Os tempos mudaram e os países, na miragem de mais pessoas para trabalhar com salários mais baratos, aplaudiram a livre circulação de pessoas e bens. A situação de pobreza e de guerra em vários países, fora da Europa, fizeram com que começasse a procura de maior segurança, de postos de trabalho com salários que dignificassem as suas vidas familiares, de países em que o direito à saúde e à educação estivessem garantidos …
Saíram, sem nada, dos seus países de origem, apenas tinham a sua cultura, a sua língua materna e a vontade de viver legalmente e participar civicamente no país de acolhimento.
Não terá sido também por isto que muitos portugueses emigraram com as suas malas de cartão para França, Luxemburgo, Canadá, Estados Unidos da América, Holanda, África do Sul? Não terão entrado nestes países gente de bem e gente de mal? Se calhar a fiscalização é mais eficaz e por isso já vários portugueses, com comportamentos condenáveis em sociedades mais saudáveis foram expatriados para o seu país de origem – Portugal.
Convém não esquecer ou ignorar que a emigração é dolorosa para qualquer ser humano.
Mas voltando atualidade, chegaram outros com outros propósitos? Claro que sim. A soldo de grupos mafiosos relacionados com trafego de seres humanos, de negócios de droga em grande escala, de lugar propício à lavagem de dinheiro, com o propósito, não de tomarem o poder político, mas quem sabe do poder económico?
Os países democráticos são os ideais porque com regulamentação menos prevenida para uma maior fiscalização sobre os cadastros daqueles que se instalaram ilegalmente.
O sistema assim o permitiu.
Acumularam-se milhares de processos de legalização, até para alguns que trabalham e descontam para a segurança social. Para muitos falta apenas um carimbo!
E foram tantos os que chegaram que a certa altura já não têm onde dormir e, até na bagageira de um carro já dormiram, que dormem na rua, que dormem amontoados em quartos alugados, esperam que uns acordem para ocuparem essas camas! Esses quartos são alugados por pessoas do país de acolhimento que se tornaram cúmplices do “estado a que chegamos”.
E eis que aparece a voz que dá eco ao descontentamento que entretanto se gerou no nosso país.
Alguém diz o que muitos gostariam de dizer, mas por vergonha democrática não tiveram a coragem de o dizer.
Numa posição de discurso apelativo, a quem está descontente, repetem mentiras, insinuam inverdades, dizem que o mal-estar social é criado pelos imigrantes que vêm tirar o trabalho a quem está desempregado, que têm direitos à habitação primeiro que muitos portugueses, que são culpados da insegurança que se sente nas ruas… que são responsáveis pela violência gratuita nas ruas, quando os que são agredidos são muitas vezes os que chegaram e não os que já cá estavam.
Começa um discurso de ódio e de vingança, sim, talvez, se calhar… e aí vai um voto para aquele que defende a pena de morte, que é contra a comunidade LGBT, que é contra alguns direitos já conquistados pelas mulheres, e aí vai mais um voto para quem descrimina os emigrantes, os ciganos, transmitindo nos seus discursos mentiras tantas vezes repetidas que acabam por ser tidas como verdadeiras, e lá vai mais voto a favor do racismo, da intolerância. São votos a favor da discriminação, são votos contra as minorias. Ele que agora é a 2ª maior força política representada na Assembleia da República, fortemente apoiado no maior meio de comunicação, as redes sociais.
Nem tudo é negativo, as mulheres que viram alguns direitos conquistados com a Revolução dos Cravos votaram mais à esquerda, enquanto os jovens votaram maioritariamente na direita extremista ou num partido liberal.
Cátia Moreira de Carvalho, Investigadora que se dedica a estudar os processos psicossociais associados à prevenção e combate à radicalização, disse que desde que o “Chega!” conseguiu o seu primeiro assento no Parlamento, “os crimes de ódio e o discurso de ódio têm vindo a aumentar em Portugal”.
Em 2018, um inquérito conduzido pelo Eurobarómetro demonstrou que Portugal era o segundo país da Europa que tinha a visão mais positiva sobre a integração dos imigrantes, com cerca de 80% das pessoas a considerá-la positiva.
Em 2018, não havia o discurso de ódio.

