AGORA E NÃO AMANHÃ por Luísa Lobão Moniz

 

Faz agora, neste tempo, sentido lutar por uma democracia que seja compatível com a complexa realidade das nossas sociedades, ou fará mais sentido encontrar outra forma de pensar a democracia e outra forma de governar?

Agora e não amanhã vivemos uma época em que a realidade está em mudança a uma velocidade tal que falta tempo para pensar, refletir e perceber como as sociedades querem e podem viver sem interferências de outros espaços e lugares.

“A democracia foi concebida para uma época que não é a nossa. A maior parte dos conceitos que utilizamos para perceber a política (poder, soberania, representação, divisão de poderes) nasceram num contexto que tem muito pouco a ver com as nossas sociedades atuais” – (Daniel Inerrariry filósofo espanhol considerado um dos 25 grandes pensadores do mundo pelo Le Nouvel Observateur).

O Ser Humano, agora, move-se entre espaços e lugares.

Entre espaço público e espaço privado, entre lugares e não lugares.

É visível como as noções   espaço e lugar se têm desenvolvido com o propósito de uma maior e melhor compreensão do comportamento humano.

 O espaço antropológico é o sítio onde as pessoas não vivem, é o sítio onde se movimentam como seres anónimos e solitários, onde não estabelecem referências de  pertença a um grupo (Marc Augé, antropólogo francês )  é um sítio de passagem como centros comerciais, aeroportos, não tem significado suficiente para ser considerado lugar antropológico, é um não-lugar.

O lugar antropológico é o sítio onde as pessoas reforçam a sua identidade, onde encontram outras pessoas com quem podem partilhar as suas referências sociais, é a comunidade onde vivem, é a sociedade em que estão incluídos, ou não, é o país onde as pessoas devem ser protegidas pela Declaração dos Direitos Humanos.

Mas o Ser Humano é um Ser multifacetado e complexo para lidar com estas perceções que não são absolutas, são subjetivas: cada Ser humano pode ver um determinado lugar como um não-lugar, a casa onde vivem com a família. Para algumas pessoas os centros comerciais são lugares antropológicos, é onde se encontram… ou como uma encruzilhada das relações humanas.

Como se vive com as perceções de espaço e de lugar ou não lugar, sendo elas subjetivas?

Houve necessidade de criar um espaço público e um espaço privado que eram distintos, tinham fronteiras, as sanções sociais.

As sanções sociais são, de facto, um travão a certos comportamentos, no espaço público, veja-se a história para crianças – O Capuchinho Vermelho.

No espaço público há comportamentos que não são aceitáveis, podem ser punidos, mas no espaço privado são considerados normais e aceitáveis, fica dentro de portas porque quase toda a agressão é tida como “para tu próprio bien”, segundo a pedagogia negra de (Alice Miller, psicóloga polaca/suíça).

A agressão, no espaço privado, nas crianças pode ir desde a violência física à negligência, pode ser para dizer à mulher com quem pode conviver e como se deve vestir para ir ao café, pode ser para exigir a pensão do idoso para que ele possa ser bem tratado, pode ser para o deficiente se comportar como os outros “se soubesse não tinha tido este filho”, isto dito na presença do filho (9 anos) que se enrolou no blusão e se tapou com o carapuço, tal foi a dor!

Estava no espaço público, por isso, a mãe não lhe bateu nem o filho deu um pontapé na parede, a agressão, que fica dentro de portas, pode ainda ser a privação do bem-estar familiar.

Foi uma eternidade até se reconhecer que os maus-tratos a crianças, a mulheres, a idosos, a deficientes fossem crime público.

Agora, e não amanhã, os países não respeitam os espaços públicos ou privados, querem conquistar território de países fronteiriços, querem exterminar outros povos, querem mais dividendos das riquezas naturais de outros países, mas a sanção mundial já não se impõe porque estamos a viver o passado como se fosse o agora sendo que o agora já não é prioridade, mas sim o amanhã…

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