Desabafo, por José Almeida Serra

Um desabafo

por José Almeida Serra

 

É meu dever reagir de vez em quando aos artigos que Amigos que muito prezo vêm produzindo e distribuindo entre uns tantos, via e-mail. A falta de intervenção – reacção que é rara – significa simplesmente que muitas vezes sinto que nada de útil poderia acrescentar.

Os Amigos têm-se debruçado, normalmente, sobre temas concretos: sistema rodoviário, ferroviário, aeroportos, produção de energia segundo diferentes modelos, ambiente, educação/formação e mais uns tantos que são fundamentais para o nosso futuro.

Tenho sugerido que sobre os diferentes temas sejam ouvidos nâo só os que “sabem e ensinam”, mas, sobretudo, os que actuaram com sucesso, com resultados visíveis no terreno. Julgo que é a única maneira de prosseguir e de progredir para uma sociedade desenvolvida.

Tenho também defendido que se volte a implementar um sistema sério de planeamento, pelo menos a dez anos, que defenda os elementos fundamentais ao progresso de uma Nação. Pois se até Salazar-Marcello o tiveram e a funcionar bem (embora a seis anos), o que sobre o tema fizemos após o 25 de Abril? Metemos o Planeamento na Constituição e acabámos com ele. Hoje vivemos de crise em crise, de task force em force task, de grupo em grupo de trabalho (sempre de sábios, licenciados alguns, que mal puseram os pés numa Universidade) cujo fim é darem resposta para problemas acontecidos e não prever e antecipar soluções para problemas que fatalmente surgirão. Mas algo se ganha com tanta superficialidade: i) projeção, ii) uns cobres e ainda, quem sabe, iii) uma brilhante carreira política (devendo ressalvar que algumas vezes temos gratas surpresas por parte de uns tantos).

Ou seja: temos de perceber que o problema é sobretudo político, ou seja, falta de política, não podendo excluir nenhum partido (em especial os dirigentes), talvez o CHEGA cujos votantes deveriam votar no futuro (o passado já lá vai) num outro confinado ao ARREDA.

Imensos sectores, que são vitais numa Sociedade, nada ou quase nada fazem (salvo reivindicar); outros, segundo a comunicação social e parte significativa da população, desenvolvem-se a olhos vistos (de que a corrupção e o compadrio são simples e gritantes exemplos).

 Que pouca vergonha se está passando com as vacinas e com a administração de certas mutualidades! Descansem e tranquilizem-se: não vai acontecer nada, talvez algum hiato na espera de um futuro profícuo.

Pois se fomos tão bons que até conseguimos o mais que “honroso” lugar de sermos os primeiros covirados e de mortos pelo covirus (em percentagem)!

Os mais capazes têm uma alternativa: i) emigram, ou ii) acomodam-se e vão ficando, nas instituições em que trabalham, sempre nos patamares inferiores. Exportações de mão de obra qualificada de generosa e de ajuda ao mundo dos mais necessitados (UK, França, Espanha, Alemanha, etc.).

Exemplo para o futuro: o drama dos fogos. Quantos grupos de trabalho, visitas de responsáveis políticos e de beijinhos (antes da pandemia) não foram espalhados, vai para dois anos, por esse País fora? E daqui a dez anos: não teremos o fenómeno repetido de maneira muito amplificada? Mas os integrantes dos grupos de trabalho e das task forces viverão bem, na base de reformas entretanto obtidas à custa da “ralé” que compõe a “plebe”.

Agora criou-se um novo Banco de Fomento para gerir os fundos (milhões e milhões) provenientes da Europa. Que abundância e que fartura!

Será que alguém se lembrou que os que trabalharam no BFN/E e depois BPI poderiam saber alguma coisa do assunto? Ou seja: talvez não tivesse sido mau ouvir uns tantos, não?

Tanto quanto consegui averiguar o número foi muito simples: zero (trivial da base decimal e não o absoluto).

Daqui a 10 anos já será possível fazer comparações, mas isso é algo que não interessa aos actuais responsáveis. Mas certamente teremos muitos novos ricos, numa espécie de milagre da multiplicação dos peixes, milagre de um dadivoso Cristo descido à Terra.

Acabar com a corrupção: será assim tão difícil? Não houve situações no passado em que isso se conseguiu em determinadas áreas?

A escandaleira das ultrapassagens de orçamentos dos projectos públicos, nas últimas décadas, foi monumental e os números constam de DR. Já algum(a) historiador(a) se deu ao trabalho de fazer uma leitura dos citados documentos e publicar os resultados, indicando também quem eram, à época, os responsáveis pelos empreendimentos, bem como a nível governamental? Pois se nem sequer mostraram interesse pela história próxima, 25 de Abril e 25 de Novembro, enquanto ainda continuam vivos uns tantos intervenientes!

Não haverá maneira de tornar totalmente transparente a entrega de dinheiro (e outras benesses a partidos)?; veja-se como funcionou a Primeira Campanha do Dr. Soares e o PS durante um curto período por essa altura.

Recordar Guterres e o trio, esquecer os submarinos e mais ainda as fragatas e todo o período (grego)Socrático e muitos outros; porque de certeza absoluta tudo se passou linearmente bem, com cumprimento de todas as regras e a melhor salvaguarda dos interesses de todos nós.

Julgo que um dia a “plebe” acordará e tomará alguma posição, por exemplo aceitação de um novo Partido, o NÃO: não roubarás, não tomarás os lugares de outrém, não falsificarás, não cooptarás familiares e amigos para lugares a que naturalmente não teriam acesso, não, não e não…

Lisboa, 1 de Fevereiro de 2021

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