Zona Euro- a tentação do vazio – Marie de Vergès, Clément Lacombe et Philippe Ricard -5

 

(Continuação)

 

 

29 Junho – Em “lacrymos”, a esperança desiludida dos “indignados” gregos

Os gritos de cólera dos Atenienses nada terão alterado. Neste 29 de Junho, os deputados gregos aprovam por uma curta maioria um novo plano de rigor, condição sine qua non imposta pela Europa e pelo FMI para a continuação da sua ajuda financeira. Nas capitais europeias, ninguém esconde o seu alívio. Porque o governo Papandréou nunca tinha tido que batalhar tanto como agora..

Partidos a 15 de Maio de Puerta del Sol em Madrid, o movimento “indignados “, estes jovens precários que recusam ser as gerações sacrificadas, propagou-se até à praça Syntagma, à Atenas. A violência aumenta ainda mais: fogueiras, cocktails Molotov, bancos apedrejados… Com contraparte o uso maciço de gases lacrimogéneos e lanças de jactos de água pela polícia. O espectro das três mortes no incêndio de um banco aquando de uma manifestação em Maio de 2010, logo no início da crise grega, volta assustar, volta a estar presente.

Depois de um ano já de austeridade, o país está mergulhado numa profunda depressão: dois meses são agora necessários para obter uma consulta em psiquiatria, contra duas semanas anteriormente… Não é aqui questão de acrescentar mais austeridade à austeridade . Atenas faz-se capital europeia da contestação contra os banqueiros gananciosos e contra os cortes “as tosquias” que são impostas pelo FMI… Uma prenda inesperada para os eurocépticos. A 15 de Junho, o deputado independentista francês Nicolas Dupont-Aignan é surpreendido em comboio a espicaçar a multidão com o seu lenço tricolor : “Viva a Grécia livre. “

Encurralado, violentamente contestado até no seu próprio campo, Papandréou teve assim que aceitar nomear como ministério das Finanças o seu inimigo jurado no Partido socialista grego, Evangelos Venizélos. A unidade da sua formação política, o Pasok, – e o voto pelo Parlamento do plano de rigor – passam por este sacrifício. Tanto pior para Papaconstantinou, o seu brilhante ministro das finanças tanto apreciado em Washington e em Bruxelas. Este no entanto não desmereceu: para dar o exemplo, tinha até ido trocar o seu Mercedes por um Skoda…

(Continua)

 

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