
Ontem, no Porto, Mário Soares fez declarações acutilantes, criticando os dirigentes europeus e o Governo de Passos Coelho. Foi durante a terceira sessão do ciclo de debates “Novos paradigmas” que a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto está a organizar e que atraiu mais de 400 pessoas ao auditório, a maioria delas estudantes. O ex-Presidente foi um dos oradores convidados.
Referindo-se ao facto de a a crise económico-financeira ter colocado a Zona Euro à beira do abismo, disse acreditar no “bom senso das pessoas” para evitar um desfecho fatal, pois se tal acontecesse “ficaríamos todos e não apenas Portugal num plano secundário face ao resto do mundo”. Sobre Angela Merkel, afirmou: “cada vez que abre a boca diz um disparate” . E acrescentou: “As pessoas que estão a dirigir a Europa estão, elas próprias, a destruir o projecto europeu”. E, voltando a referir-se a Merkel afirmou: “senhora alemã e o senhor cúmplice dela”, Nicolas Sarkozy, “estão a dar cartas como se mais ninguém existisse na Europa”. Outro dos convidados, o antigo líder do CDS, o professor Adriano Moreira, esteve de acordo com Mário Soares dizendo que “não temos líderes europeus à altura”.
Mário Soares condenou a política do Governo para a resolução da crise no País, dizendo que os governantes “se desinteressaram completamente das pessoas e só vêem números”. (…) “O Governo está a fazer uma política economicista (…). Corta em tudo o que pode cortar e não pensa que as pessoas é que contam”. Sobre o anunciado corte dos subsídios de férias e de Natal no sector público é “um disparate tremendo”. Elogiou as declarações proferidas pelo Presidente Cavaco Silva, à saída da sessão de abertura do IV Congresso Nacional dos Economistas, em Lisboa. “Ouvi hoje o Presidente da República e fiquei satisfeito com aquilo que ele disse”, destacou, alertando que “não podemos destruir tudo por causa da austeridade. Trata-se de uma brutalidade para os portugueses”.
Mário Soares (aludindo a uma afirmação recente de António Barreto, disse não acreditar que “Portugal deixe de ser uma Nação, porque acredito na História de Portugal e nos portugueses”. Dirigiu-se aos jovens presentes na sala: “Não podemos aceitar que isto continue assim, mas isso tem a ver com a evolução da Europa”. “Temos de reagir como País e, jovens, a vossa voz tem de ser ouvida. No final, disse aos jornalistas que “não se pode estar a fazer cortes, cortes, cortes com um certo automatismo e daqui a dois anos ficarmos numa situação pior do que já estamos”. “Então para que servem os sacrifícios que nos estão a ser pedidos?”,
