altos-funcionários do Departamento de Estado e rever vários registos. A carta é assinada não por um, mas por três presidentes de comissão. …

“O que é retratado como um “inquérito sobre a destituição ” é apenas uma novela política feita para a TV por cabo. A Câmara dos Deputados não está a conduzir um inquérito formal de destituição. Pelo contrário, os democratas do Congresso estão a conduzir a sua campanha política de 2020. A Câmara não votou como um órgão para autorizar um inquérito de destituição. O que temos são teatros partidários, procedendo sob a retórica [ipse dixit] da presidente Nancy Pelosi. …

“Além disso, não há intimações. Como o Secretário Pompeo observou na sua resposta ágria na terça-feira, o que os presidentes de comissão emitiram foi apenas uma carta. Apesar dos seus termos pesados, a carta nada mais é do que um pedido informal de cooperação voluntária. Legalmente, não tem poder compulsivo. Acima de tudo, está repleta de deficiências jurídicas.

“Os democratas, é claro, esperam que não se perceba que a Câmara não está a conduzir um inquérito formal de destituição. Eles estão a utilizar o disfarce de atividade frenética de vários comités permanentes – Inteligência, Judiciário, Relações Exteriores, Supervisão e Reforma, Serviços Financeiros e Caminhos e Meios – cujas funções normais de supervisão estão a ser encobertas para parecerem negócios sérios de destituição.

“Mas os comités permanentes têm poder de intimação, então porque não utilizá-lo? Bem, porque as intimações são contestadas em tribunal quando as pessoas ou agências se lhe opõem. Os democratas querem ter uma destituição lenta  … na televisão, eles não querem defender a sua boa fé no tribunal. …qualquer juiz razoável que pedisse para pesarem as exigências de informação apresentadas a Pompeo não lhes daria como tempo de vida um dia sequer.  Sem uma votação da Câmara autorizando o inquérito, eles não refletem o julgamento da Câmara.”

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Olhe mais fundo. Veja mais.

É vital que você não veja que as acusações contra Trump, mesmo que verdadeiras, são triviais em comparação com as de Obama. Ele autorizou explicitamente assassinatos (a sua “lista de assassinatos”). Ele deu um passo gigantesco em direção à tirania, autorizando o assassinato de um cidadão dos EUA sem julgamento nem mesmo mandato. Veja os detalhes aqui. Isso violou não apenas a lei americana, mas também a Magna Carta. Essa pode ser a “inovação” presidencial mais séria da nossa história. Essa era uma base óbvia para a destituição.

É vital que você não veja o papel da Ucrânia na política americana recente. Como as relações de Trump com a Ucrânia contradizem a teoria do “agente de Putin”. A corrupção óbvia dos pagamentos a Hunter Biden e o aparente apoio do seu pai a eles. É uma história longa e complexa. Aqui está uma versão, contada por Graham J. Noble na Liberty Nation. Não encontrei evidências de uma investigação passada sobre essas coisas. Não espere investigações futuras.

É vital que o leitor não mostre nenhum interesse nas doações massivas à Fundação Clinton feitas por estrangeiros improváveis. Ou porque é que o subalterno de Hillary apagou permanentemente mais de 30 mil e-mails utilizando  BleachBit – depois de terem sido intimados pelo Congresso (detalhes aqui).

É vital que o leitor não saiba sobre o acordo do Uranium One, com as doações massivas para a Clinton Foundation por filantropos improváveis.

O elemento comum dos últimos três é que enormes somas de dinheiro foram dadas a poderosos funcionários americanos (ou às suas famílias ou fundações) ao mesmo tempo em que as decisões foram tomadas (ou poderiam ser tomadas) ajudando os benfeitores. Há três chaves para o sucesso: fazê-lo à vista de todos e fazer com que os grande media  assegurem ao público que não há nada para ver. Pela natureza dessas transações, nada pode ser provado se elas forem conduzidas com um modesto grau de segurança (os e-mails de Clinton podem ter sido um erro, mas foram facilmente apagados sem consequências). A terceira chave para o sucesso: ter cidadãos crédulos que acreditam no que lhes é dito e não mostram nenhum interesse mesmo nos conflitos de interesse mais flagrantes e lucrativos.

Para além destes factos básicos, há tanta coisa que não sabemos. A estranheza é que o Team Trump poderia efetivamente implantar muito disso – indicadores de prevaricação ou de corrupção – em sua defesa (Tweets não contam). Mas ele não conta. Acrescente isso à lista de mistérios.

Mas aqueles que prestaram atenção aos anos do Trump aprenderam muito do que estava escondido sobre as duas equipes que dirigem a América. Vamos aprender mais, mas provavelmente não tanto quanto precisamos. Mas nada do que aprendemos nos servirá para alguma coisa a menos que coloquemos em prática o que aprendemos. A informação pode-nos despertar e guiar as nossas ações. Ou podemos tratá-la como informação para entretenimento, como estar a ver palhaços no circo. Então os palhaços seremos nós.

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O autor: Larry Kummer é editor atual do sítio Fabius Maximus. Ele tem 37 anos de experiência na indústria financeira numa variedade de funções. De 1994 a outubro de 2013 ele esteve na USB, nos últimos 15 anos foi gerente sénior de portfólio e vice-presidente de Investiments. Os seus artigos são amplamente reproduzidos. Aqueles sobre economia e finanças aparecem em Roubini’s Economonitor, Investing.com, OilPrice.com, Wolf Street, e Seeking Alpha. Aqueles sobre mudança climática aparecem em sites como o Climate Etc (dirigido por Judith Curry, professora de Ciência Atmosférica no Georgia Institute of Technology). Aqueles sobre geopolítica foram postados no site de Martin van Creveld e em outros lugares. Ele foi um líder escoteiro por 15 anos, concluindo como Diretor e VP-Financeiro do Conselho do Monte Diablo-Silverado. Por 20 anos ele foi um republicano ativo, trabalhando em muitas campanhas – até que o partido abandonou seus princípios tradicionais. Ele começou a escrever sobre geopolítica em 2003 no site de Defesa e Interesse Nacional. O pessoal da DNI criou o website da FM quando a DNI fechou em 2007.

 

 

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