O Dia do Trabalhador é um dia especial em termos das mudanças das leis laborais e sociais.
Mesmo debaixo de uma ditadura, durante o Estado Novo, os trabalhadores portugueses não deixaram de se manifestar apesar da violenta repressão policial, das prisões e despedimentos.
Anos de repressão sobre os manifestantes, de pobreza sem par, de salários de miséria, de vidas sem futuro, de condições de trabalho inimagináveis hoje, de trabalho infantil, mas também de uma força inabalável de mudar de vida, de pararem de ser humilhados como seres humanos, como cidadãos com direitos como a educação, a saúde e a habitação.
Nada do que produziam lhes pertencia a não ser o cansaço, o vinho, a França, a Alemanha, o Luxemburgo, o Canadá, os Estados Unidos… a fome, a falta de água, de eletricidade, de roupa, de uma casa com quartos para todos e com portas para preservar as suas intimidades de crianças e de adultos…
Era uma escravatura ditada pela repressão estatal e pelo capital dos poderosos que protegidos pelos ditadores decidiam qual o grau de miséria e humilhação destes cidadãos.
Mas o Acordai de Lopes Graça, sem que o conhecessem, foi surdamente cantado nas suas condições de ser gente de corpo inteiro. Foram-se organizando sentindo “ não é justo”, “ não posso mais” e a eles se juntaram os portugueses e portuguesas que também já não podiam viver sem que as “Vozes ao alto” não se fizessem ouvir…Sindicatos, organizações operárias, dirigentes sindicais, ou não, a população em geral se juntaram às suas causas, acrescentando outras que juntaram numa só voz à palavra Liberdade.
As palavras, as ruas têm mais força que os cassetetes, que os carros de água, que os polícias de choque com os seus cães ameaçadores, que a PIDE, que os bufos, que a DGS, que as vozes inconfundíveis de Salazar e Caetano.
A emoção deu lugar a um sentimento de revolta que nascia silenciosamente nos corações dos portugueses e portuguesas e no silêncio dos dias ia passando de boca em boca relatando que havia muita gente nesta luta por melhores condições de vida, pela Liberdade de Expressão do Pensamento.
Ouviam-se canções revolucionárias clandestinamente, Zeca Afonso, Sérgio Godinho, José Mário Branco, Tino Flores, Fanhais, então padre, ouvia-se a Rádio “A Voz da Liberdade”, sediada em Argel, pela voz do poeta e militante antifascista Manuel Alegre.
Mas e a Guerra Colonial? Milhares de homens foram mobilizados para matar os militares dos exércitos ou guerrilheiros das colónias que se queriam Libertar de Portugal e serem Povos Livres, para matarem de qualquer maneira as populações que viviam no mato.
Como em todas as guerras foram cometidos atos de selvajaria muito bem guardados pela polícia política e silenciados por aqueles que os queriam esquecer, mas que ainda hoje os relembram como pesadelos sem fim.
O Dia do Trabalhador é de todos nós e para todos nós.
MAIO MADURO MAIO
Maio maduro Maio, quem te pintou?
Quem te quebrou o encanto, nunca te amou
Raiava o sol já no Sul
E uma falua vinha lá de Istambul
Sempre depois da sesta chamando as flores
Era o dia da festa Maio de amores
Era o dia de cantar
E uma falua andava ao longe a varar
Maio com meu amigo quem dera já
Sempre no mês do trigo se cantará
Qu’importa a fúria do mar
Que a voz não te esmoreça vamos lutar
Numa rua comprida El-rei pastor
Vende o soro da vida que mata a dor
Anda ver, Maio nasceu
Que a voz não te esmoreça a turba rompeu