DOS PORMENORES
o mar do tempo está ao fundo
da rua.
o quarto, vestido de noite, abraça a noite
nua.
sou um pássaro dentro de um livro, sou um ninho
vazio.
e no peito, uma árvore sem roupa, sozinha, treme
de frio.
sei que o vento da manhã passará
por cima
de um muro onde o musgo me serve
de rima.
por aqui, já não há crianças a jogar
à bola.
já ninguém escreve, já ninguém liga, já não há
escola.
isto aqui é agora um outro sítio, onde, as portas perderam
os batentes
e as cores das casas têm o cunho de pincéis, às memórias,
indiferentes.


