A Guerra na Ucrânia — Reservas de Memórias!… Tanques alemães e da NATO vão rolar na Ucrânia.  Por Finian Cunningham

Seleção e tradução de Francisco Tavares

4 min de leitura

Reservas de Memórias!… Tanques alemães e da NATO vão rolar na Ucrânia

 Por Finian Cunningham

Publicado por em 9 de janeiro de 2023 (original aqui)

 

© Foto: REUTERS/Axel Heimken/Pool

 

Os tanques alemães, americanos e franceses apoiam um regime que glorifica abertamente os seus colaboradores nazis. Dizem que a história nunca se repete exactamente. Mas certamente rima.

 

Os tanques alemães a rolar para a Ucrânia para combater as tropas russas teriam parecido um cenário inacreditável, dada a terrível história da Segunda Guerra Mundial. No entanto, esse cenário é para onde se dirige a guerra por procuração da NATO contra Moscovo. O desenvolvimento tem o inquietante eco da Operação Barbarossa quando a Wehrmacht nazi lançou a sua ofensiva contra a União Soviética em 1941.

Em vez dos tanques Panzer Tiger, veremos os “veículos de combate” alemães Marder a circular pela Ucrânia. Estas armas são chamadas “tanques leves”, mas a maior pressão está a ser feita para o fornecimento de tanques de batalha principais Leopard 2 às forças neo-nazis ucranianas contra as linhas russas.

Apenas dois dias antes do Natal Ortodoxo de 7 de Janeiro, o Presidente dos EUA Joe Biden e o Chanceler alemão Olaf Scholz anunciaram um acordo no qual forneceriam carros de infantaria blindados Bradley e Marder à Ucrânia, bem como outra bateria de mísseis Patriot fabricados nos EUA.

Este anúncio seguiu-se ao Presidente francês Emmanuel Macron declarar que a França iria fornecer tanques ligeiros AMX-10 RC à Ucrânia. O tom de Macron era notavelmente belicoso, dizendo que a França iria apoiar o regime de Kiev até que a vitória fosse alcançada.

Scholz e Macron estão a mostrar-se completamente pouco fiáveis e politicamente fracos. Anteriormente, o líder francês sugeriu a sua vontade de encontrar uma solução diplomática para o conflito na Ucrânia com a Rússia. Ele tinha incorrido na ira de Washington, bem como dos membros anti-russos da NATO, a Polónia e os Estados Bálticos, por ser “demasiado brando” e minar a unidade transatlântica.

No entanto, aqui temos agora Macron a fazer uma duvidosa estreia da França como primeiro Estado ocidental a fornecer tanques à Ucrânia na guerra contra a Rússia. Esta decisão marca um sério limiar de envolvimento do bloco da NATO na guerra.

O facto de a iniciativa francesa estar praticamente associada ao compromisso dos EUA e da Alemanha de fornecer tanques ligeiros também aponta para uma acção coordenada da aliança da NATO.

O alemão Scholz e o francês Macron, tal como Biden, têm quebrado, uma atrás outra, as promessas de não aumentar o fornecimento de armas e de escalar a guerra na Ucrânia. Moscovo advertiu repetidamente o Ocidente colectivo para desistir de armar o regime de Kiev.

Todos eles declararam anteriormente que não haveria fornecimento de tanques à Ucrânia, uma vez que isso seria uma escalada imprudente e com o risco de uma Terceira Guerra Mundial. Apesar destes votos de contenção, Washington, Berlim e Paris intensificaram o fornecimento de armamento cada vez mais ofensivo.

A iniciativa de Biden de enviar mísseis Patriot no final do ano passado segue-se ao fornecimento anterior de foguetes HIMARS de longo alcance. Anteriormente, o fornecimento de tanques era proibido, mas agora esse limiar foi igualmente ultrapassado.

A este ritmo, é apenas uma questão de tempo até que as mesmas potências da NATO anunciem o envio dos principais tanques de batalha. O regime de Kiev e os seus aliados polacos e bálticos estão a exigir que Washington e Berlim enviem Abrams e Leopards. Tanto Biden como Scholz estão a dizer que isso não acontecerá. Mas os antecedentes sugerem que existe uma abordagem cínica e deliberadamente furtiva, onde as acções contradizem flagrantemente a retórica.

Os tanques são, evidentemente, parte de uma força ofensiva. Também exigiriam tripulações treinadas para os operar. Isto indica que as potências da NATO estão a fornecer pessoal, tripulações de manutenção e outras logísticas para o destacamento destas sofisticadas máquinas. A coordenação entre Washington, Berlim e Paris também indica que a NATO está a ser implantada de forma sistemática e interoperável. Assim, a guerra por procuração está a passar de uma abordagem fragmentada de membros individuais da NATO, fornecendo o regime de Kiev numa base bilateral, para um nível totalmente novo de participação organizacional.

“Os Estados Unidos e a Alemanha juntaram-se à França na quinta-feira [5 de Janeiro] ao dizerem que enviarão veículos blindados de combate para a Ucrânia, expandindo a sua assistência com novos sistemas de armamento que Kyiv [sic] disse que precisa para ajudar as suas forças a recuperar o território atrás das linhas russas”, relatou o Washington Post.

Os meios de comunicação social ocidentais estão a tecer a ilusão de que o regime ucraniano está a ganhar uma guerra contra a Rússia quando a realidade é que os ucranianos estão a ser massacrados por forças russas superiores. Moscovo não vai abandonar a Crimeia e o Donbass aos esquadrões da morte neo-nazis equipados com armas da NATO.

O regime de Kiev está a travar uma batalha perdida e as potências da NATO estão dispostas a lutar até ao último ucraniano. Washington e os seus lacaios estão a alimentar uma guerra fútil e, figurativamente, a esbanjar bom dinheiro atrás dos maus da fita, fornecendo agora tanques para a contenda. (para os mercadores ocidentais da morte é dinheiro de sobra até ao fim).

Em vez de procurarem um caminho diplomático para saída do abismo, as potências da NATO estão demasiado enganadas pela sua própria propaganda, venalidade política, e a dependência das suas economias capitalistas em relação aos comerciantes militares-industriais.

Da última vez que os tanques alemães rolaram em batalha na Europa, foram redondamente derrotados pelas forças soviéticas. Na altura, os americanos também lutavam contra os nazis, embora apenas para conspirar cinicamente com os restos do Terceiro Reich na Guerra Fria que se seguiu.

Desta vez, os tanques alemães, americanos e franceses estão do mesmo lado a apoiar um regime que glorifica abertamente os seus colaboradores nazis. Dizem que a história nunca se repete exactamente. Mas certamente rima.

Reservas de memórias, na verdade!

___________

O autor: Finian Cunningham é um antigo editor e escritor para as principais organizações noticiosas. Tem escrito extensivamente sobre assuntos internacionais, com artigos publicados em várias línguas. É licenciado em Química Agrícola e trabalhou como editor científico para a Royal Society of Chemistry, Cambridge, Inglaterra, antes de seguir uma carreira no jornalismo. É também músico e compositor. Durante quase 20 anos, trabalhou como editor e escritor nas principais organizações de comunicação social, incluindo The Mirror, Irish Times e Independent. Vencedor do Prémio Serena Shim para a Integridade Incomprometida no Jornalismo (2019).

1 Comment

Leave a Reply