Uma homenagem que se quer simples a um amigo meu que morreu na semana passada
Coimbra, 25 de Dezembro de 2020
Morreu um amigo meu, há três dias, um economista de renome mundial, Domenico Mario Nuti. Devo recordá-lo como economista, ou como amigo ou as duas coisas? Como economista devo recordá-lo como um economista heterodoxo da família keynesiana, alguém entre Marx, Keynes, Kalecky, como especialista das economias socialistas em transição ou como inicialmente o conheci, como alguém envolvido nas questões da teoria do capital com os modelos putty-clay no tempo do debate entre as duas Cambridge, ou como ainda mais recentemente eu próprio o assumi, como um especialista em questões europeias, com que animou muito do nosso blogue, A Viagem dos Argonautas. Devo recordá-lo nestas duas categorias, como um grande economista e como amigo, ou simplesmente como amigo, com uma amizade que se criou depois de ter sido convidado para um grande colóquio sobre a Europa na Faculdade de Economia de Coimbra que deu origem à publicação do livro editado pela Coimbra Editora, PERSPECTIVAS PARA UMA OUTRA ZONA EURO, onde é publicado um texto seu.
Devo recordá-lo por um pouco de tudo isto, é certo, mas sobretudo devo recordá-lo em termos de uma amizade que se foi criando ao longo dos anos, devo recordá-lo a partir dos textos que dele publiquei, das interrogações que discutíamos à volta dos mesmos, mas também dos sentimentos e intimidades pessoais que se foram estabelecendo ao longo dos anos.
Devo dizer que o primeiro contacto que tive com o nome Nuti foi através de um artigo seu quando, enquanto professor e eu enquanto estudante do 3º ano do ISEG, andávamos à volta da teoria neorricardiana. Desses tempos, dos temas teóricos dessa época, estávamos em 2012 ambos já muito afastados dessa problemática, embora pense que ele estaria atualmente mais distanciado do que eu. No seu longo texto publicado também no blog A Viagem dos Argonautas em português, Ascensão e queda do Socialismo seguido de Ascensão, queda e futuro do Socialismo, essa longa distância criada face à teoria do valor trabalho, e por aí também a Marx, é muito mais longa que a minha, que pela via de Sraffa, ou da minha leitura de Sraffa, nunca deixei de estar ligado a Marx e à teoria do valor trabalho, ainda que de forma nada ortodoxa. Como também o estava o herético Arghiri Emannuel, por exemplo. Com efeito, neste seu longo trabalho Nuti reduz Marx à ideia de exploração, mas para a qual considera que a teoria do valor não é necessária. Um recuo, creio, face a Sraffa, enquanto eu sempre considerei desde essa altura que o modelo de Sraffa tinha em última análise o trabalho como unidade de medida, uma vez que a mercadoria padrão é construída na base da quantidade total de trabalho utilizada no que é considerado a configuração de equações do sistema produtivo que teoricamente é considerado o sistema efetivo, o que é expresso pela hipótese de que o valor do produto líquido do sistema padrão é igual à quantidade de trabalho do sistema efetivo. O trabalho é assim assumido como a única fonte de valor e a relação da repartição entre as classes sociais, trabalho e capital, é dada pela relação linear entre salários e lucros para cada nível de produto líquido considerado: r= R (1-W), onde R representa o produto líquido nacional por unidade de capital utilizado no sistema produtivo [1]. A teoria do valor trabalho é assim recuperada e o conflito de classes é desta forma elegantemente representado por esta relação linear. Perde-se a ganga do Capital e recupera-se toda a sua mensagem! [2] Um pouco como o que dizia Lefebvre relativamente à Igreja e a Cristo mais ou menos o seguinte: podemos esquecer a Igreja (aqui, o marxismo ortodoxo, fundamentalista) mas nunca a mensagem de Cristo (aqui, a ideia de fundo de Marx, a exploração do trabalho, a luta de classes).
