O Reino Unido no centro do furacão criado pelo neoliberalismo: parte II, Oitenta anos depois do relatório William Beveridge: a degradação social no Reino Unido — Parte II – Texto 2. O Segredo de Starmer. Por Helen Lewis

Nota de editor

Inicialmente concebidos num contexto de uma série de maior dimensão e complexidade analítica – Neoliberalismo, Pensões por capitalização e Instabilidade Social e Política –, optou-se por publicar de imediato os textos respeitantes ao troço “O Reino Unido no centro do furacão criado pelo neoliberalismo”, uma vez que, conforme diz o autor da série, Júlio Marques Mota, “… o que neles se escreve não é diferente do que poderá ser escrito sobre qualquer outro país europeu neste momento”, podendo mesmo fornecer “… uma ótima grelha de leitura sobre a realidade atual e atrevo-me mesmo a dizer sobre o futuro próximo que aí vem” (ver aquiHoje faço 80 anos… tempos difíceis, o vinho que não bebi e que nunca procurei beber”).

Este é o segundo dos treze textos que compõem a parte II da série “O Reino Unido no centro do furacão criado pelo neoliberalismo”.

FT


 

Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

12 min de leitura

Parte II – Texto 2. O Segredo de Starmer

Calmo, de movimentos lentos… mas um assassino frio como a pedra

 Por Helen Lewis

Publicado por  em 2 de Dezembro de 2022 (original aqui)

 

Feliz sexta-feira!

Como os leitores habituais sabem, por vezes interrompo o envio semanal com um tema quente que é muito especializado, demasiado local ou muito nebuloso para o jornal Atlantic. Eis um desses temas em que tenho pensado durante algum tempo: as características definidoras de Keir Starmer como político.

 

A impiedade silenciosa de Keir Starmer

Conheci Keir Starmer pela primeira vez em 2015, pouco depois de ele ter sido eleito para o Parlamento aos 52 anos de idade. O New Statesman, onde eu trabalhava na altura, publicava regularmente um artigo em cada legislatura parlamentar sobre a “classe X” e escolhia as potenciais estrelas em ascensão. Não consigo encontrar esta rubrica no sítio eletrónico do New Statesman – a sua função de pesquisa é deplorável, mas como isto provavelmente me protege das pessoas que encontram um milhão das minhas antigas opiniões sem valor, não me queixo – mas lembro-me que, como editora adjunta, atribuí a mim própria vários dos mais interessantes novos deputados.

Uma das estrelas foi Jess Phillips, devido aos seus antecedentes numa instituição de caridade de violência doméstica. E a outra era este tipo de meia-idade que tinha aparecido depois de uma longa carreira, incluindo ser diretor de processos de acusação públicos, já com um título de cavaleiro. Isto não acontece com muita frequência. Os deputados trabalhistas tendem a apresentar-se em três sabores: o conselheiro local à procura de um novo desafio; o quadro sindical à procura de um novo desafio, ou o antigo conselheiro de Westminster à procura de um novo desafio. Portanto, aqui estava um estreante invulgar, que também trazia outra enorme vantagem política: um lugar de deputado do Partido Trabalhista seguro e sólido como uma rocha. (Ao contrário de Jess Phillips, que ganhou o seu círculo eleitoral como um marginal Trabalhista-Lib Dem).

Falámos dos sucessos anteriores de Starmer – como advogado, ele ajudou a anular a pena de morte obrigatória no Uganda, que salvou a vida de mais de 400 pessoas. Não falámos muito sobre as suas fraquezas, embora me lembre, já nessa altura, do Velho Sábio que é Stephen Bush a apontar-me que uma carreira anterior como Diretor do Ministério Público (DPP) poderia ser uma desvantagem em termos eleitorais. Por definição, tal advogado terá estado envolvido em decisões controversas sobre a acusação, ou não. (Pense no quanto o caso de “Willie” Horton, que cometeu crimes em Massachusetts, quando estava em dispensa temporária no trabalho foi utilizado para atacar Michael Dukakis, o governador do Estado na altura, durante a sua corrida presidencial). O breve e inglório ataque a Starmer por não ter processado Jimmy Savile provou que Stephen tinha razão.

