ATRÁS DOS TEMPOS por Luísa Lobão Moniz

Vivemos todos geridos pelo tempo, mas por que tempo?

É verdade que há um tempo dado pela Natureza , os movimentos de rotação e translação do planeta onde vivemos. Dia, noite e estações do ano, que estão cada vez mais incertas relativamente aos anos 60, por exemplo.. Que sentido faz hoje dizer que o Outono começa se o calor é ainda forte.

A noção de tempo varia com as diferentes culturas que por vezes criam os seus próprios calendários.

Mas o tempo é o mesmo para todos nós, todos temos que nos desenvolver durante 9 meses na barriga da mãe, todos temos um tempo para que nasçam os dentes, chamados de leite…, mas o tempo para morrer é individual.

O tempo pode ser individual ou coletivo e com esse tempo os humanos vivem para serem felizes. Mas a felicidade é relativa.

O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem, mas ainda ninguém sabe. 

Quando nascemos temos vários caminhos em que podemos caminhar, mas qual escolher?

Escolhemos aquele ou aqueles que a nossa cultura nos sugere e que cada um de nós vai construindo conforme as nossas especificidades.

O Eu vai-se construindo com os Outros ou contra os Outros.

Todos conhecemos grupos sociais que se organizam para exercer o poder, serem os mais ricos. Com o seu poder social e económico  determinam as regras do tempo individual e coletivo.

Quantas horas devem os Outros, que são a maioria, trabalhar por dia, quanto devem receber como salário, que férias devem ter, quanto tempo as mulheres podem ficar em casa para tratar dos seus bebés, se os pais também têm direito a acompanhar o crescimento dos seus filhos?

Sabe-se que é fundamental para o bem estar das crianças que elas devem criar laços afetivos que permitam uma boa vinculação afetiva e emocional que vai determinar as suas escolhas quando os caminhos da vida forem escolhidos. Serão pessoas com o sentido de responsabilidade, com boas relações intergrupo de pertença, com grupos culturais diferentes, com sentido de justiça positiva, ou serão ditadores que querem que o tempo seja de subjugação, de corrupção, de repressão sobre os mais pobres, os diferentes, os imigrantes…

O país de acolhimento regra geral é hostil com quem chega à procura de uma vida melhor, mas facilitador para os milionários que chegam para fazer negócios, lavar dinheiro, entrar no mundo da corrupção…

O tempo não é igual para todos. O tempo da praia, dos cruzeiros, das idas para países onde os ricos se movimentam entre festas, não é o tempo dos que com mangueiras na mão tentam quase o impossível: apagar fogos de uma violência e  desespero nunca vistos, salvar vidas, casas, o tempo do horror, do medo feito força contra o inimigo que nada quer senão conseguir tornar o verde em cinzento ou preto.

Vem, vamos embora,

Que esperar não é saber

Quem sabe faz a hora

Não espera acontecer

Geraldo Vandré

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