UMA CARTA DO PORTO – POESIA – Por José Fernando Magalhães (681)

 

 

Dia Mundial da Poesia

 

Esta é a minha contribuição para comemorar este dia

Poesia 2024

 

QUANTAS VEZES

 

Quantas vezes me digo e revejo

e me espio nos espelhos

Quantas vezes me olho

com olhos bondosos

debitando conselhos

Quantas vezes me minto

com palavras doces

perdoando defeitos.

Quantas vezes esqueço a idade

e penso criança

Quantas vezes insisto no erro

temendo a mudança

Quantas vezes

tantas vezes

E de todas elas renasço

remoço, aprendo

E de todas elas me ergo, luto

mais do que antes, crescendo.

 

SILÊNCIO

 

O silêncio é o meu primeiro idioma

e conversas estéreis não querendo ter

nem tendo com quem as fazer

vivo isolado numa redoma

por companhia um qualquer aroma

a chuva, a bruma, o sol, ou qualquer prazer.

 

Do meu silêncio, nem sempre à altura

converso comigo constantemente

invento conversas com muita gente

falo alto na minha clausura

invento a minha partitura

não há silêncio que aguente.

 

Vivo bem, mesmo comigo

gosto de mim, de como eu sou

do que a vida me reservou

e dela nunca maldigo

seja recente ou antigo

o que à lembrança chegou.

 

Tem alturas em que o vazio chega

tudo se desapega e desvanece

nada existe que eu quisesse

já nem a lareira fumega

nem o vento me segreda

nada que eu já não soubesse.

 

Por vezes chega a ventania

e um assomo de vaidade,

um grito rouco ao fim da tarde

falando verdade ou sertania

mas sempre cheio de poesia

inflamam-se-me as palavras, e tudo arde.

 

 

 

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