ERROS
Prevê-se que
Em tempos lá mais para a frente
As maiores guerras aconteçam em espaços fora do planeta.
Homens de um lado contra homens do outro.
Monstros terráqueos com a nobre missão de se matarem uns aos outros.
Cada vez mais vezes com mais sucesso.
Involução repentina da espécie
E um sólido défice de empatia e compaixão
Transformaram o ser-humano num substantivo desprezível.
Uma criatura indefinível.
Hoje a humanidade acabou
Mas continua-se a fazer de tudo para que a Humanidade acabe.
Em paz
Ficarão todos os outros seres
Que conseguirem resistir à nossa insana história.
A existência do homem está a ser uma dose gradual de veneno
Para tudo que o rodeia.
O seu desinteresse pela Natureza faz dele um parasita perigoso
Para todas as formas de vida.
Mas talvez seja a Natureza a quebrar a sua inércia
E a antecipar o extermínio dos seus carrascos.
Como quem sacode uma doença ou corrige um erro.
Eis aquilo a que chamam seres-humanos:
Cabeça tronco e membros. Tudo vazio por dentro.
E merda. Parece que é merda que lhes corre nas veias.
Não sei o que pensar de todas as Divindades
Das suas falsas atenções e do seu desprezo mudo.
Mas Darwin deveria responder em tribunal.


