2009-2019, Uma Década Infernal – 2. A década de ilusões e de falhanços liberais. Por Alex Pareene

Imagem da serie The decade From Hell

Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

 

2. A década de ilusões e de falhanços liberais

Alex Pareene Por Alex Pareene

Publicado por The New Republic  em 20 de Dezembro de 2019 (ver aqui)

 

Bem-vindos à Década Infernal, o nosso olhar sobre um período arbitrário de 10 anos que começou com uma grande efusão de esperança e terminou numa cavalgada para o  desespero.

 

2 A década de ilusões e de falhanços liberais 1
Joe Raedle/Getty Images

 

Foi a morte da esperança por mil pequenos “empurrões” tecnocráticos.

 

No final de 2009, os editores desta revista fizeram nessa altura o balanço do primeiro ano da presidência de Barack Obama e declararam-no, com algumas reservas, um modesto sucesso. “Tudo isso pode não colocá-lo exatamente no panteão ao lado de Franklin Roosevelt”, disseram eles sobre as suas principais realizações internas  (o pacote de estímulo, principalmente, já que a Lei de Cuidados Acessíveis ainda não tinha ainda  sido assinada). “Mas não é um mau começo, dadas todas as limitações do sistema político (e da ordem global) em que ele trabalha”.

Esse era o amplo consenso dos liberais americanos da época, desde quase os mais progressistas a quase todos os mais neoliberais. Nos anos que se seguiram, esse consenso iria ceder e eventualmente quebrar-se sob o peso de uma desilusão atrás da outra. A história da política americana na última década é a de um partido político na aurora de um poder duradouro e de uma histórica reforma social mundial, e de como esses resultados, outrora imagináveis, foram metodicamente desperdiçados.

A maior parte desse editorial não assinado da New Republic em 2009 foi dedicado à política externa de Obama, especificamente à questão de saber se ele estava a fazer suficientes guerras. A conclusão era : ele estava. Os editores elogiaram “a escalada da guerra no Afeganistão” como “a ação mais consequente do primeiro ano da sua presidência”, ainda que com isto tenha desagradado à base do seu partido e possivelmente tenha prejudicado as suas perspetivas políticas futuras. Por razões estratégicas, acreditamos que ele fez a escolha certa. Mas o rigor e a lógica do processo pelo qual ele chegou a essa decisão aumentou a nossa confiança nessa escolha. É exatamente o tipo de pragmatismo e de política não ideológica que os seres humanos conscientes ansiavam após os anos Bush.

(Claro, intensificar as guerras sem fim – mas que isto seja feito, por favor, de forma não ideológica).

Em dezembro deste ano, o The Washington Post obteve milhares de páginas de documentos de um projeto de supervisão governamental chamado “Lições Aprendidas”, que incluiu entrevistas com mais de 600 pessoas envolvidas na guerra no Afeganistão em algum momento dos seus 18 anos de história. Numa entrevista com um funcionário do Conselho Nacional de Segurança, este descreveu, segundo o Post, “a pressão constante da Casa Branca do Presidente Obama e do Pentágono para se produzir números que mostrassem que o aumento das tropas de 2009 a 2011 estava a funcionar, apesar de provas concretas em contrário”. Quase todos os dados utilizados na última década para tentar convencer os americanos de que a guerra estava a ir bem, ou mesmo de acordo com qualquer tipo de lógica ou razão coerente, eram falsos ou sem sentido.

“Não quero ir para Walter Reed [Centro médico do exército] por mais oito anos”, disse Obama em 2009, enquanto lutava com a decisão de intensificar a guerra. O presidente e os seus conselheiros mais próximos estavam determinados a evitar os erros do Vietname. Desde então, esmagado por milhares de milhões de dólares em “ajuda” americana, o país afundou-se na cleptocracia. O ano passado, de acordo com as Nações Unidas, foi o ano mais mortífero da guerra para os civis afegãos. Hoje, cerca de 13.000 membros americanos permanecem no Afeganistão. A administração Trump está a tentar negociar uma paz com os Talibãs que os deixaria no comando do país, tal como estava antes da invasão americana. A guerra no Afeganistão pode finalmente terminar, mas não antes do fim desta década que começou com aquela decisão tão cuidadosamente considerada de intensificá-la.

“Agora, somos todos socialistas”,

declarou a Newsweek na sua capa no início de 2009, quando ainda fazia parte da imprensa de prestígio (atualmente é dirigida por um tipo de culto diferente). O editor Jon Meacham, evocando a habitual amnésia histórica e política dos historiadores das livrarias dos aeroportos, justificou a afirmação escrevendo que “para o futuro previsível os americanos estarão mais envolvidos com questões sobre como gerir uma economia mista do que sobre se devemos ter uma”. Uma economia mista gerida de acordo com os princípios keynesianos foi, talvez se recorde da leitura de historiadores um pouco mais rigorosos, a principal alternativa ao socialismo oferecido no Ocidente ao longo do século XX.

