CARTA DE BRAGA – “Servirá para alguma coisa tudo o que foi escrito?” por António Oliveira

A linguagem –oral, escrita e ou corporal– caracteriza o ser humano, por lhe permitir expressar o pensamento, mas também, e através dela, fazer bem ou causar mal, e ainda mostrar empatia com o seu semelhante, amor e até ódio! O ser humano é capaz de tudo isso!

E os exemplos de cada uma dessas possibilidades, (nem preciso de os citar), parecem sofrer de uma espécie de paranóia, hoje a ‘atacar’ todo um conjunto de ‘mandadores’ deste mundo que, de acordo com as palavras do psiquiatra González Duro, no livro sobre essa ‘maleita’, ‘Os seus efeitos desencadeantes encontram-se muito activos em indivíduos com um narcisismo exacerbado, já expostos a sérias frustrações e, por consequência, dotados de baixa auto-estima’.

E tentam impor-se das mais diversas formas, ‘semeando’ destroços e vítimas em todo os caminhos onde ‘andam’, ou querem percorrer sem contratempos, como senhores imperiais que se crêem ou sonham ser, e demais impulsos, frustrações ou fantasias que nós outros, simples mortais, temos por inaceitáveis e insuportáveis.

E veja-se um despenteado com cara de mau e acusado de 34 crimes, quase a ser presidente dos States, um tipo que carrega às costas mais de 35.000 mortes civis, grande parte das quais crianças, a querer ser o senhor do Médio Oriente, um outro que gosta de andar a cavalo de peito nu, a julgar-se ‘Pedro o Grande’, mais uns poucos e poucas que lhes estão a aprender os ‘truques’, ainda que arraia-miúda, já falam alto, a tentar apoderar-se desta Europa de Platão, Sócrates, Virgílio, Camões, Kant, Eduardo Lourenço e tantos mais, mesmo sem nunca terem entrado nem disputado qualquer ‘europeu de futebol ou de hóquei, nem terem corrido os dez mil metros’.

Mas de acordo com os jornais das últimas semanas, ‘A elite económica e política de França e da Europa, resigna-se (?) a uma possível chegada da extrema direita ao poder, e o medo das propostas económicas do Reagrupamento Nacional italiano, líder nas sondagens, agita os mercados por defender a redução dos impostos, e a subida da despesa pública’. Note-se que a dívida pública cresceu depois do anúncio das eleições antecipadas feito por Macron. E agora?

Na Alemanha o nervosismo cresce de acordo com o crescer da extrema direita, que se ‘encaixa’ nos partidos mais votados, graças aos votos dos mais jovens; inquietante, até porque, pela primeira vez se vai poder votar a partir dos 16 anos, afirma o jornal onde recolhi a notícia. Mais abaixo, o patrão da Hungria, que já garantiu o apoio dos iguais na Áustria e na Chéquia, pede mais quatro ‘sócios’ para formar um grupo da direita extrema no Parlamento Europeu e o sr. André, cá do pedaço, já anunciou a quase certa candidatura.

E a baixo da Hungria, há poucos dias e de acordo com o jornal italiano independente ‘Fanpage’ e o espanhol ‘Publico.es’, que relatavam as investigações com câmara oculta na sede da ‘Gioventù Nazionale’ de Giorgia Meloni, em treze minutos, viram saudações romanas, gritos de ‘Sig Heil’, loas a Mussolini; e, numa entrevista a uma televisão francesa, a própria Meloni elogiou o Duce como ‘um bom político’.

Por outro lado, diz ainda e também, a correspondente italiana Alba Sidera, ‘Ninguém nos vem ajudar. Hoje leio-os a eles como eles nos vão ler no futuro, e vão saber tudo o que dissemos. E suspeitarão de tudo o que calamos’.

E, a terminar, repito a mesma pergunta com que comecei, ‘Servirá para alguma coisa tudo o que foi escrito?’, desde o ateniense Sócrates, ao último Prémio Camões, o escritor, ensaísta e tradutor João Barrento?

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

 

 

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