A Guerra na Ucrânia — O Parlamento Europeu difama a Rússia enquanto financia o terrorismo nazi. Por Strategic Culture

Seleção e tradução de Francisco Tavares

5 min de leitura

O Parlamento Europeu difama a Rússia enquanto financia o terrorismo nazi

Editorial de  em 25 de Novembro de 2022 (original aqui)

 

Foto: Reuters/Yves Herman

 

Os políticos europeus estão mais uma vez a alimentar a guerra com as suas calúnias contra a Rússia e o seu deliberado reacender das brasas nazis.

 

Poder-se-ia pensar, talvez, que com uma guerra perigosa em curso no continente europeu, o parlamento da União Europeia poderia querer mostrar alguma liderança na promoção de soluções diplomáticas para pôr fim a esse conflito. Mas não, nem um pouco.

O Parlamento Europeu mostrou novamente esta semana ser nada mais do que uma gigantesca sala reaccionária, cujos valores democráticos proclamados têm uma relação inversa com a sua copiosa câmara de 705 parlamentares.

Há apenas três anos atrás, o mesmo parlamento votou uma resolução que distorceu vergonhosamente as origens da Segunda Guerra Mundial ao tentar equiparar a União Soviética à Alemanha nazi.

O parlamento composto por legisladores de 27 nações membros aprovou esta semana uma resolução condenando a Rússia como “um Estado patrocinador do terrorismo e um Estado que utiliza os meios do terrorismo”. A moção é legalmente não vinculativa e, por isso, não tem poder de execução. É um gesto altamente “simbólico” de censura contra a Rússia. Por outras palavras, é propaganda política nua e crua com um objectivo político – difamar a Federação Russa e inculcar a percepção pública da Rússia como um patife bárbaro que precisa de ser eliminado.

Nem mesmo os Estados Unidos foram tão longe. A administração de Joe Biden não aceitou sugestões para designar a Rússia como um Estado terrorista. Washington não o fez porque é um passo incendiário ridículo, além de ser descaradamente falso.

O texto da resolução europeia é um grito de russofobia raivosa cheio de alegações anti-Rússia referentes à guerra com quase 10 meses na Ucrânia. Muitas das alegações são infundadas ou revelaram ser verdadeiras fabricações destinadas a denegrir a Rússia. São também hilariantes na sua estupidez.

Por exemplo, a certa altura, a resolução culpa absurdamente a Rússia por ter rebentado com os seus próprios gasodutos Nord Stream sob o Mar Báltico em Setembro. Isto contradiz muitas provas de que as explosões foram de facto levadas a cabo pelos EUA e pela Grã-Bretanha numa operação militar secreta para cortar permanentemente o comércio de gás europeu com a Rússia. No entanto, os parlamentares europeus acusaram a Rússia de vazar o seu próprio gás para o Mar Báltico a partir dos gasodutos sabotados (custando ao Estado russo milhares de milhões de dólares) e assim infligindo “um ataque ambiental contra a UE”. Logo, os russos não são apenas bárbaros, devem ser bárbaros muito estúpidos!

Num outro exemplo estonteante, a resolução do Parlamento Europeu acusou a Rússia de aterrorizar a população ucraniana ao ocupar a Central Nuclear de Zaporozhye (ZNPP) e “fazer dela um alvo militar”. É um tipo bizarro de reconhecimento da realidade: há meses que os militares ucranianos bombardeiam a maior central nuclear da Europa com a artilharia da NATO ameaçando criar uma catástrofe de radiação. No entanto, em vez de apontar o dedo a Kiev e à NATO, os legisladores europeus atribuem a culpa à Rússia de ter feito da ZPNN num alvo militar. Oh, aqueles russos cobardes e bárbaros!

Lamentavelmente, isto só mostra que o Parlamento Europeu conseguiu virar descaradamente a realidade de cabeça para baixo. O regime nazi apoiado pela NATO e pela UE em Kiev é a entidade que ameaça inflamar outra guerra mundial na Europa, uma guerra que conduziria a uma conflagração global.