O estímulo tinha sido grande (se não suficientemente grande), mas com 288 mil milhões de dólares dedicados a créditos e incentivos fiscais para indivíduos e empresas, mal se assemelhava ao socialismo. Na verdade, em vez de dar aos americanos uma mão maior na gestão da economia, grande parte dessa ajuda foi concebida para ser quase invisível. Isto foi intencional. Na edição de 6 de maio de 2009 da The New Republic, Franklin Foer e Noam Scheiber descreveram a “empurrocracia” [Nudge-ocracy] de Obama, uma crença, inspirada na economia comportamental, de que a melhor maneira de o governo criar bons resultados para o povo não era através de “fortes intervenções de mercado”, mas por meio de tentativas tecnocráticas de mudar o comportamento dos indivíduos e os incentivos dos atores do mercado.

O problema com um estímulo invisível é que ninguém pensa que está a ser ajudado. Obama proporcionou benefícios fiscais para quase todos os trabalhadores americanos, mas em vez de enviar aos cidadãos um cheque, como George W. Bush tinha feito, os seus economistas decidiram estruturá-la como um corte no imposto de rendimentos, aumentando sutilmente o tamanho do salário de toda a gente. A administração então intencionalmente não divulgou o facto de que tinha dado a quase todos os trabalhadores americanos um corte nos impostos, na esperança de que as pessoas fossem incentivadas a gastar, em vez de economizar, aquele dinheiro extra. Previsivelmente, em 2010, um inquérito mostrou que apenas 12% dos americanos acreditavam ter recebido um corte de impostos; 24% pensavam mesmo que Obama tinha aumentado os seus impostos.

A falha nesta estratégia foi evidente para outro autor desta revista. No final de 2009, John B. Judis previu uma presidência em sérios problemas políticos, porque a sorte da Presidência de Obama estava ligada não apenas ao estado da economia, ou mesmo às tendências económicas, mas às perceções das pessoas sobre o estado da economia. Observando como Roosevelt “dramatizou a contribuição do New Deal para a economia”, criando “novas agências de nomes sonoros”, então, “assegurando-se por esta via que Roosevelt seria creditado pelo aumento do emprego”, Judis pediu a Obama que “introduzisse programas que proporcionassem empregos e captassem a imaginação do público”. Ele também sugeriu que o presidente

fizesse ouvidos de mercador face aqueles que pedem responsabilidade orçamental. Ele deveria continuar a injetar dinheiro para aumentar o volume de emprego e colocá-lo nos bolsos das pessoas que o irão gastar até que a taxa de desemprego comece a baixar e os salários comecem a subir…. E, o que quer que ele faça para tentar consertar a economia, Obama nunca deve parar de o afirmar publicamente e bem alto – para que ele possa colher o crédito dessa política quando as melhorias ocorrerem.

 

Roosevelt gostava de lutar contra os seus inimigos em público, e a equipa Obama preferiu estar acima de tudo e de todos.

O que Judis não considerava, porém, era que Obama não queria fazer nenhuma dessas coisas. O presidente, juntamente com os economistas que trabalharam com ele como Austan Goolsbee e Tim Geithner, todos rejeitaram categoricamente comparações com Roosevelt, baseados em parte numa compreensão aparentemente imprecisa da história do seu primeiro mandato, mas também aparentemente baseadas na estética: Roosevelt gostava de lutar contra os seus inimigos em público, e a equipa Obama preferiu estar acima de tudo e de todos. É difícil lembrar agora como todos fizeram parecer muito correto que o presidente e a sua equipa tenham intencionalmente evitado fazer coisas que eles temiam que fossem demasiado populares, mas que aqui não haveria nenhum outro New Deal.

De facto, em vez de atos ostensivos de ajuda às pessoas, a administração quase preferiu ser vista de pé timidamente a tentar oferecer ajuda às pessoas em dificuldade. Um programa que deveria ajudar os proprietários de casas em grave dificuldade recusou 70 por cento dos pedidos de modificações permanentes de empréstimos, mesmo quando mais de seis milhões de famílias perderam as suas casas. O objetivo do programa nunca foi realmente ajudar as pessoas a permanecerem nas suas casas, é claro; foi para preservar o setor financeiro, espaçando as suas execuções. No final, a Administração Obama atingiu o seu objetivo: os bancos hoje são tão rentáveis como sempre, enquanto há mais famílias a alugar casas do que nos últimos 50 anos.