Fiquei com a impressão de um adulto sóbrio e sério, com ideias claras do que queria fazer com a oportunidade de ser deputado. Já escrevi antes que Starmer tem relutância em monologar como ele diz: ele não é um daqueles políticos que precisa de ser o personagem principal. Como a maioria dos jornalistas, eu adoro escrever sobre o tipo de políticos que vivem para o drama – eles dão origem excelentes artigos. Estou a pensar em Ed Balls ou Peter Mandelson, ou Michael Gove, do lado dos Tory: Eles entendem a política como espetáculo, e lidam com a caricatura que afeta qualquer político, jogando o jogo. Peter Mandelson gosta absolutamente de ser o Craig Revel Horwood do Partido Trabalhista; Michael Gove fará o papel de robô se lhe forem dados dois gins.

Starmer faz perder a cabeça aos comentadores políticos fazendo coisas por um motivo político específico, mas recusando-se a fornecer o motivo, narrando as suas ações (ou deixando os seus conselheiros fornecerem o motivo, informando-o). Raramente se ouve Starmer dizer algo abertamente faccioso – é tudo um blá tranquilizador sobre a unidade e o propósito comum – enquanto, entretanto, ele está a meter uma bala na câmara.

Ele é impiedoso, seguro de si, e – embora lento a chegar a uma decisão – está disposto a jogar o jogo com paradas muito altas depois de o ter iniciado.

                            Hadley Freeman, Andrew Sullivan and Freddie Sayers

 

Por acaso, na semana passada tive dois vislumbres da vida não relatada de Starmer: num evento Unherd, o Subtacker americano Andrew Sullivan falou sobre todos os anos em que se sentaram ao lado um do outro na Reigate Grammar School.

Sullivan disse que Starmer era um homem “decente” apesar das suas diferenças políticas, na altura e agora. (Então: Reaganista e euro-comunista. Agora: liberal anti-woke e … bem, já chegaremos a isso). Depois, calou-se, invocando o “laço especial” entre amigos da escola. Isso surpreendeu-me, agradavelmente: esse tipo de lealdade não pode ser comprado.

A outra reflexão foi mais ambígua. Hadley Freeman subiu ao palco, e mencionou ter visto Starmer na sua sinagoga local. E isso fez-me lembrar alguma outra coisa.

Starmer, um homem com uma mulher judia e filhos, integrou o gabinete de Jeremy Corbyn quando Corbyn defendeu o mural louco [N.T. Sobre o anti-semitismo no partido Trabalhista e as acusações a Jeremy Corbyn ver por exemplo aqui e aqui], resistiu à tempestade de “ironia inglesa”, e esteve envolvido numa dúzia de outras controvérsias antissemitas. Ele não se demitiu em protesto por nenhum desses incidentes. Ficou quieto – o que lhe permitiu apresentar-se como um lealista suficiente para ganhar a corrida para suceder a Corbyn.

No entanto, assim que Starmer assegurou a liderança, começou o massacre. O seu discurso de aceitação envolveu uma rápida mudança, desde agradecer ao seu “amigo” Jeremy até à promessa de “arrancar este veneno pelas suas raízes”. Em dois meses, Starmer tinha despedido a sucessora favorita de Corbyn, Rebecca Long-Bailey, do gabinete sombra. Ela própria não tinha dito nada que pudesse ser acusada de anti-semita, mas tinha retuitado uma entrevista de Maxine Peake lamentando o fim do Corbynismo e acrescentando que a polícia americana que matou George Floyd tinha aprendido as suas técnicas de asfixia com os serviços secretos israelitas. Esta é uma teoria clássica de conspiração anti-semita – algo de mau aconteceu, e por isso os judeus estiveram provavelmente envolvidos – e Peake acabou por retirar a alegação, enquanto Long-Bailey disse que não apoiava “todos os aspetos” do artigo.

Não importava. Ela foi expulsa. Starmer tinha claramente feito o cálculo de que podia dar-se ao luxo de expulsar Long-Bailey sem fraturar o Partido. E confirmou-se.

