A guerra na Ucrânia — “Os gritos de “alarme” lituanos antecipam os verdadeiros planos da NATO”, por Fabrizio Poggi

Seleção e tradução de Francisco Tavares

2 min de leitura

Os gritos de “alarme” lituanos antecipam os verdadeiros planos da NATO

Por Fabrizio Poggi

Publicado por  em 28 de Junho de 2023 (original aqui)

 

 

Em 26 de junho, durante a sua visita a Vilnius para as manobras da NATO “Griffin Storm 2023”, o ministro alemão da Guerra, Boris Pistorius, anunciou a sua intenção de colocar na Lituânia, numa base permanente, mais quatro mil soldados – para além dos 800 presentes desde 2017 – para reforçar o flanco oriental da NATO.

O Presidente lituano, Gitanas Nauseda, garantiu que Vilnius, até 2026, preparará tudo o que for necessário (quartéis, logística, etc.) para a permanência da brigada alemã.

Alguns dias antes, o ministro lituano da Guerra, Arvydas Anusauskas, tinha manifestado a uma delegação do Senado americano o interesse da Lituânia em tornar permanente a presença dos 500 soldados ianques que se alternam no país desde 2019.

Mesmo alguns observadores ocidentais vêem o passo alemão como “uma marcha lenta em direção a um potencial futuro confronto direto da NATO com a Rússia“.

A Polónia aumenta o destacamento de meios e homens em torno de Kaliningrado, escreve Evgenij Umerenkov no Komsomol’skaja Pravda, e agora é reforçada a presença da NATO nos Estados Bálticos, implementada até agora numa base rotativa com os “Batalhões Multinacionais”, nos quais a Itália também participa, destacados a partir de 2017.

Na opinião do perito militar Aleksandr Nosovič, a decisão alemã anda de mãos dadas com a implantação de sistemas HIMARS na área de Gdansk: estes passos, um após o outro, devem, mais cedo ou mais tarde, levar a um ponto, para além do qual ou se inicia o processo inverso, ou um confronto armado direto.

Por enquanto, a Polónia e a Lituânia prosseguem o caminho do cerco a Kaliningrado: há “americanos, alemães, franceses. Com uma tal concentração de forças de ambos os lados das fronteiras da região, isto só pode acabar muito mal“.

Embora a iniciativa parta formalmente de Vilnius e de Varsóvia, diz Umerenkov, o facto de a NATO a apoiar faz parte dos planos dos EUA, que se arrastam há “vinte anos, para se posicionarem nas nossas fronteiras“.

Quando, em 2004, com o enésimo alargamento da NATO, os países bálticos se juntaram à Aliança Atlântica, o objetivo de os transformar num posto avançado da NATO já era claro: não foi por acaso que, mesmo antes de 24 de fevereiro de 2022, Washington e Bruxelas se queixavam da “necessidade de defender os países bálticos”, porque a Terceira Guerra Mundial “começará com a agressão russa contra as democracias bálticas”.

Agora que as tropas “Wagner” estão aquarteladas na Bielorrússia, os perigos para “a liberdade da Polónia e da Lituânia” aumentariam.

Aliás, na questão Bielorrússia-Polónia-Lituânia, não é descabido recordar o que a NATO considera ser o ponto fraco do seu flanco oriental, o chamado “fosso de Suwalki”, o hipotético corredor terrestre com cerca de 100 km de comprimento, que liga o território bielorrusso à região de Kaliningrado.

Se este “corredor” ficasse sob o controlo total da Rússia e da Bielorrússia, toda a região do Báltico ficaria numa “bolsa”. Por isso, diz Nosovič, não seria mau se os alemães, antes de destacarem unidades da Bundeswehr para a Lituânia, pensassem no assunto; “por outro lado, se a NATO está a caminhar lentamente para uma guerra direta com a Rússia, mesmo esta consideração não a vai impedir“.

O RT russo recorda que, a 26 de junho, para além de Pistorius, esteve também presente em Vilnius Jens Stoltenberg, que terá afirmado que, na próxima cimeira da NATO, prevista para dentro de duas semanas em Vilnius, será discutida a transição das patrulhas aéreas sobre os países bálticos – implementadas numa base rotativa: desde março passado, estão em cena caças alemães e britânicos – para um sistema rotativo de defesa antiaérea e antimíssil, com a instalação de sistemas alemães IRIS-T SLM também na Estónia e na Letónia.

Mas, sabe, [dizem que] é a Rússia que se está a deslocar para oeste. Não é verdade?

 

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O autor: Fabrizio Poggi, jornalista italiano, licenciado em Ciência Política (Florença).

 

1 Comment

  1. Nada disto é novo. Para quem não se lembra ou nunca soube, convém esclarecer o que foi o “Drang nacht Osten”.

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