agenda cultural de 7 a 13 de Novembro de 2011

 

 

por Rui Oliveira

 

 

   1.  Na Quinta 10 de Novembro, às 21h e na Sexta 11 de Novembro às 19h, no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian e em colaboração com o Teatro Maria Matos, ouvir-se-á (em 1ª audição em Portugal)  de Karlheim Stockhausen Momente,  “uma ópera sobre a Mãe Terra rodeada pelos seus filhos”(nas palavras do compositor, que a considerava a sua obra máxima).

   Os textos que a percorrem provêm de fontes diversas, de William Blake a Bronislaw Malinowski, de Martin Luther a Mary Bauermeister. A peça exemplifica o que Stockhausen chamara de «momento» enquanto unidade formal na qual a atenção do ouvinte está no «agora», na «eternidade que não começa no fim dos tempos, mas é atingível em cada momento».

   O Coro e a Orquestra serão dirigidos pelo maestro Peter Eötvös e terão a participação da soprano Julia Bauer e ainda o desenho de som de Pedro Amaral.   

 

 Poderá ouvir-se aqui a 1ª parte (47min) dum impressionante Momente

 

   2.  No Domingo 13 de Novembro, às 19h ao Grande Auditório da Fundação Gulbenkian regressa aquele que é considerado “um dos maiores pianistas vivos” Grigory Sokolov que, como usualmente, faz de Johann Sebastian Bach o elemento dominante do seu concerto, associando-lhe duas peças de Johannes Brahms.

   Assim o programa constará de :

                   Johann Sebastian Bach  Concerto Italiano, BWV 971

                                                          Abertura Francesa, BWV 831

                   Johannes Brahms  Variações sobre um tema de Händel, op. 24

                                                 Três Intermezzi, op. 117         

 

 Grigory Sokolov tocando em Abril 2011 o Andante do Concerto Italiano de J.S.Bach

 

   3. No Centro Cultural de Belém inicia-se a 7 de Novembro um Ciclo Andrei Tarkovsky “Esculpir o tempo” de homenagem àquele importante cineasta russo (1932-1986). O eixo será, sem dúvida, a apresentação de sete das suas obras de culto para que, desde já, chamamos a atenção, exibidas (às 21h no Pequeno Auditório) a 8/11 A infância de Ivan (1962), a 9/11 Andrei Rubliov (1969), a 10/11 Solaris (1972), a 12/11 O espelho (1975), a 13/11 Stalker (1979), a 16/11 Nostalgia (1983) e a 17/11 O Sacrifício (1986).

   Lembramos dois momentos característicos do universo tarkovskiano.

 

 A cena final de Stalker

 

 

 A cena da levitação de pessoas e objectos em Solaris

 

   Haverá também uma exposição  “Luz instantânea” de fotografias, itinerários e saudades de Andrei Tarkovsky na Galeria Mário Cesariny (CCB) aberta até 4 de Dezembro.

   Ainda na Sexta 11 de Novembro, às 21h no Pequeno Auditório, o pianista francês François Couturier, que já editara na ECM dois volumes da sua trilogia dedicada a Tarkovsky Nostalghia – Song for Tarkovsky e Un jour si blanc, vem a Portugal apresentar o terceiro e último disco executando-o através do Tarkovsky Quartet onde também figuram Anja Lechner violoncelo, Jean-Marc Larché saxofone soprano e Jean-Louis Matinier acordeão.

   Eis um excerto representativo do seu trabalho :

 

 

   4. No Domingo 13 de Novembro, às 21h30 no Pequeno Auditório da Culturgest (repete a 14/11), um dos mais originais guitarristas norte-americanos de jazz actuais Joe Morris (mas também contrabaixista) volta a esta sala agora com o Joe Morris Wildlife Quartet, acompanhando-o Jim Hobbs  saxofone alto, Petr Cancura  saxofone alto e tenor e Luther Gray  bateria. Diz-se que o nome da formação “… diz tudo quanto ao que se propõe : tocar um pós-bop não domesticado por formalismos, e estruturas abertas e expressividade livre, e tão cru na energia quanto lírico nas motivações”. É o que (ou)veremos …    

 

Beautiful Existence (2005) de Joe Morris, Jim Hobbs, Luther Gray e Time Shanko

 

 

   5. Encerra no Domingo 13 de Novembro o impressionante festival que Paulo Branco mais uma vez trouxe, desta vez também a Lisboa, o Lisbon & Estoril Film Festival, aberto na passada Sexta 4 com a recente realização de Gus van Sant  Restless Inquietos (2011).

