Num oportuno e lúcido texto publicado ontem, Augusta Clara de Matos, alerta-nos para a monstruosidade de uma guerra que, como diz e a história confirma, tem sido a forma de os grandes poderes económicos resolverem crises. Morrem uns milhões de pessoas, geralmente homens no pico da idade activa, além de populações civis dizimadas, cidades, meios de comunicação, infra-estruturas, tudo destruído.
Quando entendem que já chega, assina-se a paz, fazem-se discursos. Uma série de problemas ficam resolvidos – o desemprego deixa de existir – milhões de trabalhadores morreram e têm de ser substituídos. E depois é um céu aberto para a construção civil, indústrias alimentares… Tudo com a ajuda dos bancos. Não sei se estão a ver.
Este ciclo mais recente de guerras desencadeadas na Europa, começou em 1870, com a guerra franco-prussiana; em 1914, a Alemanha desencadeou outro conflito mundial, em 1939, idem, com a invasão da Polónia… Há um padrão que se repete – o detonador germânico. E não queremos despertar sentimentos xenófobos. A Alemanha é talvez o país em que o espírito luterano da obrigação de ser rico mais se enraizou, contrariando a ordem de valores ditada pela igreja de Roma na qual a pobreza é uma virtude. Não mais do que isso. Um sentimento de superioridade que vem do berço prussiano. Mas até em França esse sentimento existe, embora sem qualquer motivo – as glórias guerreiras da França quase se limitam ao curto período napoleónico – a França exibe um dos mais “gloriosos” estendais de derrotas, uma verdadeira recordista – nos últimos cem anos, não venceu uma. Et pourtant…
Nada mais fácil do que desencadear uma guerra – até o futebol pode servir de pretexto. Vamos dar um exemplo: entre 14 e 18 de Julho de 1969, El Salvador e as Honduras mantiveram um conflito armado. Embora as causas profundas fossem de natureza política e económica, em Junho de 1969 quando as selecções dos dois países disputavam uma série de três jogos para o acesso à final do Campeonato Mundial de 1970, incidentes entre adeptos e jogadores, levaram ao corte de relações diplomáticas e no mês seguinte a combates entre as respectivas forças armadas. É ridículo, talvez faça rir, mas foi dramático. E pode acontecer agora.
É só quem manda querer que aconteça. Devíamos estar atentos.

