O ORÇAMENTO DE ESTADO, POR MUITO MAU QUE POSSA SER, MERECIA SER OLHADO DOUTRO MODO. – por CARLOS LEÇA DA VEIGA

 

Que, em Portugal, as correntes políticas direitistas entendam – se entender consegue assistir-lhes – que haja partidos políticos de esquerda, é coisa mais que compreensível, doutro modo, como poderiam conseguir exibir o seu idealismo. Coisa muito mais grave é que alguns, outros. queiram afirmar-se como de esquerda enquanto, tal como os da direita, aceitam o patronato de Bruxelas.  Parece coisa vergonhosa aceitar colaborar com o imperialismo germano-franco (essa dita esquerda têm parlamentares na Europa) e, em simultâneo, ter o descaramento de reclamar-se como de esquerda. Quem tem olhos para ver, sabe – e com muito acerto – que ter parlamentares na tal união europeia é querer dar a sua colaboração – má que seja – a um projecto imperialista que, nesta nossa Europa, ao longo dos seus muitos séculos, tem passado por várias versões e todas, sem excepção, de má memória. Desde o império romano, desde o império do Vaticano, desde o dos Habsburgos, desde o do expansionismo Napoleónico, desde a tentativa da Prússia/travestida de Alemanha até ao criminoso nazismo todos têm desejado conglomerar todo o território europeu e, nunca esquecer, ter poder – se conseguissem – sobre a  fachada atlântica de Portugal. Agora, reclamam-se de democratas – é o que está a dar – e fundaram um IVº reich a que, com despudor, chamam “união europeia”.

Essa cognominada esquerda que – desde sempre –  engole sapos sobre sapos, agora, em vez de ter bom senso e apoiar o Orçamento em apreciação parlamentar (mau como os todos os anteriores ou não fossem aqueles ordenados por Bruxelas) e, com isso – oportunidade excelente –  aproveitar para afastar da área do executivo nacional  – talvez em definitivo –  aqueles do antigamente, em vez disso, comporta-se, quanto a mim, com demasiada imaturidade política. Em vez de poder celebrar, com entusiasmo manifesto, o desejável afastamento político dos direitistas, prefere optar por apagar-se e escolhe envolver-se em quezílias dum parlamentarismo serôdio. e, mais que tudo, prejudicial à maioria dos portugueses.

Mau grado tudo quanto de mau possa imputar-se, aceitar o Orçamento de Estado para 2021, isso é indubitável, era uma derrota política para os dirigentes partidários direitistas e, também, para os seus mandantes que, para nosso mal, o tempo teima em conservar.  Ganhar deliberadamente uma maioria parlamentar era um gesto político com bastante significado.

A chamada esquerda, em vez de optar por um comportamento político mais consentâneo com o interesse nacional  e, seguramente, o maìs aconselhado, apagou-se e volta a facilitar a existência de quem, apesar de tudo, tem conseguido sobreviver e, de algum modo – nunca fez um esforça vincado para desmenti-lo – faz recordar um passado malquisto. Dar projeção ao posicionamento político resultante do apoio ao Orçamento de Estado para 2021, seria – disso não tenho dúvidas – uma atitude com um valor político muito significativo que ser-nos-ia muito benéfico, pois traduzir-se-ia – era inevitável – como uma manifestação de exigências políticas que, à UE – e ao seu patronato germano-franco – haveria de desagradar. Marcar pontos parece muito desejável para os interesses dos portugueses. Em vez duma vitória política, uma “birra” parlamentar!!! CLV

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