(Por cortesia do Diário de Notícias)
Angela Merkel ofereceu um urso de peluche ao recém-papá Nicolas Sarkozy, e essa intimidade entre poderosos é simpática. Outros grandes do Mundo trocam-se presentes pessoais – estou a lembrar-me das garrafas de vinho que José Mourinho enviava a Alex Ferguson nas vésperas de um Chelsea-Manchester United. Mas, lá está, eu disse “nas vésperas”… Nunca os vi a brindar com taças de tinto durante o jogo. Ontem, porém, aconteceu uma intimidade despropositada entre Merkel e Sarkozy na conferência de imprensa na cimeira europeia. Já tinha acontecido a simpática oferta do ursinho pelo nascimento de Giulia e já tinha acontecido o encontro da alemã e do francês com o primeiro-ministro italiano.
Justamente, a primeira pergunta dos jornalistas foi sobre esse encontro com Berlusconi. Berlusconi, lembro, chefe de Governo de um país da União Europeia, tal como são, nem mais nem menos, os dois a quem se pôs a pergunta. E foi aí que aconteceu o despropósito. Sarkozy pôs um ar de jogador de pétanque em comédia de Marcel Pagnol e deu a deixa a Merkel, que pôs um ar de Marlene Dietrich (sem os mesmos olhos nem pernas, claro) a dizer piada em cabaré de Berlim, anos 30. Manifestamente, para eles Berlusconi é um Totò. E é (sem o talento do grande cómico), mas essa não é a questão. A questão é que com uma Europa que se permite rir oficialmente de outra Europa não vamos lá. Mais preocupante que a famosa dívida é o défice de líderes.
