A CRISE DO COVID 19 E A INCAPACIDADE DAS SOCIEDADES NEOLIBERAIS EM LHE DAREM RESPOSTA – VI – MICROMEGA – SEGUNDO APELO DE ECONOMISTAS ITALIANOS (ver nota ao fim)

“Mes, nulla è cambiato: l’Italia non firmi”. Nuovo appello al governo di 37 economisti

MicroMega, 11 de Março de 2020

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

 

 

A 16 de Março, ou seja, dentro de alguns dias, o Eurogrupo reunir-se-á para a aprovação final do MEE, o chamado “Fundo de Resgate dos Estados membros”. A decisão deve ser tomada por unanimidade, pelo que, se a Itália se opuser, isso provocaria pelo menos um adiamento e novas negociações. Será que alguma coisa mudou desde que lançámos um apelo para que a Itália não aprove esta reforma? Uma reforma, vale a pena repetir, que não só não beneficia o nosso país, mas que, pelo contrário, pode aumentar os riscos de uma crise financeira que nos atinge, pelas razões descritas no apelo.

Lamentamos ver que nada tenha mudado. O texto da reforma permaneceu o mesmo (com no máximo algumas mudanças que não afetarão a estrutura geral, limitadas ao funcionamento das cláusulas Cacs sobre o voto dos credores em caso de reestruturação da dívida). Além disso, a Itália tinha pedido que fosse adotada uma lógica de “pacote”, ou seja, que a reforma do MEE fosse definida em conjunto com a reforma sobre a conclusão da União Bancária e o “instrumento orçamental para a convergência e competitividade”, na prática um fundo para promover o investimento. A carta do Presidente do Eurogrupo Mario Centeno – enviada a todos os governos – esclarece que o pedido não foi sequer levado em consideração: a aprovação da reforma do MEE – tal como está redigido o texto – está prevista imediatamente, as outras duas reformas são adiadas para os próximos anos.

Não só isso. No que diz respeito à garantia conjunta sobre os depósitos, a carta – que resume as conclusões de uma reunião anterior de dirigentes europeus – diz que será tomada uma decisão sobre a sua introdução em 2024, mas “a decisão dependerá de terem sido feitos progressos suficientes para reduzir o risco”. E o ponto de vista que continua a prevalecer sobre o que se entende por isso é o mais recente que foi apresentado pelo Ministro das Finanças alemão Olaf Scholz, sobre o tratamento das obrigações públicas detidas pelos bancos, o que seria exemplar para o nosso país. Em relação ao “Instrumento de Balanço”, existe um mandato para o estudar, sem sequer mencionar a sua maturidade ou dimensão. O recente choque sobre o orçamento europeu, no qual os países do Norte se opuseram firmemente a qualquer aumento, mesmo no círculo zero, é uma premissa desencorajadora para a criação de um instrumento verdadeiramente eficaz.

A manutenção de boas relações com os outros países da União Europeia não pode significar que aceitemos reformas que nos colocam em sérias dificuldades. Isto, aliás, não só seria prejudicial ao nosso país, mas a todos, porque é construído de acordo com a mesma lógica que provou ser profundamente errada. O facto de que essas reformas requerem aprovação unânime significa que devemos procurar alcançar um compromisso que satisfaça, ou pelo menos não prejudique, todas as partes. Isso nem sempre foi o caso no passado, e mais de um exemplo poderia ser dado de reformas e regulamentos que têm prejudicado a Itália – e continuam a prejudicá-la – em comparação com outros parceiros. Há também numerosos exemplos de países membros que rejeitaram acordos que não partilhavam, por exemplo, sobre regulação da imigração e mudanças climáticas, problemas de não menos importância do que as questões financeiras.

Por fim, há uma crise sanitária em curso, cuja evolução é difícil de prever, mas que pode levar à necessidade de mudanças profundas na estrutura europeia. Sob estas condições básicas, considerações de prudência sugerem que não devemos introduzir restrições que possam revelar-se inadequadas.

Com base nestas considerações, reiteramos o nosso apelo ao governo, e em particular ao Ministro da Economia, Roberto Gualtieri: o acordo sobre o MEE não deve ser assinado e ao veto deve ser dado o significado de uma rejeição da lógica que prevaleceu até agora na Europa e que provou ser uma perdedora do ponto de vista da eficácia. A Itália deveria apresentar-se na reunião do Eurogrupo propondo políticas alternativas para ajudar a ultrapassar a emergência atual e repor a União sobre uma trajetória de crescimento e inclusão.

 

Nicola Acocella (univ. Roma La Sapienza) 

Roberto Artoni (univ. Bocconi)

Paolo Borioni (univ. Roma La Sapienza)
Sergio Bruno (univ. Roma La Sapienza)
Sergio Cesaratto (univ. Siena)

Roberto Ciccone (univ. Roma 3)
Carlo Clericetti (giornalista)
Massimo D’Antoni (univ. Siena)
Antonio Di Majo (univ. Roma 3)
Giovanni Dosi (Scuola Superiore Sant’Anna)
Sebastiano Fadda (univ. Roma 3)
Maurizio Franzini (univ. Roma La Sapienza)
Andrea Fumagalli (univ. Pavia)
Mauro Gallegati (univ. Politecnica delle Marche)
PierGiorgio Gawronsky (economista)
Claudio Gnesutta (univ. Roma La Sapienza)
Riccardo Leoni (univ. Bergamo)

Sergio Levrero (univ. Roma 3)
Stefano Lucarelli (univ Bergamo)
Ugo Marani (univ. Napoli l’Orientale)
Massimiliano Mazzanti (univ. Ferrara)
Domenico Mario Nuti (univ. Roma La Sapienza)
Guido Ortona (univ. Piemonte orientale)
Ruggero Paladini (univ. Roma La Sapienza)
Gabriele Pastrello (univ. Trieste)
Anna Pettini (univ. Firenze)
Paolo Pini (univ. Ferrara)
Cesare Pozzi (Luiss Guido Carli e univ. di Foggia)
Riccardo Realfonzo (univ. Sannio)
Roberto Romano (economista)
Guido Rey (Scuola superiore Sant’Anna)
Roberto Schiattarella (univ. Camerino)
Annamaria Simonazzi (univ. Roma La Sapienza)
Alessandro Somma (univ. Roma La Sapienza)
Antonella Stirati (univ. Roma 3)
Mario Tiberi (univ. Roma La Sapienza)
Leonello Tronti (univ. Roma 3)
Andrea Ventura (univ. Firenze)
Gennaro Zezza (univ. Cassino

 

Para ler o original clique em:

http://temi.repubblica.it/micromega-online/mes-nulla-e-cambiato-l-italia-non-firmi-nuovo-appello-al-governo-di-37-economisti/

 

Nota – peço desculpa aos autores, aos leitores e ao Júlio Marques Mota (last but not least) pelo lapso que cometi. Troquei a ordem de publicação dos apelos dos economistas italianos, relativos à grave situação em que se encontra o seu país, debatendo-se ainda por cima com as “engrenagens” da UE.  Mas a  situação em que vivemos, com o coronavírus, e as crises políticas e económicas não chegam para justificar a minha distracção. Peço que aceitem o meu pedido de desculpas.

About joaompmachado

Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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