OS HOMENS DO REI – 38 – por José Brandão

Afonso de Albuquerque (? -1515)

 

 

 

Afonso de Albuquerque é do viveiro de grandes navegadores e valorosos capitães no mar e em terra, como foi a corte de D. João II, e que em herança viriam a caber também, com a sucessão da coroa, ao afortunado D. Manuel, o homem que no reinado do Venturoso se revelaria da estatura e do génio dos maiores conquistadores de todos os tempos e em menos de oito anos de acção político-militar fundava no longínquo Oriente caboucos dum incipiente Império ultramarino português.

 

Tendo nascido na Quinta do Paraíso, cerca de Vila Franca de Xira, entre 1450 e 1455, não se podem assinalar-lhe cronologicamente, por imprecisão ou carência de documentos, dados biográficos exactos da sua infância e adolescência, até ser admitido e criado na corte de D. Afonso V, como moço-fidalgo, praxe então corrente para filhos segundos de famílias nobres.

 

Sabe-se que na corte do Africano, em estreito convívio com o príncipe real D. João, quase da mesma idade, o seu vivo e precoce engenho se foi enriquecendo da alta cultura clássica e científica da época, enquanto se adestrava nos exercícios violentos das armas e nas artes da guerra e da navegação. Ao lado do príncipe D. João se batia na batalha da Toro, participando depois, em 1480, como voluntário, na expedição naval de reforço, enviada pelo príncipe regente, em nome de seu pai, ao rei de Nápoles, Fernando II, em guerra contra os turcos, e durante a qual muito se distinguira por sua bravura na batalha naval de Otranto.

 

De regresso ao Reino, à data da ascensão de D. João II ao trono, passou a fazer parte da sua guarda de ginetes; e, ardentemente admirador do moço rei, foi por ele enviado em 1489 a Marrocos, na expedição de D. Pedro Castelo Branco, para defesa da construção da fortaleza da Graciosa, no rio Luco ou de Larache. De volta a Lisboa, o rei o elevou a seu estribeiro-mor.

 

Por morte do Príncipe Perfeito, passou ao serviço de D. Manuel na sua guarda de ginetes; e, depois do regresso de Pedro Álvares Cabral da 2.ª expedição à Índia, foi a seu pedido, sempre sôfrego de acção e domínio, que D. Manuel o enviou pela primeira vez à Índia, confiando-lhe o comando duma pequena divisão de três naus, que em Março de 1503 partia de Lisboa.

 

Regressou a Portugal em 1504, onde expôs a D. Manuel I a sua visão de um império no Oriente, tendo por base a conquista de posições estratégicas nos mares do Índico. Tendo sido aceite o seu plano, seguiu para a Índia em 1506 como capitão-mor do mar da Arábia. Conquistou Omã e submeteu Ormuz. Já como vice-rei da Índia, em substituição de D. Francisco de Almeida, conquistou Goa e Malaca e entrou no Mar Vermelho em 1513.

 

É a Afonso de Albuquerque que se deve a manutenção e consolidação da posição portuguesa nestas paragens. Em 1515, ano da sua morte, parte para Ormuz onde reforça a posição de Portugal. É, porém, quando regressa à Índia que recebe a notícia da chegada de Lopo Soares de Albergaria, seu inimigo, designado por D. Manuel, decerto influenciado por campanhas difamatórias, para o substituir como governador. Não chega a entrar vivo em Goa. Morre em Dezembro, à vista da cidade, a bordo da nau que o transportava.

 

Afonso de Albuquerque foi um grande estratega militar, além de ter uma grande capacidade como diplomata, que criou as bases do Império Português do Oriente.

 

Vice-rei da Índia. Serviu os reis D. Afonso V, D. João II e D. Manuel I. Albuquerque tinha um vasto plano para o Império e a conquista de posições estratégicas no Índico. Com uma pequena armada, Afonso de Albuquerque conseguiu feitos espantosos, daí ter uma hoste de inimigos.

 

A seguir:  Vasco da Gama

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