A insanidade da resolução parlamentar europeia está para além da ironia. Produziu-se apenas uns dias depois de terem surgido provas em vídeo de que os militares nazis de Kiev estavam a executar prisioneiros de guerra russos. Também se produziu apenas uma semana depois de o regime ucraniano ter sido apanhado em flagrante a disparar um míssil contra a Polónia, matando dois civis com a intenção óbvia de causar uma provocação, a fim de incitar a uma guerra total da NATO contra a Rússia.

A resolução acusava a Rússia de cometer “agressão contra a Ucrânia” durante os últimos nove anos. Este é outro exemplo de inversão da realidade. Foi o golpe de Estado apoiado pelos EUA e pela UE em Kiev em 2014 que deu origem a um regime nazi para embarcar no terrorismo contra o povo de língua russa da antiga região ucraniana de Donbass do sudeste (agora parte da Federação Russa). O armamento pela NATO de um regime em Kiev que odeia os russos e que adora abertamente os colaboradores do Terceiro Reich levou à actual guerra na Ucrânia.

Essa guerra agravou-se porque os Estados Unidos e a NATO injectaram na Ucrânia milhares de milhões de dólares de armas. A última ajuda militar total dos EUA ascende a quase 20 mil milhões de dólares. Washington e os seus aliados da União Europeia financiaram o regime de Kiev com um montante estimado em 126 mil milhões de dólares desde Fevereiro deste ano. Grande parte dessa generosidade financiada pelos contribuintes foi desviada por uma camarilha corrupta em Kiev, encabeçada pelo comediante-presidente Vladimir Zelensky.

A guerra começou devido à recusa da NATO e da Europa em se envolver com Moscovo em negociações diplomáticas sobre os seus requisitos estratégicos de segurança de longa data. E a guerra intensificou-se porque a NATO e a Europa procuraram todas as formas de militarizar o conflito, ao mesmo tempo que rejeitaram a diplomacia.

A Rússia tem até agora tentado minimizar as operações militares na Ucrânia para neutralizar o regime nazi e a sua agressão genocida. Mas tornou-se extremamente claro que o regime de Kiev e os seus manipuladores da NATO têm pouca capacidade para encontrar uma solução política baseada nas preocupações estratégicas de segurança da Rússia.

O terrorismo endémico que os Estados Unidos, a NATO e a União Europeia têm financiado e armado na Ucrânia mostra que a Rússia não tem agora outra escolha senão derrotar o regime de Kiev através de uma vitória militar. O inimigo mobilizou o Estado ucraniano numa guerra contra a Rússia. O inimigo não se negou a disparar indiscriminadamente contra cidades russas, destruindo infra-estruturas civis e travando a “Guerra Total” através de sanções económicas e sabotagem. O ataque da Rússia à rede eléctrica da Ucrânia com o aumento das descargas de mísseis é uma situação de exigência militar provocada pelo armamento implacável da Ucrânia por parte da NATO. A Rússia não é aqui o Estado de terror. São os Estados Unidos e a União Europeia que tornaram a guerra inevitável.

O Parlamento Europeu acusou a Rússia de levar a cabo massacres quando foi o regime nazi apoiado pela NATO e pela UE que perpetrou atrocidades vis contra o seu próprio povo em Bucha, Mariupol, Kramatorsk e outros locais de infâmia numa farsa macabra para culpar a Rússia.

Com uma suprema arrogância, o próprio Parlamento Europeu assume-se como um bastião da democracia, dos direitos humanos e do direito internacional. Na realidade, este colosso burocrático tornou-se uma máquina de propaganda do terrorismo nazi na Europa. Esta degeneração do parlamento tem vindo a ocorrer ao longo de vários anos, provocada em grande parte pela expansão da UE com estados anti-russos. Tal como a NATO, o bloco tornou-se um reservatório de russofobia tóxica devido a dinâmicas de expansão semelhantes.

A Europa assistiu a duas guerras mundiais durante o século passado, que resultaram em cerca de 100 milhões de mortos. A Rússia tem sentido o sofrimento e as perdas com as guerras mais do que qualquer outra nação. Os políticos europeus estão mais uma vez a alimentar a guerra com as suas calúnias contra a Rússia e o seu deliberado reacender das brasas nazis.

 

 

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