A FORÇA DAS PALAVRAS ESTRANGULADAS – por Adão Cruz António Gomes Marques26 de Julho de 202525 de Julho de 2025Poesia Navegação de artigos PreviousNext A FORÇA DAS PALAVRAS ESTRANGULADAS por Adão Cruz Mal-aventurada palavra bem-aventurada palavra espectaculosa ou mal-entendida repentina abandonada terrosa ou etérea. Penoso viver do lado direito com obtuso cérebro que irradia uma luz cor-de-rosa de banal bom-senso ridícula religiosa e fria estranho conúbio de cálculo e simetria. Do lado esquerdo vestígios de terra seca retocados de sol e água húmida palavra em secreta transição da estreiteza da vida para a infinita margem do sonho. Palavras tépidas Impuras laterais resplandecentes nas vitrinas de luxo insalubres umbrosas sepulcrais e lacrimais monumentais desdobráveis descobríveis maduras de oiro e trigo e penoso desejo de céu azul no imenso tossir da poeira dos ideais insubmissos. Jactância lodosa leitosa grudada a translúcidos horizontes respirando asfixia na secura de todas as fontes. Dúctil criatura de aço e pés pequenos em largos sonhos de vibração das manhãs de rosto alvo sem distâncias nem delírios. Bem-aventurada palavra mal-aventurada palavra viva morta sensual fria erecta impotente vazia ofegante sibilosa rotunda famélica e fremente. Eu temo muito o mar o mar enorme solene enraivecido e turbulento. Se a minha amada um longo olhar me desse dos seus olhos que ferem como espadas eu domaria o mar que se enfurece com a força das palavras estranguladas. Share this: Share on Facebook (Opens in new window) Facebook Share on X (Opens in new window) X Share on LinkedIn (Opens in new window) LinkedIn Share on WhatsApp (Opens in new window) WhatsApp Email a link to a friend (Opens in new window) Email More Print (Opens in new window) Print Like this:Like Loading...