Prefiro não tirar uma palavra da notícia lida num jornal lá de fora, ‘Elon Musk já tirou a máscara há muito tempo; o homem mais rico do mundo, self-made com a pequena ajuda da mina de esmeraldas do pai, está agora a fazer campanha para o trumpa e quando subiu ao palco com ele, no mesmo sítio onde sofreu um ataque que lhe furou uma orelha, não hesitaram em tentar lucrar com o episódio, e ele mesmo lançou boatos como se não houvesse amanhã’.
E actuando como uma groupie (uma daquelas jovens que acompanham cantores) não hesitou em dar saltos, afirmando que os democratas querem acabar com a liberdade de expressão, e outras alarvices, de tal maneira que os próprios tuiteiros gozaram com o assunto durante dias. Aliás Edward Luce, colunista do ‘Financial Times’, escreveu no seu jornal, ‘Elon Musk é a prova real de que a mesma pessoa pode ser brilhante e um imbecil ao mesmo tempo. Mas leva o segundo a níveis épicos’.
Mas o seu amigo e patrocinado candidato, apresentado já como o ‘Agente Laranja’, converteu a xenofobia no motor de toda a sua campanha eleitoral, com os emigrantes culpados de tudo, até de terem ficado com as ajudas estatais para as vítimas do furação Heléne, mas diz agora com um novo agravante, serem ‘portadores de maus genes’, e repetiu que se ganhar as eleições empreenderá as deportações maciças.
el roto
‘El Pais’, 07.10.24
Mas, numa reflexão tão serena quanto possível, chegamos a uma verdade incontornável, ‘É imperativa a necessidade de uma verdadeira governação mundial, antes de cairmos no precipício’, nas palavras do filólogo cronista do ‘La Vanguardia’, Daniel Fernández. E Fernández acrescenta que nem será por Trump, Putin, Netanyahu e tantos outros, ou por Gaza, Líbano, Ucrânia, Sudão e outras guerras, nem pela xenofobia ou pelo nacionalismo galopante, mas pela inoperância burocrática das Nações Unidas, que mostra a urgência peremptória de, no mínimo, reformar o seu Conselho de Segurança, pois a tão apregoada ordem mundial já não existe, e a estratégia da guerra fria já foi superada, num mundo onde não é improvável estarmos à beira de estalar de novo, uma bomba atómica.
E termina o seu artigo com uma frase assombrosa, ‘Neste “Finis Terrae”, espanta e assombra a maioritária incapacidade dos governantes para mudar o rumo das coisas. O sol desaparece enquanto custa ver com claridade’.
António M. Oliveira
Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor



