UMA CARTA DO PORTO – Por José Fernando Magalhães (111) – Reposição

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OS FORNOS DE MASSARELOS E A AVENIDA PAIVA COUCEIRO

(26 de Novembro 2015)

Na Avenida Paiva Couceiro, estão colocados, para memória da cidade, dois dos três imponentes fornos da antiga Fábrica de Cerâmicas de Massarelos, únicos daquele tipo conhecidos no Porto, devidamente restaurados e considerados de “Interesse Público”.

ANTIGOS FORNOS DA FÁBRICA DE LOUÇAS DE MASSARELOS
ANTIGOS FORNOS DA FÁBRICA DE LOUÇAS DE MASSARELOS

Quem circular pela avenida Gustavo Eiffel, em direcção a nascente, logo depois de passar a Ponte Maria Pia e a Ponte de São João, onde a avenida já se chama Paiva Couceiro, e antes de chegar a umas bombas de gasolina, encontra, em plano levemente elevado, os fornos.
O local escolhido para os colocar, é um dos locais mais importantes da cidade do Porto. Ali atravessaram o rio (está lá uma placa comemorativa do acontecimento) no dia 12 de Maio de 1809, as tropas Luso-Inglesas que vinham combater os Franceses comandados pelo Marechal Soult. Foi assim que começou a derrota dos invasores que subjugavam o povo do Porto.

AVENIDA GUSTAVO EIFFEL PLACA COMEMORATIVA PONTE SÃO JOÃO PONTE MARIA PIA
AVENIDA GUSTAVO EIFFEL
PLACA COMEMORATIVA
PONTE SÃO JOÃO
PONTE MARIA PIA

A fábrica de Massarelos, a mais antiga das fábricas de faiança, foi fundada em 1763 na Rua de Sobre-o-Douro, em Massarelos, e terminou a sua laboração em 1936. Pelo meio, em 1920, teve de mudar de instalações para a quinta do Roriz, no lugar de Quebrantões Norte (mais ou menos em frente do local onde actualmente estão os seus fornos), por causa de um incêndio enorme que destruiu por completo as instalações de Massarelos, mas não o prestígio da Marca “Massarelos-Porto”.

FÁBRICA DE LOUÇAS DE MASSARELOS ONDE SE PODEM VER DOIS DOS FORNOS E UM BACALHOEIRO (LUGRE) DE VELAS ENFUNADAS
FÁBRICA DE LOUÇAS DE MASSARELOS ONDE SE PODEM VER DOIS DOS FORNOS E UM BACALHOEIRO (LUGRE) DE VELAS ENFUNADAS

Os fornos, esses, foram construídos em 1901.
O restauro dos fornos foi muito bem conseguido, o local onde foram implantados muito bem determinado e o arranjo do local, bem desenhado. No entanto, ninguém lá vai para os ver. Muita gente ignora a sua existência, ou se assim não for, ignora a sua procedência e a razão de ali estarem.
Não há uma placa a dizer tudo o que deve ser dito sobre estes fornos, nem propaganda turística a apelar à visita dos nossos turistas.
Parece não haver vontade alguma da parte de quem superintende nesses assuntos, em que se conheça devidamente o local.
De qualquer forma, quem lá for nesta altura, ficará por certo desanimado e desmotivado.
A “coisa” está feia e mal arranjada.

ASPECTO DO LUGAR
ASPECTO DO LUGAR

O local está abandonado! Ervas altas invadem o espaço, grafitis, sujidade, dejectos, de tudo um pouco nos aparece pela frente. Nos fornos parecem viver alguns sem – abrigo. Ao lado dos fornos está uma fábrica, que também tem uma chaminé, clássica, totalmente em ruínas e com muito mau aspecto. À frente da fábrica, uma bomba de gasolina e na avenida, ainda por recuperar, estão estacionadas “roulottes” de comidas e bebidas. Em todo o espaço parece não estar ninguém, e não parece seguro nas horas mais tardias.

ASPECTO DA FÁBRICA ABANDONADA, AO LADO DOS FORNOS
ASPECTO DA FÁBRICA ABANDONADA, AO LADO DOS FORNOS

Não sei se a responsabilidade pela manutenção e pela segurança é da Câmara ou da Junta de Freguesia, mas é urgente que todo o espaço seja recuperado.

 

 

 

 

 

 

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