Lembro-me de pensar na altura – Junho de 2020 – que isto era um tipo de gesto de patrão de um novo líder do partido, mas isso não era nada disso. Em Outubro, Starmer suspendeu Jeremy Corbyn do partido por uma questão técnica [1]. Mais uma vez, impiedoso. Este era o homem que lhe tinha dado um cargo de Gabinete após poucos meses no Parlamento. Este era o homem que ele defendeu cem vezes antes. (Em 2016, Starmer demitiu-se no Grande Walkout [N.T. sobre o Great Walkout ver aqui]- mas só depois de basicamente todos os outros já o terem feito, e com uma carta de demissão muito discreta. E depois voltou ao Gabinete Sombra com um papel muito mais importante, como porta-voz do Brexit, apenas quatro meses depois).

Ainda não sei o que sinto sobre isto – e estou absolutamente fascinada por saber o que pensa o rabino local de Starmer. Teria sido mais nobre ficar nos bancos traseiros? Ou sair completamente do partido, como Luciana Berger, Chuka Umunna e os outros deputados do grupo TIG [N.T. ver aqui] fizeram – lutando no deserto político (e depois em empregos no domínio de assuntos públicos)? Meia-aversão e meia-adoração. Em última análise, sugere um homem que tem uma visão, e é claro sobre o que irá tolerar na prossecução dessa visão. Isso é pragmatismo, algo de que o Partido Trabalhista precisa muito se quiser ganhar eleições. Isso é a impiedade em toda a linha.

O mesmo se aplica à atitude de Starmer em relação à Europa. Ele usou a sua posição no gabinete de Corbyn para se posicionar como o campeão do Remain, o porta-estandarte da causa perdida da adesão à União Europeia. E depois, como líder trabalhista, pressionou fortemente os seus deputados para votarem a favor do duro acordo de Boris Johnson sobre o Brexit, com base no facto de que este passaria de qualquer forma e votar contra daria aos Conservadores munições sem fim para dizer que “o Brexit não é seguro com os Trabalhistas”. Agora ele até é contra a livre circulação das pessoas! Fala-se de uma mudança de rota.

As duas características que definem Starmer são a sua relutância em explicar as suas ações e a sua disposição para agir impiedosamente. O meu conselho aos Kremlinologistas Trabalhistas: Tratem-no como um mágico de palco. Não o ouçam na sua conversa, observem as suas mãos. A sua equipa gosta de procurar disputas enquanto ignora que as suas ações são controversas.

O efeito cumulativo da sua liderança tem sido marginalizar totalmente a esquerda, e traçar uma linha entre os anos Corbyn e agora.

Vejam as suas escolhas iniciais do gabinete sombra. Basta acenar com a cabeça para a esquerda para os apaziguar, mas as fileiras juniores estão recheadas de “Blairistas” – pessoas que não são da esquerda trabalhista. Essa decisão precoce permitiu-lhe promover os Corbyncéticos como Rachel Reeves e Wes Streeting ao longo do tempo, de uma maneira que é equivalente a colocar uma rã em água a ferver: morre. Também pressionou o botão que que fez saltar Anneliese Dodds e Nick Symonds-Thomas do gabinete sombra, sem grande arrependimento.

Veja-se Sam Tarry. Levantou Starmer um dedo para ajudar Sam Tarry (o parceiro da sua vice-líder Angela Rayner) a evitar a sua não eleição? Não o fez. E é justo, na verdade, dado que Tarry o provocou ao ponto de ter de o fazer saltar da bancada da frente, por apoiar as greves dos ferroviários. Oh, e isso leva-me a…

Vejam as greves. Não há linhas de piquete para vocês, miúdos. E eles têm (em grande parte) obedecido.

É cada vez mais claro que os processos de seleção dos candidatos Trabalhistas são injustos, e estão à beira da corrupção. Alguns concorrentes têm acesso a listas de membros locais muito antes de outros, e por isso, podem começar a fazer a sua seleção e composição de listas muito mais cedo. Por vezes, têm listas por serem vereadores ou quadros do partido

 

Veja as seleções dos candidatos. Dê uma vista de olhos a @tomorrowsmps e veja quem está a ser selecionado para lugares elegíveis (ou seja, a maioria deles) em 2024? Não está com bom aspeto para a esquerda. Por exemplo, Emma Dent-Coad, apoiante de Corbyn, queixou-se do processo em Kensington, que ela perdeu. E aqui está o gabinete do líder a telefonar a Michael Crick para se queixar da sua cobertura, demonstrando o quanto estão atentos às seleções. Se Starmer traduzir o seu avanço atual nas sondagens numa esmagadora vitória em 2024, a seleção dos seus candidatos preferidos traduzir-se-á numa enorme influência sobre a composição parlamentar do partido.