   O festival é pontuado por numerosas masterclasses, pelas homenagens a Leo Carax (9 filmes) e William Friedkin (8 filmes) e a retrospectiva de Wes Anderson (8 películas), por um Simpósio Internacional sobre “Os direitos de autor na era da Internet: que futuro para as indústrias culturais ?” a 11 de Novembro , várias exposições  mas também eventos musicais, dos quais destacamos a 7 de Novembro, às 21h no CCB, Gidon Kremer & Giedre Dirvanauskaite onde o violinista e o violoncelista tocarão obras de Giya Kancheli, Victoria Vita Poleva,  J. S. Bach e Sofia Gubaidulina. Também a 10 de Novembro, às 22h no Lux Frágil, canta a filha de Paul Auster Sophie Auster, em preparação do seu terceiro CD (ver adiante). 

 

   Da profusão de filmes em exibição nesta semana destacaríamos, por serem ante-estreias em géneros diferentes L’Apollonide (souvenirs de la maison close) de Bertrand Bonello  sobre o quotidiano dum bordel francês da Belle Époque e o último Pedro Almodóvar que encerra o festival  La Piel que habito A Pele em que vivo. Sobre ele comenta o realizador: “…A pele é a fronteira que nos separa dos outros, determina a que raça pertencemos, reflete as nossas emoções e as nossas raízes, quer biológicas quer geográficas. Muitas vezes reflete o nosso estado de alma, mas a pele não é a alma…”.

L’Apollonide (2011) de Bertrand Bonello

 

 

La Piel que habito (2011) de Pedro Almodóvar

 

(ver programação integral em http://www.leffest.com/pt  )

 

 

  

 

Cordas sobresselentes

 

 

 

   No campo das artes plásticas e outras exposições

 

   Como prometemos no final do Pentacórdio anterior, eis algumas das mais elogiadas exposições cujo termo se aproxima e cuja visita nos parece ter interesse :

 

 

a)  Encerra a 13 de Novembro, no Museu da Cidade (Pavilhão Branco), a exposição de Miguel Branco Deserto que parece representar uma inflexão significativa na obra do artista, porventura “…o início de um caminho novo onde a questão da escala continua preponderante mas de modo inverso às suas operações anteriores” (como analisa o crítico Celso Martins).

   Apresenta quatro núcleos distintos que ocupam as quatro salas do Pavilhão, pensados a partir do espaço da galeria, existindo em cada núcleo uma “figura chave” que amplifica e cria uma tensão com as restantes peças, estendendo ligações às diferentes salas. As peças desenvolvem ligações entre si, criando uma dinâmica espacial pela forma como se articulam com o espaço, com as suas escalas e com o percurso do observador. 

 

 

b) Termina a 17 de Novembro , na Galeria João Esteves de Oliveira (ao Chiado), a exposição de Rui Chafes de desenhos que designou por Inferno (A minha fraqueza é muito forte). O desenho, que ocupa habitualmente um lugar secundário na obra do escultor, é aqui mostrado revelando-se “…delicado, de linhas evanescentes,… mas simultaneamente forte, sensual e inquitante” (diz Anabela Becho) “… revelando (um) universo singular… que tem sempre referências directas aos imaginários do Romantismo Alemão e do Gótico”. 

 

c) Acaba a 27 de Novembro, no Palácio Trindade, uma das exposições montadas no âmbito da  Experimenta Design 2011, “Don’t Look Back – Desenho Habitado” , retrospectiva da obra do designer Fernando Brízio onde é possível observar dois núcleos : o dos Objectos Mágicos, peças que produzem acções e movimentos surpreendentes, resultantes das suas memórias de infância, logo objetos mágicos e com humor ; e o dos Objectos em Anima-Acção onde as silhuetas dos  objectos de Fernando Brízio recortadas em cartolinas e vários pontos de luz são as ferramentas

 necessárias para animar um teatro de sombras a inventar pelos visitantes.

