CARTA SEM DATA – “do clima e da igualdade” por António Oliveira

A alteração climática terá efeitos muito piores que a pandemia!

A afirmação é de Bill Gates, o multimilionário que parece agora muito mais interessado na humanidade que nos seus computadores. Uma afirmação de algum modo completada por Yuval Noah Harari, o autor de ‘Homo Deus’ e ‘Sapiens’, ao afirmar ‘O mundo, nos próximos vinte anos, vai mudar mais que nos dois mil anos anteriores, aquilo que conhecemos por História’.

E também pelo sociólogo Jeremy Rifkin, professor da Foundation on Economic Trends, em Washington, ‘Nunca mais voltaremos onde já estivemos, à boa temperatura, a um clima adequado… A alteração climática vai ficar connosco milhares e milhares de anos; poderemos nós como espécie, ser resistentes e adaptarmo-nos a ambientes totalmente distintos e muitos dos nossos companheiros terrestres terão também a oportunidade de se adaptar?’ 

Aparentemente este risco está a ser completamente subestimado pelo grande capital, pois 2,6 milhões de dólares foi a quantia total que os cinquenta maiores bancos do mundo destinaram, em 2019, aos sectores e económicos que mais contribuem para a perda da biodiversidade, avisa o último relatório da Bankrolling Extinction, que alerta ainda para o modo como as entidades financeiras contribuem para a destruição do planeta, através de empréstimos e garantias. 

E o relatório explica, ‘66% do total dos empréstimos vai directamente para a pesca e mineração, os restantes 34% para as empresas que também contribuem, mas de forma indirecta, devido ao aumento da procura de matérias primas, como a construção’.

O Nobel de Economia Paul Krugman, referiu isso particularmente, ‘Termos um Partido Republicano negacionista e se Deus queria criar um problema realmente difícil de combater antes de uma catástrofe natural, seria a alteração climática. É gradual e tende a ser invisível, até ser demasiado tarde’.

De qualquer maneira, a crise decorrente da pandemia está aí, agravada pela actuação global do capital, como notou o sociólogo Boaventura Sousa Santos, no passado dia 8 de Fevereiro à Antena 2, ‘Os dominadores da nossa regulação social, os mercados, que parecem dominar tudo, de repente veio a pandemia e ninguém pediu à Goldman Sachs ou ao City Bank, que resolvam os seus problemas; pediram aos estados que, até agora, eram considerados corruptos, ineficientes, incapazes, etc… Os estados fizeram o que puderam, porque muitos deles não estavam preparados’.

Não posso deixar de juntar aqui dois aforismos de Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai, ‘A economia globalizada não tem outra orientação, que não seja o interesse privado de uns poucos’ e tudo leva a crer que ‘O mundo que virá é de supranacionalidades, que vão lutar pela existência e impor as suas regras. Seremos capazes de passar por cima dos nossos atavismos?

Um caminho iniciado na União Europeia há anos, mas que parece não ter tido resultados muito positivos, a ver pelo Brexit e por todos os grupos e grupelhos feitos em volta de líderes de recomendação duvidosa, a imitar ou seguir o patético republicano loiro dos states

Para Eudald Carbonell, arqueólogo, catedrático em Pré-história e um dos criadores do Museu da Evolução Humana, ‘É uma União com pés de barro, não criada para a solidariedade, mas para organizar o modo como as classes extractivas levam o dinheiro da gente por via dos impostos, com umas minorias que se aproveitam para a drenagem continuada de tal dinheiro, em vez de melhorar as condições sociais. Por isso, sempre que há problemas, desaparece a Europa de Schengen e os estados transformam-se em fortalezas’.

Uma afirmação confirmada por um outro relatório, há dias divulgado pela organização Tax Justice Network, onde se assinala que os países perdem, todos os anos, mais de 427.000 milhões de dólares em ingressos, devido à evasão de impostos por parte de multimilionários e das grandes empresas.

Mas Carbonell é ainda extremamente crítico com líderes e lideranças ‘As lideranças são o pior da humanidade. Habitualmente os líderes são os mais imbecis de todos. Não sabemos porquê, mas a selecção natural também promove ignorantes e gente que é incapaz para os postos de responsabilidade que ocupam e servem sempre as classes não inclusivas’.

E o patético ‘Looser’ americano republicano e loiro, não pára de ameaçar com o regresso, nem de mobilizar os seus ‘orgulhosos rapazes’ para o apoiarem!

De qualquer maneira, a sobre exploração do planeta, para a qual nunca falta dinheiro, nem a indiferença dos potentados perante a alteração climática, leva o cientista e divulgador naturalista David Attenborough, a alertar para uma sexta extinção em massa, ainda este século, ‘O mundo natural desaparece. A evidência está em toda a parte. Aconteceu durante a minha vida. Vi com meus próprios olhos. Se não agirmos agora, irá levar-nos à destruição. A catástrofe será incomensuravelmente mais destrutiva que Chernobyl’. 

Perante estes cenários, desenhados por tanta gente diversa e sabedora, resta uma só conclusão: apesar de haver muita gente vaidosa por usufruir da habitação em enormes arranha-céus, ‘Tomos somos iguais perante a lei… da gravidade’.

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

 

 

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