2 A década de ilusões e de falhanços liberais 2

2 A década de ilusões e de falhanços liberais 3

2 A década de ilusões e de falhanços liberais 4

De longe a parte mais eficiente da Lei de Cuidados Acessíveis, em termos de ajudar os americanos a obterem cuidados de saúde, era simplesmente expandir a Medicaid. Mas o que mais entusiasmou muitos democratas e liberais foram as muitas tentativas experimentais e tecnocráticas do projeto de lei de “dobrar a curva de custos” – reduzir custos sem controle de preços – e “melhorar a qualidade”, principalmente incentivando as seguradoras, com incentivos, de modo a procurarem obter resultados que as forças de mercado por si sós  não as incentivavam a alcançar. O exemplo emblemático disso pode ter sido “o imposto Cadillac”, que foi concebido para obrigar as empresas a forçar os empregados a planos de seguro mais baratos com maior partilha de custos – um imposto baseado na crença de que um dos principais motores da inflação dos custos dos cuidados de saúde era as pessoas a tirarem partido dos seus empregadores demasiado generosos e consumindo gananciosamente mais cuidados de saúde do que necessitavam. O imposto nunca entrou em vigor. O mandato individual, igualmente concebido para forçar os jovens invencíveis mais saudáveis a entrar no mercado para fazer baixar os custos, está igualmente morto. E uma década depois da Lei dos Cuidados Acessíveis (ACA), tornou-se mais evidente do que nunca que a melhor maneira de reduzir os custos absurdos dos cuidados de saúde nos Estados Unidos seria simplesmente um programa de pagamento único.

Isto não quer dizer que a ACA não tenha acabado por ter as ramificações políticas significativas a longo prazo que os seus redatores lhe prometeram que teria. A estrutura primária não médica da ACA, com os seus subsídios para a aquisição de seguros privados, com os seus meios testados, teve o efeito previsível de convencer alguns dos seus beneficiários que Obama e o Partido Democrata não tinham nada a ver com a assistência governamental que não tinham a certeza que estavam a receber. Então, como os custos subiram e subiram ao longo da década, essa estrutura também teve o efeito previsível de fazer com que as pessoas que recebem cuidados privados parcialmente subsidiados ficassem ressentidas com os que eram suficientemente pobres para se qualificarem para a Medicaid.

Grande parte da década que acabamos de passar mostrou como a adição dos Democratas em outorgar benefícios através do código fiscal de formas complicadas e indiretas – combinadas com a insuficiência usual desses benefícios – foi quase perfeitamente projetado para fomentar o ressentimento em massa face a  outros, imaginados ou não, que poderiam secretamente estar a receber Grandes Benefícios. A cientista política Suzanne Mettler cunhou o termo “o estado submerso” em 2010 para se referir à selva de “programas” governamentais ocultos destinados a não chamar a atenção para si mesmos, muitas vezes perpetuados não porque ainda estão a ajudar os mais necessitados, mas porque são lucrativos para as finanças, seguros e/ou indústrias imobiliárias. Uma das suas ilustrações do efeito do estado submerso é um gráfico mostrando a quantidade das pessoas que tendo utilizado os programas do governo específicos só admitiram isso depois de primeiro dizerem aos investigadores que não tinham recebido nenhuma assistência.

2 A década de ilusões e de falhanços liberais 5

 

Que quase 40% das pessoas no Medicare afirmaram que isto é provavelmente atribuível à ideologia (e o facto de o Medicare, tal como a Segurança Social, ter sido concebido para fazer com que os reformados se sentissem “pagos”). Mas quando 60 por cento das pessoas que usaram as contas poupança fiscalmente vantajosas para a frequência no  ensino superior afirmam que não receberam benefícios do governo, como fizeram no estudo de Mettler, é provavelmente porque as contas poupança-reforma em situação de vantagem fiscal são totalmente inadequadas para o problema dos custos do ensino superior. Agora acrescente a isto a crença persistente (memoravelmente descrita por Ashley C. Ford há alguns anos atrás) de que as minorias – em particular as crianças negras – podem ir para a faculdade de graça por incapacidade de pagamento, e obtemos um aumento dos custos de escolaridade e outras despesas devido aos cortes no investimento estatal em educação. O resultado deste cocktail de preconceitos ignorantes e de soluções inadequadas pode parecer algo como o ano de 2019.

Em janeiro de 2009, Glenn Beck passou do CNN Headline News, onde o seu programa teve uma média de 367.000 espectadores por noite, para a Fox News. Em março seguinte, o programa de Beck na Fox tinha uma média de 2,8 milhões de telespectadores, de acordo com Howard Kurtz do The Washington Post. Kurtz estava a relatar divisões dentro da Fox sobre Beck, que tinha inspirado um boicote de um anunciante depois de dizer que Obama tinha um “ódio profundo pelos brancos ou pela cultura branca”. No ano seguinte, Ailes já tinha tido o suficiente e rompido os laços com Beck, enquanto Kurtz lamentou que a atmosfera mais ampla dos media que produziu Beck continuasse a existir. “Há uma distância curta entre as teorias mais malucas de Beck”, escreveu ele, “e Donald Trump, um empresário célebre e considerado candidato à Casa Branca, saltando para o vagão dos recém aparecidos”. Kurtz iria juntar-se à Fox News em 2013, onde permanece hoje, ao lado de colegas como Tucker Carlson e Sean Hannity.

