A Guerra na Ucrânia — O ocidente já estabeleceu uma rota de guerra terrorista total.  Por Andrei Raevsky

Seleção e tradução de Francisco Tavares

5 m de leitura

O ocidente já estabeleceu uma rota de guerra terrorista total

 Por Andrei Raevsky

Publicado por  em 9 de Outubro de 2022 (original aqui)

 

Primeiro, quero postar um vídeo que descobri no Twitter (original aqui), o qual mostra a espécie de explosão que se verificou na ponte da Crimeia.

 

Do que tenho lido, um camião cheio de explosivos estourou, matando três pessoas num carro próximo, e a seguir as chamas atingiram um comboio que também cruzava a ponte. Esse comboio estava cheio de combustível. Só graças à admirável velocidade com que a equipe da ponte reagiu é que o dano foi limitado a apenas nove vagões e, portanto, a um segmento muito mais curto dos trilhos.

Ao examinar o vídeo, imaginar-se-ia que a ponte está em ruínas. Mas, de facto, o tráfego foi restabelecido em ambas as faixas de trilhos e na via rodoviária em menos de 24 horas (com exceção de camiões pesados). Por outras palavras, trata-se de um outro caso de “é humilhante, mas não perigoso” (обидно но не опасно).

No entanto, isto é uma noção cada vez mais errada: desta vez é também MUITO perigoso.

  • É evidente que o regime de Kiev nunca teria tido os meios, técnicos e políticos, para executar um tal ataque sem que os seus mestres no ocidente assim lhe ordenassem.
  • Tal ataque, justamente depois dos atentados ao NS1/NS2, mostra sem sombra de dúvida que agora o ocidente estabeleceu uma rota de guerra terrorista total.
  • Isto faz sentido, uma vez que para todas as chamadas “vitórias” das forças da NATO na Ucrânia, a realidade é que elas reconquistaram umas poucas aldeias e cidades enquanto a Rússia libertava e incorporava regiões inteiras.
  • E a Rússia fez isso estando sempre numa desvantagem numérica.
  • E ao mesmo tempo infligindo rácios KIA (killed-in-action) na proporção de 10:1.
  • Por outras palavras, o “redirecionamento” do ocidente rumo ao terrorismo é uma admissão de derrota militar, económica e política.

 

Se bem que dificilmente isto seja uma surpresa, o ocidente utiliza “sempre” terrorismo contra governos soberanos, isto ainda é um desenvolvimento muito negativo para a Rússia. Dito de modo simples, há sempre mais alvos do que polícias/guardas.

Além disso, os terroristas podem sempre escolher o momento e o local dos seus ataques.

Até agora, os esforços ucraniano-nazis na Rússia renderam muito poucos benefícios tangíveis: o assassinato de Dugina tornou-a uma mártir; o ataque ao NS1/NS2 realmente só feriu a Alemanha e a UE, ao passo que a explosão na Ponte da Crimeia provou que esta é um alvo que será extremamente difícil de destruir a menos que se use uma bomba nuclear tática.

Aqui todos nós precisamos recordar os atentados terroristas à escola em Beslan, ao Dubrovka Theater em Moscovo; ao hospital Budennovsk; ao Aeroporto Internacional Domodedovo ou ao metro de São Petersburgo. Todos eles foram o resultado de ações dos chamados “grupos terroristas”, todos os quais foram (e ainda são) dirigidos por serviços especiais do ocidente.

Basicamente só há dois caminhos para derrotar tais ataques terroristas com patrocínio de Estado:

  1. Infiltrar os chamados grupos terroristas e infiltrar as “agências matriz” ocidentais que os dirigem.
  2. Convencer o público geral a entrar em modo de “alta vigilância”.

 

Basicamente, toda a sociedade russa precisa pôr-se em “pé de guerra mental” e permanecer calma e ao mesmo tempo muito vigilante: não só a Rússia está sob ataque dos Nazis apoiantes de Bandera como também dos sujeitos que fizeram o 11/Set, o MH17 (e muitos outros!) e estes são os indivíduos que desencadearam toda uma campanha terrorista contra o Irão, a qual incluiu bombardeamentos, assassinatos, sabotagem, etc.

A seguir há o problema da escalada. O ataque à Ponte da Crimeia foi um claro ato de guerra.

Naturalmente, uma vez que nenhuns passaportes dos EUA foram descobertos a flutuarem convenientemente na água, a resposta da Rússia não deveria ser um aberto ataque militar retaliatório. Entretanto, prevejo que alguma coisa venha a acontecer dentro em breve, mais provavelmente na Ucrânia, mas provavelmente envolvendo pessoal/ativos/instalações ocidentais.

Em conclusão, prevejo que as coisas fiquem ainda pior a partir de agora e até às eleições nos EUA. Não que eu tenha muita esperança em que a sanidade prevaleceria caso houvesse vitória do Partido Republicano, mas “um pouquinho” é melhor do que “nada”.

Entretanto, para mim é simplesmente chocante observar o orgasmo coletivo sentido pelos líderes do ocidente cada vez que algum horror acontece na Rússia. Verdade seja dita, o fato de que eles nos odeiam não me surpreende. O que me surpreende muito mais é quão descaradamente este ódio aparece nas suas caras e estes gritos de alegria. E pergunto-me.

Será que eles vêm essa alegria odiosa nos seus próprios olhos quando se vêm no espelho? Quando vêm uma foto de Daria Dugina, será que sentem “viva! Marcámos um ponto contra Putin!”? Quando o tribunal canguru na Holanda declara que foi a Rússia (ou a LDNR) que explodiu o MH17, será que sentem que a justiça foi feita e o culpado punido?

Receio que perguntar o que eles vêem ou não vêem seja a questão errada à qual, a propósito, Putin respondeu num discurso recente quando disseestas elites europeias entendem tudo – elas compreendem, mas preferem servir os interesses de outros”.

Não é que eles não vejam, em vez disso é que não se importam. De modo nenhum. Nunca se importaram.

Terminarei com uma pergunta: será que o que se diz é verdadeiro apenas para as classes dominantes europeias ou será verdadeiro para a maior parte do povo que vive na UE?

O que é os europeus bem intencionados e nobres farão quando o próximo banho de sangue acontecer na Rússia (porque mais cedo ou mais tarde haverá, esta é a natureza da ameaça terrorista)? Será que se rejubilarão e acenarão as suas bandeira Ukies um pouco mais intensamente ou simplesmente pouco ligarão?

A resposta é óbvia, especialmente para os russos.

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O autor: Andrei Raevsky, o autor do blog “The Vineyard of the Saker”, é um ex-patriota russo domiciliado na Flórida. Antes de emigrar para os EUA, tinha vivido na Suíça, onde lhe foi concedida a cidadania suíça. Trabalhou para a Cruz Vermelha Internacional e mais tarde foi empregado como analista militar pelo Instituto das Nações Unidas para a Investigação do Desarmamento (UNIDIR), sediado em Genebra.

 

 

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