Mais tarde e já na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, deparo-me com os seus artigos em torno de Kalecky assim como os seus trabalhos sobre a transição das economias socialistas, com Alec Nove. E só muito depois, aquando da sua passagem por Coimbra, as minhas ligações com Nuti passaram a situar-se sobretudo em torno da construção (talvez antes desconstrução) da União Económica. A partir daí foram anos de convívio à distância em que fomos lidando com o que Nuti escrevia, e em que publicámos a maioria dos seus textos desde então. Neste trabalho fomo-lo questionando sobre o que escrevia e por vezes discutíamos qual o melhor sentido para a tradução de algumas expressões por ele utilizadas em textos em inglês ou em italiano. Foram anos em que muito aprendi em termos de economia e de vida também…
Neste contexto, acompanhei de perto a elaboração do seu texto Ascensão e queda do Socialismo na sua versão em italiano, sobretudo após a sua própria primeira revisão do texto: Depois acabei por acompanhar também a sua própria passagem para inglês uma vez que se levou muito tempo a traduzir a versão italiana para português, e isto deu-se quando Nuti também começou a rever a versão em inglês e ma disponibilizou para efeitos de facilitar a tradução do italiano. Creio mesmo que a versão final em inglês expressa também esse tipo de discussão à medida que eu ia traduzindo o seu texto para português. E aqui surgiu uma situação curiosa. Chegado ao fim do artigo fica-se com uma sensação estranha, como se se tivesse lido um livro a que falta um capítulo, o capítulo final. Disse-lho, disse-lhe que ao chegar ao fim do texto Ascensão e queda do Socialismo se ficava com um sabor amargo na boca, como se lhe faltasse o capítulo final, como se nós próprios precisássemos de virar a página, mas não havia página seguinte! E a sua resposta foi de que se tiver saúde e tempo a escreveria. E assim fez. Daí o título Ascensão, queda e futuro do Socialismo que se seguiu a Ascensão e queda do Socialismo.
À volta deste texto um pouco pessoal, deixem-me aqui reproduzir alguma da correspondência que na altura foi trocada com Domenico Mario Nuti:
Em 3 de Julho de 2018 escrevi:
“Francamente, continuo a afirmar, mais e mais firmemente, que THE RISE AND FALL OF SOCIALISM é um trabalho notável.
No que me toca, vejo na sua extensa bibliografia autores que li, já não me lembro como ou em que língua, possivelmente a maioria em francês porque nesse tempo mal sabia inglês, e em relação às questões sobre economia e socialismo na Europa de Leste, relembro aqui: Feldman, Mahalanobis, Kaldor, Domar, Kalecky, Oskar Lange, Preobajenski, Spulber, Kornai, Nove. Relembro também Novozilov, Nenchinov etc.
Vou-lhe contar uma pequena história: nos meus dias de estudante (1972), fui convidado por um professor que era conservador e também emblemático, Alfredo de Sousa, para trabalhar com ele durante um ano com o objetivo de encontrar correspondência entre a linguagem estruturalista em economia e a linguagem marxista. Prometeu que me arranjaria, mais tarde, e não duvido que o dizia sinceramente, uma bolsa de estudo de seis meses na Polónia, na escola de Oskar Lange, seis meses em Budapeste na escola de Kornai e depois disso um ano em Cambridge, por causa da escola Neorricardiana, ou seja, por causa de Sraffa.
Simplesmente, eu não sabia inglês o suficiente para assegurar um bom resultado académico com esta estadia em três das mais importantes “capitais” do conhecimento e durante dois anos. Assim, recusei. Além disso, tinha condições pessoais de fortes restrições que reforçavam a minha decisão: sou filho de camponeses pobres, o meu pai tinha falecido e a minha mãe vivia só. Católica, na solidão de uma pobre camponesa que vivia sozinha, recusava-se a ter televisão em casa porque achava que a televisão era para ser vista em companhia – na altura quase não havia televisões na aldeia, pelo que as vizinhas se juntavam para a ver – e passava as noites a rezar pelo filho, que durante muitos anos foi trabalhador na indústria transformadora na área de Lisboa. Por conseguinte, a minha mãe necessitava que a visitasse frequentemente, o que era incompatível com poder estar no estrangeiro durante muito tempo.
