DIÁRIO DE BORDO, 22 de Outubro de 2011


 

Enquanto nós nos debatemos com o orçamento, e Occupy Wall Street mantém a sua luta, o resto do mundo continua a girar, de modo muitas vezes pouco edificante. Esta semana a notícia é a morte de Kadhafi. Terá sido capturado e morto em circunstâncias que confirmam a suspeita que os seus executores não serão melhores do que ele. Parece que entre eles se encontram elementos ligados à Al-Qaeda, tida como responsável pelo atentado de 11 de Setembroem Nova Iorque.  E a NATO teve um papel decisivo nos combates, não só no ar, mas também em terra. Viremos um dia a saber se a morte de Kadhafi foi programada, tal como a de Bin Laden?  As potências ocidentais usam os mesmos métodos que denunciam noutros países, é um facto. Ao fim e ao cabo a guerra civil da Líbia é a versão século XXI  da política da canhoneira do século XIX. Pelo meio, duas guerras mundiais.

 

A ETA  depôs as armas. Este acontecimento era esperado há muito tempo, mesmo pelos defensores da independência do País Basco mais próximos daquela organização. Em Espanha vão realizar-se eleições legislativas dentro em breve. Os prognósticos são esmagadoramente favoráveis ao PP. Quais as consequências dessa vitória para as autonomias? E para as relações com Portugal?

 

Na Argentina, um país a que se devia dar mais atenção em Portugal, vai haver eleições presidenciais (e também legislativas parciais) no próximo domingo. Prevê-se a vitória de Cristina Kirchner à primeira volta. Mas independentemente disso, há que recordar que a situação económica argentina está em alta, estimando-se que este ano o PIB aumente mais de 8 %. E recorde-se também que este país há dez anos atravessava uma crise profunda, derivada em grande parte de políticas semelhantes às que nos querem impor aqui em Portugal. Nestor Kirchner bateu o pé ao FMI (e não só) e o resultado está á vista. Devíamos procurar aprender alguma coisa com eles, em vez destruir o resto do nosso país, a tentar pagar o impagável.

 

E na Palestina Israel libertou centenas de prisioneiros em troca do soldado Shalit. Tentou assim enfraquecer Abbas, fazendo a negociação com o Hamas. Mas a libertação de presos é sempre positiva, até porque na maioria (senão todos) eram presos políticos. E quem não se compadece do soldado Shalit?

 

Voltemos á pátria. Uma pergunta (o homem do leme também pode ter dúvidas): a troika quer o fim das parcerias público-privadas. Quando é que o Passos e sus muchachos começam a tratar disso? Poupavam mais dinheiro do que a atacar funcionários públicos e reformados. Tinham mais trabalho, pois. Mas o trabalho é bom para a saúde, dizem. E com o estrago que estão a fazer no serviço nacional de saúde…

Leave a Reply