O debate transsexual: Em 2020, Starmer foi o único dos últimos candidatos à liderança a não assinar a promessa exageradamente feita por um novo grupo de pressão chamado Campanha Trabalhista pelos Direitos Trans. (O juramento proibiu a Aliança LGB e a Women’s Place UK, considerados “grupos de ódio”). Ele assinou um compromisso muito mais moderado do grupo oficial dos Trabalhistas LGBT Labour.

Desde então, para minha grande frustração, ele falhou em falar das muitas mulheres excelentes expulsas do Partido por fanáticas e tem dado a Rosie Duffield, na melhor das hipóteses, um apoio público morno. Mas, ao mesmo tempo, Wes Streeting tem manifestado recentemente todas as mesmas opiniões que eu tenho tido durante anos, e ainda está no gabinete sombra [2]. No início deste Outono, Starmer lançou uma ogiva tática sobre Mumsnet [N.T. ver aqui] acerca das suas preocupações sobre a medicalização de crianças com disforia de género. Só para repetir: ele fez isso com Mumsnet.

Ele sabia exatamente o que estava a fazer [3].

Prevejo com confiança que os Trabalhistas irão para as próximas eleições com uma plataforma a que poderão chamar “A visão extremamente Suave, no entanto bizarramente controversa, de Helen Lewis”: a aceitação trans deveria ser defendida, mas deveria haver exceções para os espaços femininos de um só sexo e para os desportos, e além disso, sejamos muito relutantes em medicalizar as crianças, hey? Mas não haverá reconhecimento de mudança de rota. nem qualquer tentativa de explicar as provas que o levaram a isso.

Claro que acho isto frustrante: muitas ativistas feministas de princípios imolaram-se nesta fogueira, e Starmer irá aquecer-se nas suas chamas, sem ter de usar o seu próprio capital político como combustível [4].

Ainda assim, não acho isto tão frustrante como Owen Jones acha toda a plataforma Starmer. Ele sente-se como se tivesse sido enganado.

Os apoiantes de Keir Starmer sabem que a sua campanha de liderança foi aberta e descaradamente desonesta (a menos que sejam totalmente delirantes). Porque não podem negar isto com base em factos – porque é a verdade – eles tentam então diabolizar qualquer pessoa que o sublinhe.

 

E por muito que deteste concordar com Owen Jones em qualquer coisa para além da cor do céu e da água estar molhada, o homem tem um ponto válido. Starmer não fez campanha pela liderança como um oponente agressivo do anti-semitismo ou um oponente declarado da livre circulação ou como alguém com preocupações sobre os excessos do ativismo trans. Como líder, porém, é assim que ele dirige o partido [5].

Como provavelmente já disse antes, um dos meus amigos uma vez referiu-se a Starmer – depois da destituição de Corbyn, penso eu – como “o Blairista manchuriano”. Nesta leitura, ele tem sido um agente adormecido desde sempre. Hmm. Penso certamente que ele tem uma noção clara do que quer – ser líder trabalhista, ser primeiro-ministro, instituir um governo social-democrata competente que seja melhor do que o que os Conservadores oferecem – e uma noção clara do que pode ser atirado para debaixo do autocarro em busca desse objetivo.

Quero opor-me a isso – e suponho que devia fazê-lo dadas as marcas dos pneus na minha cara – mas também o respeito. Este tipo quer ganhar.

Starmer decidiu que os membros do Partido Trabalhista não queriam ouvir falar de deslealdade a Jeremy Corbyn, mas eles também querem ver o Partido Trabalhista no poder. Por isso, enquanto levava a cabo a execução do seu antecessor com tons de pesar doloroso, em vez de alegria vingativa, eles aceitaram-no.