No seu conjunto, estes objectos formam um mapa de possibilidades que confirmam uma mesma atitude capaz de integrar a inteligência, o afecto e a escala humana. “Se todo o design fosse assim a nossa vida seria bem diferente” (conclui o crítico do Atual). 

 

 

 d) Na mesma data de 27 de Novembro encerra outra mostra da EXD’11 LISBOA intitulada Utilitas Interrupta – Um Índice Infrastrutural de Ambições por Cumprir. Instalada na Fundação Arpad Szènes-Vieira (à Mãe d’Água), com curadoria de Joseph Grima, volta-se para a arquitectura e os grandes projectos de infraestrutura enquanto materialização de um discurso político, social, económico e ideológico. Propõe-se examinar de perto obras infraestruturais que já não satisfazem o pré-requisito Vitruviano da utilidade: projectos outrora celebrados e agora esquecidos, recordações de um optimismo longínquo (ou talvez nem tanto), que permanecem escondidas à vista de todos, apagadas como que por magia da consciência colectiva apesar das suas proporções abissais, como cicatrizes indeléveis gravadas na paisagem. 

 

 

e)Também a 3ª mostra da Experimenta Design 2011 Useless ? A Procura, localizada no MUDE – Museu do Design e da Moda, fecha a 27 de Novembro. Nela, os curadores Jonathan Olivares, Max Bruinsma e Hans Maier-Aichen usam duas diferentes abordagens ao tema da bienal EXD – “Useless? A Procura” e “Useless? Uma Perspectiva Explodida” – para responderem às perguntas: “As intermináveis multiplicações de produtos quase idênticos – qual é a sua utilidade, além de alimentar o eterno ciclo de produção/consumo de ética e sustentabilidade questionáveis? Qual a sua mais-valia funcional, estética, ou social?”  

 

 

 

   No campo das conferências, debates e outros confrontos intelectuais

 

 

 

 

   A 7 de Novembro, às 18h30, Miguel Serras Pereira pronuncia uma palestra denominada “Sophia – uma poética exemplar” no ciclo de conferências “A Poesia e a Liberdade” na Biblioteca-Museu República e Resistência (à Cidade Universitária).

 

 

 

    A 8 de Novembro, às 18h no Museu Nacional de História Natural e da Ciência (Anfiteatro de Química), Renaud Huynh, director do Museu Curie (Paris) pronuncia uma conferência “Marie Curie (1867-1934), Uma Mulher de Ciência” no âmbito das comemorações do ano internacional da Química e do centenário da atribuição do Prémio Nobel da Química a Marie Curie pelos seus trabalhos sobre o rádio. Simultaneamente é inaugurada a exposição “Marie Curie – Uma vida, itinerário de uma mulher”  do Institut Curie de Paris, com o apoio do Institut français du Portugal e do CNRS.

 

   Também a 8 de Novembro, às 18h na Fundação Gulbenkian (Auditório 2), Raquel Gonçalves-Maia da FCUL dá uma palestra no ciclo “Uma Questão de Química” intitulada “As Químicas do Nobel”, referindo-se a Marie (Skłodowska Curie) polaca, Irène (Joliot-Curie) francesa, Dorothy (Crowfoot Hodgkin) britânica e Ada (Yonath) israelita que guindaram os seus objectivos a um nível de tal modo elevado que só a elas, entre as mulheres, foi concedido o Prémio Nobel da Química até aos dias de hoje.

 

   A 9 de Novembro, às 18h na Fundação Gulbenkian (Auditório 2), Jean-Claude Junker, actual Primeiro-ministro do Luxemburgo e Presidente do Eurogrupo, discursa sobre “Que modelo de governança económica para uma união monetária? Lições de uma crise” (entrada livre, podendo ser seguida on line).

