CARTA DE BRAGA – “da corrupção e da Ética” por António Oliveira

Há muitos anos, o professor da História e da Geografia que se ensinava (ou ele ensinava) naquela altura, andava eu no que hoje seria o sétimo, oitavo e nono anos, pedia para nós fazermos as ligações entre os casos, as situações, os lugares e mesmo os nomes, para que pudéssemos aprender a evolução das sociedades, das culturas, do poder e da valia das gentes, aquela mesma a que todos pertencíamos desde um tipo com um nome esquisito que nunca mais esqueci –Pithecanthropus Erectus– talvez o primeiro espécimen homem a andar erguido e a ser descoberto, que nos trouxe até aos rapazes curvados nos telemóveis que somos hoje.

Dizia ele, Carlos da Costa de seu nome, que só assim, com a associação permanente entre todos aqueles ‘pormaiores’, conseguiríamos perceber como uma civilização é uma condição de progresso cultural social e político, que define todas as sociedades e a eventual influência que produziam nas outras que lhes estavam próximas, fosse qual fosse o tipo de proximidade.

Escrevia Carol, o antigo director do ‘La Vanguardia’, no passado dia 5, ‘A sensação é de que a civilização, como a entendemos, escorregou pelo ralo da história, deixando-nos apenas com a nostalgia de uma época em que os bárbaros não haviam dominado a Terra e os tolos não os aplaudiam com os ouvidos’.

Com efeito, dias depois, o líder do PP, o partido da oposição dirigia-se, em pleno Parlamento, ao presidente do Governo, da seguinte maneira que nem sequer traduzo, ‘‘…pero de que familia viene usted?, en que prostíbulo vino usted, participe lucrativo de la prostitución…’

Convém não esquecer que este partido é o que acumula o maior número de condenações naquele país, por corrupção e outras lindezas, a ver pelas palavras do Investigador e filósofo Roberto Aramayo, ‘Dois ex-primeiros-ministros fizeram isso: o Senhor da Guerra e o Senhor da Conspiração de Gürtel. Vários ministros do governo de Aznar acabaram presos, incluindo o vice-presidente que foi o arquitecto de seu peculiar milagre económico, e que não foi nomeado seu sucessor por se opor à guerra do Iraque. O mesmo vale para o Sr. Rajoy, lembrado pelos papéis de Bárcenas, o tesoureiro que apontou pagamentos irregulares a funcionários do partido’.

Todo um conjunto de situações que levaram o cartoonista do jornal ‘Publico.es’ a publicar este cartoon.

eneko, ‘Quem sabe, sabe

Publico.es’, 25.07.09

Mas estas situações, com os mesmos ou outros edulcorantes, estão presentes em todo o mundo, como se percebe bem pelos ‘voadores’ dos prédios altos em Moscovo, pelos que não conseguem chegar a um prato de sopa em Gaza, devido ao peso do chumbo no corpo, ou por o trumpa aumentar as tarifas para o Brasil em 50%, em retaliação pelo julgamento do seu amigo boçalnaro.

Ao mesmo tempo elogia o presidente da Libéria, país que os states fundaram, ‘pelo ‘bom inglês’ do presidente liberiano’, ignorando que o inglês é a língua oficial do país, que levou o presidente Joseph Boakai a sorrir educadamente.

Enquanto isto, afirma Teófilo Duarte no ‘Blogoperatório’, no passado dia 8, ‘Um criminoso sem autorização para pisar solo nenhum, por mor de condenação internacional por crimes de guerra, indica o seu idiota útil preferido para receber o Prémio Nobel da Paz. Se o apelo funcionar vamos assistir ao derrapar da ideia Prémio Nobel para os patamares mais baixos do reconhecimento da cidadania. Os idiotas estão na moda. São promovidos, eleitos, elogiados’.

E já que estamos no terreno dos blogs neste país, Carlos Esperança escreve no ‘Ponte Europa’, também no mesmo dia 8, ‘O Governo retirou a promoção da ética e responsabilidade na vida pública, no seu novo código da conduta. A grande diferença entre os dois códigos de conduta, é mesmo o desaparecimento enquanto objectivo do Governo. Para não aumentar a dimensão do Governo com mais um ministério: Ministério para a Propagação da Virtude e Prevenção do Vício’.

Termino recorrendo a outro blog, ‘Entre as Brumas da Memória’, por ter divulgado um post datado do dia 5, mas  da autoria do felizmente ainda vivo filósofo e sociólogo francês, Edgar Morin, já com 104 anos, referindo estes tempos, ‘Demasiado absurdo, demasiada crueldade, demasiada barbárie, demasiado ódio, demasiado desprezo, demasiada carnificina’.

Será que eles sabem ler, saberão compreender e darão atenção?

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

 

 

 

 

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