
JARDIM ROSA SOARES
UM OUTRO JARDIM EM VIAS DE DESAPARECER
O espaço entre as ruas de Diogo Cão e de Contumil, em frente ao Hospital Conde Ferreira, está a ser em grande parte destruído em resultado da construção dum empreendimento urbanístico.
Perante o facto aparentemente consumado ou em vias de ser consumado, será ainda possível alguma reparação no sentido de evitar perder tudo?

O Dia Nacional dos Jardins, celebrado na data do nascimento do Arquiteto Paisagista Gonçalo Ribeiro Teles (1922-2020), a 25 de Maio, deveria servir para relembrar a necessidade de aumentar e re-naturalizar as manchas verdes urbanas, fomentando a sua biodiversidade, e assumindo a preservação destes espaços e dos ecossistemas associados como um verdadeiro interesse público.
Não parece ser o caso na cidade do Porto.

A Câmara Municipal do Porto, parece não ter no orçamento para 2024 nenhuma verba alocada à concretização do seu ambicioso Plano de Arborização da cidade.
Esse Plano, apresentado há dez meses, identifica 200 quilómetros de ruas «passíveis de serem arborizadas», além dos 156 quilómetros de ruas arborizadas atualmente existentes (e de 177 km não arborizáveis).
No entanto, o Plano parece guardado a sete chaves numa qualquer gaveta, que ninguém parece saber qual é, e da qual os responsáveis também terão perdido a peça que faria correr a lingueta da fechadura.
Segundo um estudo de uma equipa multidisciplinar da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, que integra investigadores do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, divulgado em comunicado de 11 de novembro de 2023, desde 1947 diminuíram no Porto drasticamente as áreas de vegetação herbácea bem como arbóreo-arbustiva, empobrecendo a cobertura vegetal do solo. Entre 1947 e 2019, cerca de 420 hectares de árvores e arbustos e de 462 hectares de plantas herbáceas deram lugar a construções, daí resultando a impermeabilização de quase 900 hectares. E de 2019 até hoje, essa tendência não abrandou, longe disso.
São Incapazes ou só desinteressados?
De passagem, o citado comunicado de imprensa refere também que está prevista construção até mesmo em «terrenos apontados no PDM como espaços fundamentais para a estrutura ecológica municipal». O que acontece no jardim agora em vias de ser fragmentado e mutilado é um exemplo mais de como os poderes públicos têm sido incapazes de defender os valores ecológicos na cidade, chegando ao ponto de autorizar a betonização de espaços que teoricamente o PDM protege (ou protegeu, como no caso deste jardim que celebramos).
Será o Porto uma cidade sem limites – ou que ignora que os tem?
(LEIA AQUI), (E TAMBÉM AQUI), (E AINDA AQUI)
73 LOCAIS ONDE, ATÉ HÁ CERCA DE DOIS MESES, HAVIA ESPAÇOS JÁ PREPARADOS (CALDEIRAS) PARA A PLANTAÇÃO DE ÁRVORES, SEM QUE PARECESSE EXISTIR QUALQUER VONTADE CAMARÁRIA EM QUE TAL ACONTECESSE.
E amanhã, Dia Nacional dos Jardins, AINDA ASSIM CONTINUA!
(fonte: Campo Aberto)

Foz:
Rua de Diu, junto ao nº 63 – 2 caldeiras vazias
Rua D. Pedro V – 3 árvores em falta em alinhamento do lado Nascente
Rua do Ouro, a montante e a jusante da Ponte da Arrábida – 5 caldeiras vazias
Boavista:
Rua 5 de Outubro – 1 caldeira vazia
Rua do Bom Sucesso, junto ao 62 – 1 caldeira vazia
Carvalhido:
Avenida do Conselho da Europa, sentido Norte-Sul – 4 caldeiras vazias
Rua dos Castelos, em frente ao número 138 – 1 caldeira vazia
Av. Cidade de Xangai, próximo à escola Maria Lamas e à quinta da Prelada – 2 caldeiras vazias
Rua Mário Vasconcelos e Sá, nas traseiras do número 70 – 4 caldeiras vazia
Cedofeita:
Rua Barão de Forrester – 5 caldeiras vazias
Rua de Cedofeita com Rua de Álvares Cabral – 1 caldeira vazia
Praça da República, lado Sul – 2 caldeiras vazias, lado Norte, 2 caldeiras vazias
Rua Eng. Carlos Amarante, junto ao 184 – quatro canteiros vazios
Rua dos Miosótis, em frente à escola – 1 caldeira vazia;
Rua Eng. Machado Vaz, junto ao 214 – alinhamento com 1 árvore em falta
Antas:
Praça Francisco Sá Carneiro, lado Sul: 2 caldeiras vazias
Rua João Ramalho, em frente ao Millenium: 1 caldeira vazia
Asprela:
Rua de Santa Maria, junto ao nº 80 – 2 caldeiras vazias
Rua de Alfredo Allen, junto ao edifício do i3s – 6 caldeiras vazias
Areosa:
Rua de Santiago, junto ao nº 60 – 1 caldeira vazia
Rua Dr Eduardo Santos Silva, frente ao supermercado continente – 4 caldeiras vazias.
Rua da Igreja da Areosa – 2 caldeiras vazias
Baixa:
Rua Dr Alberto Aires Gouveia (frente às urgências do Sto António), n°5 e 21: 2 caldeiras
Rua Dr Ferreira da Silva (entre Praça de Lisboa e Edifício histórico da UPorto): 1 caldeira junto às paragens do autocarro
Belas Artes:
Rua Ferreira Cardoso, junto ao nº 198 – 2 caldeiras vazias
Rua Duque de Saldanha, junto ao nº 725 (triângulo) – 2 caldeiras vazias
Av Rodrigues Freitas, junto ao nº 52 – 1 caldeira vazia
Rua Morgado Mateus, junto ao nº 224 – 1 caldeira vazia
Rua Barão são cosme, junto ao nº 269 – 1 caldeira vazia
Rua Duque da terceira, junto ao nº 44 – 1 caldeira vazia
Av Fernão Magalhães, junto ao 1073 – 1 caldeira vazia, nº 45- 2 caldeiras, n°16: 1 caldeira
Campanhã:
Rua do Freixo, junto à entrada do Parque Oriental – 3 caldeiras vazias
Mas há mais locais como estes pela nossa cidade