Assim, pode compreender a minha emoção ao traduzir este trabalho extraordinário. Página após página do seu texto lembro as minhas leituras de há muito tempo, de há 40 anos. Curioso, sinceramente.
Para concluir, eu sugiro-lhe, em virtude do seu distanciamento em relação à teoria de valor de Marx e dos esquemas de reprodução, que leia o livro de Arghiri Emmanuel Les profits et les crises (Maspero), também ele distante de Marx. Seguramente não dará o seu tempo por perdido.“
A sua resposta no dia 4 de Julho dizia:
“Obrigado por partilhar as suas recordações pessoais e pela sua reaçção ao meu texto. Tive muita sorte em poder ver a Polónia imediatamente após a graduação, aprender polaco e ser ensinado por Lange e Kalecki (e Brus, e Laski, e outros proeminentes economistas), e depois passar quinze anos em Cambridge com tantos professors maravilhosos. E ainda a oportunidade de observar diretamente a reforma e transição do sistema socialista, o fracasso da social-democracia pervertida. Espero durar o tempo suficiente para completar o meu texto acrescentando a secção sobre o futuro da social-democracia.
A propósito, lamento dizer que sou céptico acerca da Troca Desigual de Emmanuel, por razões que tentarei abordar noutro correio em breve”.
E no dia 5 de julho respondi:
“Falei de Emmanuel mas apenas sobre o livro Les profits et Les Crises. É notável o capítulo sobre os esquemas de reprodução. Note que foi escrito em 197x. Não me lembro exactamente do ano. Na minha lista de nomes estava também Brody e Kantorovitch, principalmente Kantorovitch, importante para mim com o livro Calcul economique publicado pela Dunod”.
Sobre este importante texto os tempos passaram. Depois, em meados de 2019 sou surpreendido por um seu email dizendo-me que ambos tínhamos sorte, tinha descoberto duas garrafas de vinho de Xerês de um lote de 6 que tinha comprado em 1975 quando estava em Cambridge e que tinham sido colocadas no mercado aquando da coroação do rei Eduardo VI em 1937. Restavam-lhe duas, uma para a família e outra para mim. O email era emocionalmente muito bonito, dispenso-me de o colocar aqui. Respondi-lhe na volta do correio. Na minha resposta dizia o seguinte:
“É verdade que devo agradecer-lhe pela garrafa que me enviou e está ciosamente guardada para ser bebida numa altura conveniente e digo-lhe que, dada a importância que a garrafa assumiu para mim, escolher essa data não será fácil. Mas embora deva agradecer-lhe pela garrafa, não menos importante ou talvez até mais importante, devo agradecer-lhe pelo seu texto poético que me enviou. Como se costuma dizer em Portugal, mil vezes obrigado.
A esse respeito, e a nível simbólico, deixe-me dizer-lhe o que uma empregada do Café a que costumo ir, que não tem tido uma vida fácil, economicamente falando, me disse há dois dias, quando me agradeceu porque enviei uma carta de felicitações à sua filha que tinha conseguido entrar na universidade. Basicamente, disse à filha que nunca temos um texto sem contexto, e que somos sempre aquilo que são as nossas circunstâncias de vida, e assim, nas suas circunstâncias estão o trabalho e os grandes sacrifícios da sua mãe para permitir o sucesso alcançado pela filha. Um pormenor a não esquecer, foi a minha sugestão.
Basicamente, foi o resumo da minha carta à rapariga. A mãe dela pegou no telefone e disse-me: “por causa da sua carta, estive a chorar e as lágrimas corriam-me pelos olhos”. E ela concluiu: “quando a ternura entra nas nossas vidas, como é o caso agora, só temos de estar gratos à vida”.
