Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
A Serraria Lefebvre em Buironfosse (Aisne), a fabricação de clarinetes de La Couture-Boussey (Eure), a fábrica de sacos Mondi de Saint-Saint-Jean-D’illac (Gironde)… O desaparecimento destas unidades fabris não foi caixa dos grandes jornais ou da abertura dos telejornais das “20 horas”. Mas esses registos reflectem a realidade da desindustrialização, tanto como ou ainda mesmo melhor que as catástrofes espectaculares como Petroplus ou Goodyear.
Cada vez mais as pequenas unidades fabris desse tipo são, na verdade, eliminadas do mapa industrial de França. Em 2012, foram identificados cerca de 266 encerramentos de instalações industriais, ou seja 42 por cento mais do que em 2011. Em média, o tamanho destes sites é limitado a 71 funcionários, de acordo com dados publicados terça-feira, 5 de Fevereiro, pela empresa Trendeo, que faz o registo dos anúncios de criação e destruição de empregos.
ACELERA A DESINTEGRAÇÃO
No final, Arnaud Montebourg tinha razão em mobilizar-se pela “renovação produtiva”, e a desintegração do tecido industrial, pelo contrário, tende a acelerar-se. E o ano de 2013 começa mal: ” no mês de Janeiro, com os anúncios Renault e depois de Goodyear, foi o pior mês em termos de perda de empregos desde que tratamos os dados da indústria ” diz David Cousquer, de Trendeo.
Após um pico em 2009, no auge da tempestade económica, os encerramentos de locais industriais e os planos sociais acalmaram um pouco em 2010 e 2011. O movimento retomou com mais força a partir do Verão passado, enquanto o número de criações de fábricas progrediu ligeiramente, e foi de 166.
Resultado: em quatro anos, 1.087 encerramentos foram anunciados, contra 703 novas unidades fabris. A França tem 384 sites industriais a menos do que no início de 2009. É “o país mais desindustrializado da Europa”, de acordo com Patrick Artus do Natixis.
Denis Cosnard
O mais forte declínio na actividade do sector privado desde há em quatro anos
A actividade do sector privado francês caiu em Janeiro, registando a queda mais forte desde Março de 2009. O índice PMI confirma a primeira estimativa publicada no final de Janeiro e contrai para 42,7 pontos, contra 44,6 pontos em Dezembro, o seu nível mais baixo em 46 meses. Este afasta-se fortemente do valor limite de 50 pontos que marca a fronteira entre os períodos de expansão e contracção deste indicador.
Este indicador avançado da conjuntura económica, considerado confiável pelos analistas, tinha já sido atingido em Setembro o seu valor mais baixo desde Março de 2009, mas a contracção da actividade tinha desde então reduzido a sua cadência. No detalhe, apesar da fraqueza actual da actividade dos serviços a confiança dos prestadores deste sector aparece reforçada e atingiu o seu nível mais alto desde há cinco meses. O índice PMI da indústria transformadora já tornado público, contraiu-se de 44,6 pontos para 42,9 pontos num mês.




5 Comments