OS HOMENS DO REI – 19 – por José Brandão

Conde D. Pedro(1282-1354)

O Conde D. Pedro foi um dos dois bastardos do rei D. Dinis, particularmente estimado de seu pai, este por sua nobre ascendência materna, cultura e dotes de espírito, distinção de maneiras e certa inspiração na arte de trovador. Nascido depois de 1280, em Torres Vedras, onde tinha solar sua mãe, D. Grácia Fróis de Ribeira, jovem de grande formosura e filha do fidalgo João Fróis e de D. Catarina Mendes de Sousa, dos Sousas de Riba-Vizela, recebeu no baptismo o nome de D. Pedro Afonso, tendo ficado conhecido na história literária do país por conde D. Pedro, autor do Nobiliário ou Livro de Linhagens.

 

Pelos mesmos motivos de ordem política e moral por que o moço rei D. Dinis, no pleno viço dos 20 anos, conheceu a mãe de seu filho bastardo Afonso Sanches, também este seu filho bastardo D. Pedro nasceu na vigência do seu matrimónio com D. Isabel, infanta de Aragão, ainda criança impúbere, alguns anos antes do herdeiro da coroa, D. Afonso IV, o Bravo. Confiou-o também D. Dinis, como os outros bastardos, Afonso Sanches e D. Maria Afonso. à guarda e tutela da própria rainha D. Isabel.

 

Em 1289 D. Dinis fazia a este D. Pedro Afonso doação de muitos bens ao termo de Lisboa, em Évora-Monte e em Estremoz, e mais tarde, ainda muito novo, dava-lhe por mulher D. Branca Peres, filha de D. Pedro Anes de Portel e duma senhora Sousa, dos Sonsas de Riba-Vizela. Deve ter enviuvado antes de 1301, pois nessa data já era casado em segundas núpcias com a fidalga aragonesa D. Maria Ximena e eram-lhe doados mais bens territoriais no Algarve e em Sintra.

 

Depois de 1306, o rei, seu pai, fazia-lhe novas doações e confiava-lhe o cargo de mordomo-mor da infanta castelhana D. Maria, noiva do infante D. Afonso.

 

Por morte de D. Martim Gil de Sousa, conde de Barcelos (1312), D. Dinis dava o condado a D. Pedro Afonso e fazia-o alferes-mor do Reino, ao passo que ao outro bastardo, D. Afonso Sanches, o fazia mordomo-mor do Reino, cargo político da maior privança, o que mais acirrou o ânimo do infante real e preparou a guerra civil, que deflagraria anos mais tarde, em 1319.

 

O conde D. Pedro Afonso, de ânimo pacífico, bom senso, espírito conciliador e grande distinção de maneiras – como o provara numa conferência diplomática em Castela a que fora enviado – conseguiu nesse ambiente revolto da Corte manter-se numa espécie de neutralidade, de bem com seus irmãos bastardos D. Afonso Sanches, D. João Afonso e Fernão Sanches, e nas boas graças do próprio irmão herdeiro da coroa.

 

Mas nas constantes desavenças e intrigas dessa atmosfera de ódios, as relações entre os vários bastardos, o infante real e o rei eram alternadamente de hostilidade e de aliança. Por fim, declarada a guerra civil em 1318, o conde D. Pedro, suspeito de traidor a seu pai, foi destituído da função de alferes-mor, desapossado de todos os seus bens e forçado a homiziar-se em Castela, donde voltou ao Reino, em 1321, numa espécie de trégua.

 

Abandonado por sua segunda mulher, D. Maria Ximena, que recolheu a Aragão, mais tarde, em 1347, os seus últimos amores foram uma donzela toledana, D. Teresa Anes, vinda a Portugal como aia da infanta D. Beatriz, em reféns pelo Tratado de Alcanices. A ela dedicou várias das suas cantigas de amor.

 

Em 1334, declarada em Portugal a guerra a Afonso XI de Castela, D. Afonso IV, reconciliado de todo com esse irmão conde D. Pedro, chamou-o à hoste real, em que denodadamente se bateu contra as tropas do arcebispo de Compostela, em 1336, no Minho e na Galiza.

 

Feitas as pazes com Castela, em 1354 com cerca de 70 anos, faleceu no seu solar de Lalim ficando sepultado na igreja do mosteiro de S. João de Tarouca.

 

A seguir: D. Gonçalo Pereira

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