Isto foi dito por alguém que não tem mais do que a educação básica – nove anos de escolaridade! Esta é a poesia do mundo expressa por alguém a quem a vida não tem sido nada poética, pelo contrário, a vida neste campo tem sido muito amarga para ela.
Talvez tenha escrito uma carta poética para a sua filha, que fez a mãe chorar de emoção, foi também de si uma carta para mim carregada de todo o afecto que pode ser expresso neste mundo a um amigo e não há outro mundo. Perante o seu texto senti-me como a empregada do café: “Quando a ternura entra nas nossas vidas, só temos de estar gratos à vida”. E francamente, estou-lhe muito grato pelo seu texto”.
A este texto respondeu-me Nuti:
“A sua carta calorosa e afectuosa teve precisamente o mesmo efeito em mim que descreve de forma tão lúcida. Dado o mundo egoísta e cruel em que vivemos agora, creio que temos muita sorte em experimentar tais sentimentos felizes. Os nossos sinceros e profundos agradecimentos recíprocos são apropriados. Tenha cuidado e cuide de si e continue a espalhar essas emoções à sua volta.”
O que aqui vos deixo é um curto resumo de uma história passada entre mim e um dos mais brilhantes economistas do século XX que conheci, a história curta de uma amizade feita a partir de ideias a que se sobrepuseram depois sentimentos da vida pessoal de cada um de nós. Uma história que julgo deixa bem clara a forma de estar na vida de Domenico Mario Nuti, um Homem sempre atento aos grandes movimentos sociais, económicos e políticos, um Homem sempre exigente para com os homens do poder, como o mostram os seus múltiplos artigos sobre a Europa e outros, mas também sempre compreensivelmente atento face às necessidades daqueles que o sistema ejetava para as margens da estrada da vida, um Homem não menos atento ao mundo singular que nos rodeia, a cada um de nós, magistralmente expresso pela afirmação da empregada de café quando esta comovidamente me diz: “when tenderness comes into our lives, as that is the case now, we just have to be grateful to life “ uma expressão que mais parece uma estrofe de uma outra possível versão da canção Gracias à la vida cantada por Violeta Parra ou Mercedes Sosa, tal a força que dela emana, sobretudo quando proferida por alguém que ainda encontra razões para agradecer à vida os interstícios de alegria e de descanso que esta lhe permite. Uma expressão que Nuti também assume como sua, como e como algo que deve ser inerente à condição humana: a fraternidade como prática, como elemento central da vida de cada um de nós. .Curiosamente dois mundos que não se conhecem, o dele e o da empregada que me serve diariamente o café, dois mundos que nada têm em comum, nem cultural nem economicamente, exceto em algo de muito forte que, na minha opinião, dá sentido à vida e que é transversal a todas as classes quando se tem por opção ou por educação o sentido de humanidade, o sentido do outro, o sentido da fraternidade, como modo de vida.
Quando um dia Nuti estava de férias na Toscana, creio que em 2017, disse-me que estava ali a viver num mundo onde a fraternidade sentida e vivida se aproximava do mundo que ele e eu muito desejávamos. Achei esta expressão muito feliz. Nessa mesma altura, com ele na Toscana, falei-lhe de clivagem de classes, marcada muitas vezes pelos tipos de consumo, a propósito de um jantar que tive com um amigo meu trabalhador da construção civil, a que ele me respondeu dizendo-me mais ou menos o seguinte: tem sorte em ter amigos destes e estes têm sorte em ter amigos como você. No fundo, a fraternidade como centro da relação entre as pessoas.
Se muito aprendi com Nuti em termos de economia, muito também aprendi em termos de forma de estar na vida. Um exemplo a seguir é a mensagem que esta história singular pretende ilustrar.
