Um dos problemas, talvez o maior, destes tempos e a nível global, é desigualdade crescer da mesma maneira que aumenta o progresso. Esta é a razão de ser de um dos mais importantes trabalhos do século XX, ‘Os limites do crescimento’, saído a público em 1972, patrocinado pelo MIT de Massachusetts.
Um dos seus autores, o norte-americano Dennis Meadows, garantiu numa entrevista ao ‘Le Monde’ e ao ‘Suddeutsche Zeitung’, já no ano passado, ‘É impossível predizer o futuro com exactidão, em tudo o que comportamento humano seja um dos factores em análise, apenas se desenharam alguns cenários baseados nas regras física e sociais, tanto mais que, depois de um pico de qualquer das variáveis, tudo se torna ainda mais imprevisível’.
Apesar da aportação da tecnologia, ‘Enquanto se mantiver um sistema que tem por base o crescimento, para dar solução a um qualquer problema, ela não poderá evitar que se ultrapassam muitos limites cruciais, como estamos e ver’.
Meadows salienta que a verdade não se encontra nas equações, mas na história, por mostrar como ‘Os poderosos procuram sempre mais poder, a sua situação permite encontrá-la mais facilmente, num círculo de retroalimentação positiva;mas a história também conta que, no Noroeste dos Estados Unidos, algumas tribos têm um costume a que chamam “Potlach”, uma cerimónia em que os chefes, os mais ricos, distribuíam parte da sua riqueza e, no budismo, existe também uma tradição de desapego material em muitos dos seus praticantes, mas neste nosso mundo, a tendência é para a acumulação de poder, o que ajuda ao desapego, mas da realidade’.
E depois de uma série de considerações, algo desalentadas, sobre o curso da humanidade para os próximos anos, Meadows acaba por afirmar que nos próximos vinte haverá mais mudanças que nos últimos cem, e os mais prováveis serão desastres consideráveis devido ao caos do clima e ao esgotamento dos combustíveis fósseis. Mas salienta, ‘Tais desastres talvez devolvam a humanidade a estados mais descentralizados, com culturas também mais preparadas para essa situação’.
Lembrei-me, a propósito desta leitura quase desanimadora e de um resumo de ‘Os limites do crescimento’, de uma parábola que me contaram há já muito tempo e numa terra bem longe, a “dos meninos e dos balões”. Um professor fala num jogo diferente aos meninos da sua aula que, ao ouvi-lo dizer ‘jogo’, logo param o reboliço. O professor dá um balão a cada um deles, pede para o encherem e pintar o nome com uma tinta rápida. Quando a tinta secou, pede para atirarem o balão para o estrado junto do quadro e, logo a seguir, diz-lhes para cada um encontrar o seu balão. Depois de muitos gritos e empurrões e, sem nenhum conseguir achar o dele, o professor volta a falar –Agora, vamos parar um bocadinho; vai cada um de vocês apanhar um balão qualquer, e entregá-lo ao dono–. Foi só instante, até cada menino ter o seu balão.
Teremos balões a mais, ou faltam líderes sabedores?
António M. Oliveira
Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor