o pássaro cor-de-azeitona desceu
do muro de xisto
e ficou por ali a ensaiar a melodia
das oliveiras
a chuva juntou-se-lhe num ciúme
de céu verde
e não tardou que todas as árvores
cantassem a beleza de momentos
tão completos e cheios de ausências
humanas – essas que conseguem estragar todas
as constelações perfeitas da vida
o pássaro cor-de-azeitona desceu
do muro de xisto
pronto a semear o equilíbrio
da forma mais delicada e simples
e às duas por três ficou necessário e urgente
que alguém escrevesse sobre isto.