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NOTAS
[1] Em termos muito técnicos diríamos que o produto vetorial do vetor q (os multiplicadores para a construção da medida padrão) do sistema produtivo pelo vetor Li (vetor das quantidades de trabalho utilizadas por cada setor no sistema efetivo) é igual ao valor L, a quantidade de trabalho total de que a sociedade dispõe e que se considera como igual à unidade, igual ao produto líquido, também ele, considerado por Sraffa como igual à unidade. O sistema não pode ter dois numerários e portanto Sraffa está a considerar L=1=Y, onde Y representa o produto líquido, igual em valor ao trabalho utilizado no sistema efetivo, a partir do qual é construído o sistema padrão. O conceito de trabalho como fonte de valor e o da exploração estão assim presentes no modelo de Sraffa, pela via da equivalência das duas normalizações!
Curiosamente, ao longo da elaboração de um pequeno trabalho sobre Sraffa apresentado por Joaquim Feio (FEUC) e por mim (FEUC) no Instituto Gramsci e nas discussões havidas entre nós sobre o texto que estávamos a escrever, para além da conclusão referida quanto aos dois numerários serem apenas expressões diferentes da mesma coisa, chegámos ambos à conclusão de que o livro A produção de mercadorias através das mercadorias estava para a Ciência Económica como um muito raro diamante estava para um ourives: belo, cintilante por todos os seus lados mas com reflexos variados, tudo dependendo da face que tínhamos virada para nós. Hoje, por Gattei sabemos que esta opinião não difere da do próprio Sraffa quando este diz a Aurelio Macchioro em 1960 que “cada um era livre de interpretar Produção de Mercadorias à sua maneira”.
[2] Por mero acaso, em junho deste ano, leio um artigo de Gattei onde este se refere a uma nota encontrada por Riccardo Bellofiore nos arquivos de Sraffa disponibilizados em 1995 onde se fala em “produção de mercadorias através de mercadorias e trabalho” contra o titulo dado pelo próprio Sraffa, “produção de mercadorias através de mercadorias “ Uma enorme diferença entre os dois títulos! O primeiro pressupõe a aceitação marxiana da teoria do valor enquanto o segundo permite objetivamente a sua rejeição. Mas foi este segundo titulo (sem referência ao trabalho) que veio a público. Para isto, Gattei dá a seguinte explicação:
“Mas não se pode culpá-lo por isto, [por esta aceitação escondida da teoria do valor-trabalho] uma vez que o tempo em que viveu tinha sido um tempo de tiranias (nazi-fascismo, estalinismo, McCarthyismo – para não ser esquecido nem mesmo a última que na Grã-Bretanha produziu o escândalo daqueles “espiões de Cambridge” em 1951, por estudantes, que tinham sido iniciados ao marxismo na célula comunista universitária por Maurice Dobb, o mais próximo companheiro de Sraffa, e que depois, em plena “guerra fria”, tinha fugido para a URSS para não ser preso como agente secreto do KGB). É óbvio que nestas condições para um Judeu+Comunista+Expatriado, como era Sraffa, era mais do que oportuno proceder disfarçado, e também no campo académico se ainda em 1960 um colega seu (talvez Dennis Robertson?) com uma simples leitura dos rascunhos da Produção de Mercadorias o avisou que aquele livro tinha de ser queimado porque era “imoral, neo-Renascentista e neo-Marxista”!



Prezado Professor Júlio Marques Mota,
Muito oportuna sua homenagem ao Professor Domenico Mario Nuti, com o qual troquei breve correspondência (e-mail) há muitos anos atrás.
Tenho alguns artigos do Prof. Nuti e um deles, Capitalism, Socialism and Steady Growth (1970) exerceu grande influência na maneira como eu analiso os sistemas econômicos, sobretudo na questão da repartição da renda nacional entre as principais classes sociais. O Prof Nuti foi muito inteligente ao usar o modelo putty-clay de Edmund Phelps (1963) nesse artigo. Embora eu não tenha conhecido pessoalmente o Professor Nuti, além do alto preparo técnico, ele me passava a impressão ser muito honesto intelectualmente. A propósito de Sraffa, tive também a oportunidade de trocar uma brevíssima correspondência (duas cartas) em 1980, praticamente três anos antes do falecimento dele. Meus cumprimentos,
Fabio Anderaos de Araujo
São Paulo,
Brasil.