 

 

     A 8 e 9 de Novembro, às 21h30 no palco do Grande Auditório da Culturgest, Olga de Soto, uma precursora de um movimento de pesquisa e recuperação da memória da dança do século XX, dá uma conferência/performance “Sur les traces de La Table Verte. Une Introduction”, um trabalho de pesquisa sobre A mesa verde, bailado mítico de Kurt Jooss em que podemos ler uma antevisão do fascismo e da guerra, e que estreou no Théâtre des Champs Elysées em Julho de 1932.

 

   A 9 de Novembro, às 18h no Museu Nacional de História Natural e da Ciência (Auditório Aurélio Quintanilha) inicia-se o ciclo de palestras a propósito da exposição “Allosaurus: um dinossáurio, dois continentes?” patente no MNHN desde Fevereiro de 2009. A primeira, cujos oradores serão Pedro Dantas, Vanda F. Santos e Elisabete Malafaia, investigadores do MNHN, intitula-se Na peugada dos Dinossáurios: memórias do Museu”. 

 

 

 

 

   A 10 de Novembro, às 15h na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da UN (Av. De Berna) e numa organização com o Instituto Cervantes, Ángel Viñas (historiador e professor de Economia Aplicada na Universidade Complutense de Madrid) dissertará sobre “Os mitos da guerra civil espanhola”, “… mitos que continuam a subsistir (e) vão desde a justificação da rebelião militar até ao próprio sentido da guerra civil para, supostamente, salvar Espanha de cair nas garras do comunismo,…desde a estratégia seguida por Franco até a contra-estratégia montada pelo presidente do Governo Juan Negrín… desde a enorme exaltação da violência republicana à minimização da violência dos rebelados… desde os motivos da vitória até as razões explicativas do colapso republicano”.   

 

 

   A 10 de Novembro, às 18h no Bar das Ciências do Institut Français de Portugal, Arnaud Chéritat, do Institut de Mathématiques de Toulouse, falará sobre “Fractais e Caos : uma irmandade nascida da ordem”. Começará por apresentar sistemas dinâmicos simplificados mas que exibem um comportamento caótico. Aparecerão fractais e explicar-se-á  sucintamente como surgiram ; debruçar-se-á depois sobre os fractais que encontramos na natureza.

 

 

   No campo da música erudita

 

 

   A 7 de Novembro, às 18h no Foyer  do Teatro Nacional de São Carlos, ocorre novo concerto da “Europa de Liszt” com intérpretes ainda não divulgados.

 

   A 8 de Novembro, no Palácio Foz (Sala dos Espelhos) às 16h, a pianista Joana Gama executará vários trechos da “Première Année Suisse” das “Années de Pèlerinage” de Franz Liszt.

 

   A 9 de Novembro, às 21h no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, o violinista norte-americano Elmar Oliveira  (medalha de Ouro do Concurso Tchaikovsky) com a Orquestra Metropolitana de Lisboa (dir. Cesário Costa) têm no seu programa  António Pinho Vargas  Duas Peças , Camille Saint-Saëns  Concerto para Violino e Orquestra n.º 3 e Georges Bizet  Sinfonia em Dó maior.

 

   Também a 9 de Novembro, às 18h no Espaço Santa Casa (da Misericórdia), o grupo Violas d’Arco da Escola Superior de Música de Lisboa (dir.Prof.Pedro Saglimbeni Muñoz) toca J.G. Albreschtsberger, Felix Mendelssohn e J.S. Bach.

 

   A 12 de Novembro, também às 21h no CCB, no segundo concerto do Espírito Mozart a residente Orquestra de Câmara Portuguesa (dir. Pedro Carneiro) cumpre um programa onde se inclui de Heinz Holliger Ad marginem, de Wolfgang Amadeus Mozart  Sinfonia n.º 40, K. 550 e de Ludwig van Beethoven  Sinfonia n.º 7, op. 92.

   Para conhecer algo daquele compositor (e intérprete) suiço contemporâneo, nascido em 1939, ouça-se este excerto sombrio e misterioso do longo “Scardanelli Zyklus“.  

