A notificação das notícias daquele dia, no ‘El País’, incluía uma verdade absoluta que imediatamente anotei, ‘Todos sabemos de todos, ou até acreditamos nisso. Vomitamos as nossas opiniões no Twitter e no Facebook, desnudamos a nossa intimidade e espiamos a dos demais no Instagram, e vivemos a vida dos outros no TikTok’.
Também sabemos que os grandes meios estão na mão de potentados, musketeiros e similares, bancos, de empresas ‘patroas’ das bolsas, de fundos de inversão com ‘amos’ dificilmente identificáveis, situados ninguém sabe onde, assim como tudo o que se noticia, vê e conta, onde os meios públicos valem cada vez menos –por já estarem incluídos no “kit” a que os políticos têm direito quando ganham quaisquer eleições– na opinião de Juan Tortosa, filólogo e articulista, no diário ‘Publico’, daqui ao lado.
E acrescenta ainda, ‘Se há gente a mentir nos meios de informação, se há jornais infames que não dizem a verdade nem por equívoco, é só porque os seus donos o permitem’; e Tortosa vai mais longe, ‘Os media como fenómeno cúmplice do “lawfare” não é nada de novo nem único, e está a ocorrer em todo o mundo. Não será aqui que vamos pôr portas no campo; não há directiva europeia nem acordo global, que possa acabar com esta canalhice’.
Note-se aliás, como o diário ‘Publico.es’, em artigo assinado pela escritora e jornalista Josefina Martínez, descreve, em meia dúzia de palavras, toda esta situação ‘As grandes conquistas tecnológicas e científicas, nas mãos dos capitalistas, transformam-se em instrumentos para redobrar a precariedade, o controlo da mão de obra e o esbulho’. E a jornalista, a este propósito, cita Musk e Bezos como proprietários de empórios multinacionais, que exploram milhões de pessoas, que incluem ambiciosos projectos espaciais, redes satélites, investigação na IA, cadeias logísticas globais, plataformas de venda online, meios de comunicação, redes sociais, infra-estruturas de servidores e muito mais.
Noutra área, mas de igual dimensão e, na opinião do filósofo Santiago Alba Rico, ‘As novas tecnologias e os seus efeitos devastadores sobre os mais vulneráveis (crianças e classes desfavorecidas) acontece o mesmo que com a alteração climática, sabemos o que se passa, mas preferimos, por medo ou impotência, não assumir a realidade e também por culpabilidade: se não podemos mudar a nossa forma de vida, então mudemos a forma de pensar. O mesmo acontece com o ócio proletarizado das crianças’.
Haverá diferenças sensíveis entre estas duas situações?
Flavita Banana
‘El País’, 03.09.24
De acordo com a romancista e colunista Laura Freixas, ‘As palhaçadas a que alguns políticos e partidos estão cada vez mais inclinados, são também uma aplicação deste mesmo princípio, distrair-nos para que não demos conta do que estão a fazer. É um truque velho, velhíssimo, dos prestidigitadores, mas funciona’. Basta pensar nas cabeleiras, mais ou menos penteadas, (dispenso-me de os citar), bem com o noutros, sem grandes apêndices capilares, mas que lhe seguem as passadas.
E as coisas complicam-se, externa e internamente, com a economia nas mãos de autocracias fundamentalistas ou não, e das tais ‘entidades’ que indiquei ao princípio desta Carta, com ou sem ‘muskas’, mas a ver pelo panorama geral, o público (nós todos) é um circo, para disfarçar o neoliberalismo privado.
Lembro-me de Walter Benjamim ter escrito um dia, ‘Precisamos de construir um conceito de história que corresponda à verdade’.
António M. Oliveira
Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor



