uma vez, disseram-lhe que as suas horas já não estavam
iguais.
— que horas são?, perguntou
os ponteiros não falaram e mais ninguém lhe tornou a
falar sobre as horas
agora, já não iguais.
a partir de então, viam-no, pela manhã, de bengala
encostada ao chão, um ar distante nos olhos húmidos e
um sorriso quase infantil nas mãos e na fala.
às vezes,
— hum… que horas são?
— ainda é cedo, avô.
e o medo ia-se embora.