O mesmo se aplica à Europa; há agora uma aceitação silenciosa mesmo entre os fãs mais fervorosos da UE de que a iminente reentrada não está nas cartas (vejam como o podcast dos Remainers maníacos se renomeou Oh Good What Now, que era o som do prego final a ser martelado naquele caixão em particular). A maioria dos eleitores, e mesmo a maioria dos membros dos partidos normais são pragmáticos. Estão dispostos a conceder mais graça aos políticos do que os críticos desses políticos gostariam [6].

Por isso, insurgirem-se contra as mudanças de rota de Starmer, contra as suas manobras escondidas e a sua imprecisão intencional é insurgirem-se contra o facto de que ele faça política – e segundo as sondagens até agora, ele está a fazê-la bem.

Quatro presságios de desgraça, no entanto, antes de terminarmos.

Um: Alguns debates há que os ter e há que os vencer, mas de forma aberta e democrática. Caso contrário, tudo se envenena.

Dois: Podem os Tories pintar Starmer com sucesso como um catavento e um sem princípios? Podem os adversários internos como Owen Jones fazê-lo?

Três: Starmer entrou na liderança sabendo que tinha quatro anos pela frente antes das eleições seguintes, e que podia dar-se ao luxo de se movimentar com a grandeza imponente de um cruzeiro marítimo. Não é isso que é ser primeiro-ministro: é preciso tomar uma decisão rápida e avançar de assunto cerca de uma dúzia de vezes por dia. Em vez de tempo, é preciso ter bons instintos. Starmer tem a capacidade de tomar decisões sob pressão, e de viver com elas?

Quatro: Beergate [N.T. controvérsia sobre se um evento em 30/04/2021 teria infringido as restrições de confinamento do Covid, ver aqui], o despedimento de Long-Bailey, a suspensão de Corbyn. Estas são apostas de alto risco. Um dia, talvez daqui a alguns anos, a roleta vai cair sobre o preto em vez do vermelho, e talvez este político, o mais cauteloso e sóbrio dos políticos de hoje, seja inesperadamente derrubado por uma aposta demasiado alta.

___________

Notas

1 Mesmo que pensem, como eu, que Corbyn tinha um ponto fraco de antissemitismo tão grande que o desqualificava para um tão alto cargo, eu argumentaria que a sua penalização de suspensão não tem sentido.

2 Streeting é um dos políticos mais inteligentes e mais táticos do gabinete sombra, e também não tropeçou por oferecer opiniões picantes como “as mulheres têm vaginas“. Não se quer deixar ficar num lugar pouco atraente nas próximas eleições para a corrida à liderança. Mas Helen, você chora, certamente terão finalmente uma mulher da próxima vez? Eu rio, um riso oco.

3 Essa opinião preocupante do Starmer: “Sinto muito firmemente que as crianças não devem tomar estas decisões importantes sem o consentimento dos seus pais”.

4 Penso também que valeria a pena estudar a única vez que uma aposta alta saiu pela culatra a Starmer: a sua tentativa de rebaixar Angela Rayner, que em vez disso acabou por se tornar Lorde Alto Vizier, Guardiã da Cripta, Imperador Romano Sagrado e Secretário de Estado Sombra para o Futuro do Trabalho. Mas isso é para outra altura.

5 Embora se Jones acreditou realmente na equipa de Starmer quando lhe disseram que John McDonnell permaneceria como chanceler-sombra, então eu tenho uma ponte para lhe vender. Uma parte do trabalho de ser jornalista político é assumir que quando os políticos nos dizem “coisas secretas” é para os seus próprios fins, e não porque pensam que nós temos um rosto honesto e digno de confiança. Também: Jones deve estar ciente de que “ser denunciado por Owen Jones” é provavelmente o número 1 do grande quadro branco dos meios de mostrar aos eleitores que se deixou definitivamente de ser corbynista.

6 Ver a reação generalizada ao tratamento conservador do coronavírus: “Eles fizeram o seu melhor”. Esta generosidade poupa os militantes, mas é surpreendentemente comum.

 


A autora: Helen Lewis [1983-] é uma jornalista britânica, redatora em The Atlantic. Foi redatora chefe adjunta em New Statesman, escrevendo igualmente para The Guardian e The Sunday Times. Tem um pós-graduado em Jornalismo pela City University de Londres. Autora de “Difficult Women: A History of Feminism in 11 Fights” (2020). Para mais detalhes ver aqui.

 

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