  

O trecho Ad Marginem tocado pelo próprio Heinz Holliger com Aurèle Nicolet e Clytus Gottwald

 

 

   A 12 de Novembro, às 18h no Palco do Grande Auditório da Culturgest, os cravistas Aapo Häkkinen e  Marcos Magalhães cumprirão um programa de onde consta de François Couperin Allemande à deux clavecins, de Gaspard Le Roux  Suite em Ré para dois cravos, de J.S. Bach  Fantasia em Lá menor, BWV 922, Concerto em Dó Maior, BWV 1061, Fantasia em Dó menor, BWV 906, de Christoph Schaffrath  Duetto II em Lá menor , de Mário Laginha  Peça para dois cravos (estreia mundial) e de G.F. Händel  Concerto grosso em Lá menor op. 6/4.

 

   Também a 12 de Novembro, no Museu da Música às 17h30, José Carlos Araújo, em cravo e órgão,  tocará de Carlos Seixas diversas Sonatas para instrumentos de tecla e uma Fuga II em Dó menor.

 

   Ainda a 12 de Novembro, às 21h30 na Igreja de São Roque, o Americantiga, Coro & Orquestra (dir. Ricardo Bernardes) entoa obras de Manoel Dias Oliveira, João de Sousa Carvalho, José Totti, Marcos Portugal, António da Silva Leite e André da Silva Gomes.

 

   A 13 de Novembro, às 19h30, na Sede da Orquestra Metropolitana, o Ensemble Palhetas Duplas de oboé (dir. Omar Zoboli) tocará de Arcangelo Corelli Concerto Grosso em Fá maior, Op. 6/8 (arranjo de J. Pereira) e de Gilles Silvestrini  1881, Fantasia para ensemble de palhetas duplas.

 

   Ainda a 13 de Novembro, no Palácio Foz (Sala dos Espelhos) às 16h e por iniciativa da Embaixada da Lituânia, o Quarteto de cordas de Mykalojus Konstantinas Čiurlionis interpretará de M.K.Čiurlionis  Quarteto de cordas em Dó Menor e de Edward Grieg Quarteto de cordas em Sol Menor, op.27.

 

   Finalmente a 13 de Novembro, às 21h na sala principal do Teatro Nacional de São Carlos, num novo Concerto Sinfónico ouvir-se-á a Sinfonia  Fausto S. 108 de Franz Liszt pelo Coro Lisboa Cantat, Coro do Teatro Nacional de São Carlos e Orquestra Sinfónica Portuguesa (dir. Michael Zilm) com a participação do tenor  Thomas Mohr.

   

início da Sinfonia Fausto de F.Liszt pela McGill Symphony Orchestra & Sinfonietta Montreal  (dir. Alexis Hauser)

com o tenor Kevin Myers e o McGill University Chorus  

 

 

   E também a 13 de Novembro, às 17h na Igreja do Instituto de São Pedro de Alcântara, o conjunto vocal Ensemble Capella Duriensis (dir. Jonathan Ayersy) canta Música Medieval e Renascentista a Capella com obras de Josquin des Prez, Pérotin, The Selden Carol Book (séc. XV), entre outras.

 

  

   No campo do cinema

 

 

   a) Não podemos deixar de referir, por representar um claro desafio à ditadura iraniana, a recente estreia de um filme  Offside – Fora de Jogo e de um documentário Isto não é um filme , ambos do cineasta iraniano Jafar Panahi, condenado a “seis anos de prisão domiciliária e vinte anos sem poder filmar, dar entrevistas, escrever guiões”. O próprio documentarista Mojtaba Mirtahmasb que o auxiliou na execução do documentário confinado a um apartamento foi, depois da sua apresentação em Cannes, preso. E, como diz um crítico, “… o (seu) guião que se diria caótico, passa a ser uma obra sedutora, que prende, que enleva”.

   O filme, por seu lado, é uma “denúncia social subtil e constante … comédia irreverente, pueril mas corrosiva, em torno do gosto de jóvens iranianas pelo futebol e pelas cores do seu país, confrontadas com a impossibilidade (bizarra proibição religiosa) de aceder ao estádio … por se misturarem numa turba de homens”.         

