OS BEBES E O MUNDO SONORO – por Clara Castilho

 

O bebé nasce e comunica com os que o rodeiam através do choro. Do ponto de vista auditivo, esta é a única forma até cerca de um ano de vida. Porque sabemos que há outras formas de comunicação…

 

Em Portugal, foi o pediatra João Gomes Pedro que, na sua tese de doutoramento, provou que o bebé responde com prontidão aos estímulos com movimentos de diversa amplitude e intensidade durante a vida pré-uterina.

 

Convém realçar que de uma audição em meio líquido o bebé passa para uma audição em meio aéreo.

 

Há autores que distinguem quatro tipos de choro dos bebes com duração de frequências, sequências temporais e espectografias características que despertam nas mães reacções específicas, verificando que estas utilizam essencialmente a voz para a extinção dos mesmos.

 

É interessante o facto de, às 5 semanas, o bebé não ser capaz de distinguir o seu rosto da mãe mas ser capaz de distinguir a sua voz entre outras vozes. E entre o 3º e o 6º mês já o começamos a ouvir a brincar com os sons que ele próprio produz.

Didier Anzieu, pedopsiquiatra francês, avançou com o conceito de envelope sonoro que corresponde a um estado muito precoce da formação do Eu, e que é como que um “um espelho sonoro ou uma pele audiofónica em que a sua função será zelar pelo aparato psíquico e pela aquisição da capacidade de dar significado e
de simbolizar”.

 

A voz da mãe é a da música; a música, é da voz da mãe.”- Piérre Paul Lacas

 

Já sabemos que a mãe, ou o seu substituto tem uma importância primordial nos primeiros tempos de vida. Diz-nos um autor de referência inquestionável – Winnicott  – “se a mãe não for capaz de se adaptar às necessidades do bebé, ele não vai perceber o facto de que o mundo já estava lá antes que ele tivesse concebido ou concebesse o mundo”. E a mãe vai dando sentido, através da palavra aos sentires que pensa que a criança vai tendo:

 

E é aqui que a música pode ter a função de consolidação da vinculação do bebé à mãe. As canções de embalar são universais …e a criança sente-se envolvida num banho melódico, unida a quem para ele canta, sente-se confortável, apaziguada e relaxada.

 

Zeca Afonso – canção de embalar:

 

 

  
  

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