UMA CARTA DO PORTO – Por José Fernando Magalhães (604)

 

 

Memorial aos Combatentes do Porto na Guerra do Ultramar

 

Está,desde 2020 no Bosque da Senhora e do Senhor da Ajuda, e não teria dado por ele se não tivesse lido a crónica que o Prof. Helder Pacheco publicou no JN, e que o autor fez o favor de me enviar.

Fui lá ontem, pela tardinha, para ver com os olhos de ver, e fotografar, registando para a posteridade, o que, por tão bem descrito, já tinha visto.

Que poderei acrescentar, para além do que já foi referido, e das fotografias que aqui apresento acompanhando o texto publicado?

Nada, já foi tudo dito nesse texto.

 

Memorial aos Combatentes do Porto na Guerra do Ultramar

 

Memorial aos Combatentes do Porto na Guerra do Ultramar

 

Memorial aos Combatentes do Porto na Guerra do Ultramar

 

 

UM MONUMENTO

Em 2020, julgo que durante a pandemia, quase sem darmos por isso (das pessoas a quem falei, nenhuma se apercebeu), foi erguido no bosque da Senhora da Ajuda, um novo monumento. No local mais discreto e improvável. Quase envergonhado.
Monumento digo eu, porque a designação é claramente ambígua. Chama-se, segundo palavras nele inscritas “Memorial aos Combatentes do Porto na Guerra do Ultramar”. Trata-se de um conjunto arquitectónico, em calcário, de forma quase circular, constituído por placas verticais (com inscrições) assentes em bancos, também de pedra.
No elemento central lê-se: «Edificado com o apoio da CMP e por iniciativa da Associação para o Monumento de Homenagem aos Militares do Porto que combateram no Ultramar, 2020». Não são, porém, apenas combatentes mas militares que lá morreram. E nos vários elementos do conjunto gravaram os nomes e data das suas mortes, assim: Angola 29, Guiné 17 e Moçambique 25. Portuenses
«mortos em combate» (sic): 71.
Vejo-o diariamente e, às vezes, entro no recinto. Nunca encontrei ninguém e nem sequer uma flor ou lembrança. Passei por lá no 25 de Abril. Olhei: o chão, repleto de pontas de cigarro, parecia o de uma sala de «fumos». No pavimento, faltavam pedras. Um energúmeno grafitara (e assinara) parte de uma parede. E interroguei-me para que serve um memorial, quando a memória é assim menosprezada. No silêncio e esquecimento, senti-me envergonhado por uma cidade que ignora os que morreram numa guerra inútil e absurda. Como o 25 de Abril se fez, também, para acabar com ela, lá deixei, pousado, o cravo vermelho que me tinham dado.

Helder Pacheco

 

 

2 Comments

  1. Eu também li, mas ainda não o passei para as minhas crónicas. Ainda não consegui descobri a data exata em que foi para ali, nem se foi inaugurado ou não. Descobri que a ideia é antiga e era para ficar junto do Castelo do Queijo, o que era lógico porque pertence ao Exército e era muito mais visível. Confesso que ainda não vi o monumento nem sei bem onde fica…

Leave a Reply