 

 Trailer de Offside (Fora de Jogo) de Jafar Panahi

 

 

   b) Inicia-se a 7 de Novembro (e todas as Segundas até 5 de Dezembro) às 19h30, no Anfiteatro do Institut Français de Portugal, a projecção de 5 documentários seleccionados de entre os galardoados com o Prémio Marcorelles (nome dum crítico de cinema dos Cahiers du Cinéma), criado há 20 anos e atribuído pelo Institut Français de entre os documentários presentes em competição no Festival Internacional Cinéma du Réel.

   Nesta semana exibe-se Le Prêt, la Poule et l’Oeuf de Claude Mouriéras (2002), história de um micro-banco etíope que empresta dinheiro às camponesas pobres. O filme mostra como estas mulheres se organizam para se dotarem de meios financeiros, irrisórios mas suficientes para sobreviver e até desenvolver uma nova actividade mais lucrativa.

 

 

   No campo do teatro e da dança

 

 

   A 7 de Novembro, na Casa Conveniente, estreia às 21h30 (e até 13 de Novembro) Titus: Laboratório de Sangue, com concepção e encenação de David Pereira Bastos a partir de “ANATOMIA TITO FALL OF ROME Um Comentário de Shakespeare” de Heiner Müller.

   A interpretação é de David Pereira Bastos, Miguel Raposo, Ricardo Vaz Trindade, Rute Cardoso, Simon Frankel, Sofia Dinger, Tânia Alves e Telmo Bento e a fotografia de Bruno Simão.

 

   A 10 de Novembro, às 21h no Teatro São Luiz, estreia a peça de Luísa Costa Gomes Dias a Fio numa encenação de Ana Tamen e com a interpretação de João Ricardo, Teresa Faria, Sílvia Filipe, Sérgio Praia, Bruno Schiappa e Paula Diogo do Grupo Cassefaz.

 

 

   A 10 de Novembro, às 21h45 na Sala Estúdio do Teatro da Trindade, representa-se  Pequenos Burgueses, um espectáculo de teatro criado a partir da obra homónima de Carlos de Oliveira. A encenação e a dramaturgia são de Nádia Nogueira e a interpretação de Diogo Fernandes Andrade e Nádia Nogueira.

   Tema : Levantando o véu desta trama, descobre-se o sonho de um homem, duplamente coxo, e o traço do seu destino em busca de uma mula.

 

   A 11 e 12 de Novembro, às 21h30 na Sala Principal do Teatro Maria Matos, exibe-se O Desejo Ignorante, espectáculo de dança da autoria de Márcia Lança, com interpretação da dupla Márcia Lança/Aniol Busquets.

   Esta segunda produção de Márcia Lança, no decurso deste ano (a primeira foi Trompe le Monde, na Culturgest em Janeiro), parte da exploração do conceito de desejo enquanto motor do despertar do movimento e da acção. O vídeo, numa actualização da parceria com Tiago Hespanha como já tinha acontecido anteriormente nas peças Dos Joelhos para Baixo e Morning Sun, ganha, neste espectáculo, grande preponderância inspirando-se nos cenários dos Ballets Russos de Diaghilev evocando paisagens de forte impacto visual.

 

   A 12 de Novembro, das 15 às 19h, na Carpe Diem / Arte e Pesquisa (ao Bairro Alto),  Annie Vigier & Franck Apertet (les gens d’Uterpan) apresentam uma performance coreográfica que chamaram Caster (estrangeirismo vindo de to cast, adoptado pelo mundo audiovisual e artístico francês) onde examinam as normas que definem a dança e as artes performativas. Ao aparecer em diferentes espaços que revelam a acção do corpo, ou ao adaptar-se ao próprio espaço, provocam as condições para uma nova reflexão sobre os diferentes métodos de representação, produção e interpretação da performance.

 

   Por último, prossegue até 27 de Novembro, no Teatro Turim às 21h30, a comédia recém-estreada  Chorar e Secar da autoria de Fernando Villas-Boas com encenação de Raquel Dias e interpretação de Anabela Moreira e Margarida Moreira.