Em outubro de 2009, Michelle Goldberg convidou os leitores de New Republic a “conhecerem o próximo Glenn Beck”. Este era nada mais nada menos que Alex Jones, na época mais conhecido (além dos fãs de Richard Linklater) como um proeminente denunciante da versão oficial (“truther”) relativa ao  11 de Setembro, representando a franja da franja. “Até recentemente”, escreveu Goldberg, “a busca de Jones pelos principais aliados tem sido menos que frutífera”. Goldberg observou que mesmo a esfusiante conservadora Michelle Malkin – uma figura extrema, é certo, mas completamente normal na altura – castigou o então representante Ron Paul por aparecer no programa de Jones e argumentou que ao fazê-lo deveria desqualificar um republicano dos debates primários. Mas com Obama no cargo, as coisas já estavam a  mudar. O “principal analista sobre questões de justiça ” da Fox News, um tal Andrew Napolitano, tinha acabado de fazer uma transmissão conjunta com Jones, incentivando o seu novo documentário anti-Obama. O representante Louie Gohmert, do Texas, também tinha acabado de aparecer no seu programa.

Naturalmente, dada a sua crença de que o 11 de Setembro era uma conspiração do governo, Jones tinha sido anti-Bush enquanto Bush estava no poder, tornando Jones e o seu público útil apenas a legítimos outsiders como Paul. Com Obama na Casa Branca, no entanto, ele e as conspirações que gerou poderiam ajudar o movimento conservador a reconquistar o poder, e por isso já não era considerado como fora de questão associar-se a ele. Quanto a Malkin, ela foi demitida, em novembro deste ano, por um grupo conservador por apoiar publicamente um negacionista do Holocausto, e no início deste mês ela apareceu num canal nacionalista branco do YouTube e era aplaudida por jovens ativistas da “direita alternativa”.

Por outras palavras, a impotência dos Democratas não se desenvolveu num vácuo partidário. Tem sido, a cada momento, inspirado e influenciado pelo completo fracasso da direita à autodisciplina A direita americana, tal como o mercado imobiliário e os bancos, os fundos de cobertura (hedge funds), as seguradoras e os fornecedores de serviços de saúde, simplesmente não poderia ser induzida a controlar os seus instintos mais básicos face a um adversário que apostou toda a sua credibilidade política na promessa de que poderia fazer com que os republicanos caíssem na armadilha dos incentivos realinhados ou em campanha de falsas e perigosos promessas eleitorais. Se os liberais querem ter sucesso com a próxima década, depois da anterior em que repetidamente falhámos em salvar o mundo enquanto dizíamos a nós mesmos que era o que estávamos a fazer, precisaremos de parar com a política dos pequenos passos e começar a lutar.

________________________________

O autor: Alex Pareene é redator da equipa do The New Republic. Ele foi o antigo editor da Gawker and Racket Teen. Autor do livro The Rude Guide To Mitt, 17 April 2012, 51 pages, Salon Media Group e de A Tea People’s History, 2 October 2011, Salon Media Group

 

 

 

2 Comments

  1. *DISTRAÍDOS, ATRAÍDOS, TRAÍDOS E DESTRUIDOS.*

    *É MUITO DIFÍCIL IDENTIFICAR A EXTENSÃO DOS DANOS QUE ESTA QUADRILHA QUE TEM O ENERGÚMENO COMO PONTA DE LANÇA ESTÁ CAUSANDO À SOCIEDADE BRASILEIRA*
    > https://gustavohorta.wordpress.com/2020/02/01/e-muito-dificil-identificar-a-extensao-dos-danos-que-esta-quadrilha-que-tem-o-energumeno-como-ponta-de-lanca-esta-causando-a-sociedade-brasileira/

    …E asseguro para vocês que não é um cérebro idiota como do marionete energúmeno que está concebendo tramas dessa natureza. É evidente que ele não tem discernimento nem competência suficiente para isso. Eu vejo que ele é apenas um idiota aposentado do exército por deficiência mental.

    Há gente muito graúda e cheia de interesses escusos metidas do meio dessa quadrilha e que, de fato, são os que chefiam a quadrilha. Não há boas intenções nesta quadrilha canalha. O capital jamais dialoga com a ética. O capital jamais dialoga com integridade. O capital não dialoga com a honestidade.

    Coisas como esta, entre tantas outras, estão sendo produzidas pela quadrilha que foi conduzida ao poder por uma sociedade brasileira doente e manipulada, quadrilha esta…

Leave a Reply