CARTA DE BRAGA – “Netanyahu y associados, Arquitectos” por António Oliveira

A Carta de hoje é apenas um somatório de títulos, encabeçados por um cartoon de El Roto publicado no ‘El País’ do dia 4 deste mês, uma crítica que não poderia deixar de divulgar, apesar de tal periódico ser muitíssimo lido por cá.

El Roto

El País’, 04.05.24

Começou na quarta feira, dia 7, (EP, 07.05,24), ‘O grande êxodo de Rafah para nenhum lado, porque Israel contra a opinião do seu principal apoio, os Estados Unidos, da EU e da comunidade internacional, iniciou a operação militar para ocupar Rafah, o último reduto palestino em Gaza’. Netanyahu tinha ordenado a evacuação dos refugiados para um lugar onde nem sequer cabem.

Sem deixar de bombardear, empurrou a população para norte, sem meios de transporte e sem lugar onde se abrigar. ‘Já fomos desalojados três vezes e esta é quarta, obrigando-nos a ir para uma zona totalmente destruída’, explica o médico anestesista Refaat, uma das 100.000 pessoas que Israel obriga a sair outra vez; ‘Não há nada, não há água, sistema sanitário, não há nada! Vamos ir para cima de escombros’, adianta à Cadena Ser, no dia 7 o mesmo médico anestesista, ‘Em carroças com burros, por não haver meios para a gente que se quer deslocar’.

O destino marcado por Israel (La Vanguardia, 06.05.24) é a ‘Zona humanitária de Al Mawasi e a cidade de Jan Yunis, e áreas próximas. As forças armadas israelitas afirmaram ter ampliado a assistência na zona, com a instalação de hospitais e tendas de campanha, água e alimentos’.

Esta última fase do conflito em Gaza teve ordem de partida (DN, 04.05) pois, ‘Israel terá feito um ultimato ao Hamas: ou aceita acordo ou ataque a Rafah avança. Delegação do grupo palestiniano é esperada hoje no Cairo, onde já está o director da CIA. Israelitas já terão apresentado aos EUA os planos para retirada de civis da cidade’.

E no dia seguinte, (VA, 05.05,24), ‘Estica a corda ao máximo, para um cessar fogo com o Hamas’, pois na cidade do Cairo, onde deveria decorrer a sessão negociadora para o cessar fogo, com a presença dos mediadores do Egipto e do Qatar, do director da CIA, Williams Burns e da delegação negociadora do Hamas, os negociadores israelitas não se apresentaram.

Aparentemente, a discrepância é um dado sensível –os palestinos querem que o acordo, leve implícito o final da guerra, para evitar a invasão de Israel– pois, e de acordo com o (DN, 05.05.24) ‘As organizações internacionais e grande parte da comunidade internacional, alertaram que uma ofensiva em Rafah seria uma catástrofe humanitária ainda maior do que a que os palestinianos já estão a sofrer no enclave, com pouca comida, água potável e um sistema de saúde devastado’.

Aliás, já o Diario16 (04.05.24), tinha vindo a público com alguns números aterradores, ‘Mais de 10.000 assassinados por Israel, continuam debaixo dos escombros, número a juntar aos cerca de 35.000 mortos, desde que começaram os bombardeamentos sobre Gaza, em 7 de Outubro. Por outro lado, as ruas e espaços públicos, de muitas povoações de Gaza, estão cheios de explosivos por detonar’.

De qualquer maneira, e de acordo com France 24 ( 05.05.24), ‘A ONU estima que a reconstrução de Gaza levará 16 anos e custará 40 mil milhões de dólares. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) disse que serão necessários esforços inéditos desde a Segunda Guerra Mundial para reconstruir o território palestiniano, tendo em conta que 72% dos edifícios residenciais foram total ou parcialmente destruídos, e que os bombardeamentos e explosões causaram a destruição dos destroços. ultrapassaram 37 milhões de toneladas’.

Talvez assim, seja mais fácil entender o cartoon de El Roto.

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

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