 

 

   No campo da música dita “não erudita” 

 

 

   A 7 de Novembro, na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, às 18h30, actua o grupo folclórico Sazineh criado em 2001 e que canta em diversas línguas das étnias iranianas, especialmente, as línguas da região de Zagros, no Este do Irão, Bakhtiari e Lori (dois outros grupos étnicos do Irão). Dirige-o Mehran Eskandarian e o compositor residente é Peiman Bozorgnia. Os músicos tocam kamancheh (violinete iraniana), setar (uma versão de tar, o violão antigo persa), tambor, tonbak (um tambor caliciformes), dayereh (tambor simple persa) e um pequeno naghareh (flauta persa dos pastores nas montanhas).

 

   A 8 de Novembro, às 22h30 no MusicBox, actuam os Publish the Quest, uma banda de reggae/funk oriunda de Seattle, apresentando o seu último CD Then What !?.

 

   A 9 de Novembro, às 21h30 no TMN ao Vivo, a cantora e compositora marroquina Hindi Zahra vem  apresentar Handmade, o seu primeiro CD, mistura de blues, world music, folk e jazz que venceu o prémio Victoires de la Musique 2011 (álbum do ano).

 

Hindi Zahra cantando no Sziget Festival em Budapeste (Hungria) em Agosto 2011

 

 

   A 10 de Novembro, às 23h no MusicBox, actuam os A Jigsaw tocando o seu recente Drunken Sailors & Happy Pirates. Às  0h15 actuam os britânicos The Horn . A banda, formada por Clare Carter e Joseph Osborne, vem a Portugal apresentar o seu segundo álbum, Depressur Jolie.

 

   A 10 de Novembro, às 22h no Lux Frágil, canta Sophie Auster temas do seu novo álbum que prepara com o músico/compositor Barry Reynolds, o guitarrista Adam Levy e o baterista Andrew Borger. 

 

 

   A 10 de Novembro, às 21h30 no Cinema São Jorge, o concerto de solidariedade “Força à caUsa”  associa os Pinto Ferreira a The Legendary Tiger Man (TLTM), aos Dead Combo, a Pedro Abrunhosa e a Jorge Palma para apoio à C.A.S.A. – Centro de Apoio ao Sem-abrigo.  

 

   Ainda a 10 de Novembro, às 21h no Coliseu dos Recreios, a banda nacional Buraka Som Sistema evolui do kuduru progressivo inicial para uma versão avançada de música electrónica no novo álbum em lançamento intitulado Komba.

 

   A 11 de Novembro, às 23h no MusicBox, os britânicos Fujiya and Miyagi divulgam o seu novo álbum  Ventriloquizzing. Às 23h30 os Swinging Rabbits farão ecoar o seu álbum mais recente Tricks are for kids.

 

   A 11 e 12 de Novembro, às 22h30 no Ondajazz, dois concertos “Invitation au Voyage” reunem  Olivier Ker Ourio, harmonicista reputado e Emmanuel Bex, um dos melhores praticantes do órgão Hammond, expoentes do jazz europeu.

 

 

   A 11 de Novembro, no Pavilhão Atlântico às 21h, a banda alemã (Hanover) de heavy metal/hard rock Scorpions vem a Portugal na sua tournée de despedida após terem editado o seu último álbum Sting in the Tail.

 

   A 12 de Novembro, às 23h na Galeria  Zé dos Bois, actuam os Pink Mountaintops, banda canadiana de indie-rock liderada por Steve McBean. Às 23h30 Asimov, heterónimo de Carlos Ferreira, divulga o seu disco recente de rock Algures no Mundo é Noite.  

 

   A 12 de Novembro, às 21h30 no Museu do Oriente, a jovem cantora Joana Machado, acompanhada pelo seu habitual quarteto,  os versáteis Bruno Santos, Filipe Melo, Bernardo Moreira e Bruno Pedroso, regressa às origens tocando, além de jazz, temas de pop, rock e r&b, num espectáculo que intitulou “Blame it on my Youth” Tour.

 

   A 13 de Novembro, às 22h no MusicBox, o grupo norte-americano (Los Angeles) House Of Lords liderado pelo vocalista James Christian regressa a Portugal para satisfação dos amantes do hard rock melódico, presente no CD de 2011 Big Money.

 

 

 

E é tudo por esta semana, caros leitores.

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