(1949 – )
Um café na internet
Que o poema tenha carne
ossos vísceras destino
que seja pedra e alarme
ou mãos sujas de menino.
Que venha corpo e amante
e de amante seja irmão
que seja urgente e instante
como um instante de pão.
Só assim será poema
só assim terá razão
só assim te vale a pena
passá-lo de mão em mão.
Que seja rua ou ternura
tempestade ou manhã clara
seja arado e aventura
fábrica terra e seara.
Que traga rugas e vinho
berços máquinas luar
que faça um barco de pinho
e deite as armas ao mar.
Só assim será poema
só assim terá razão
só assim te vale a pena
passá-lo de mão em mão.
Hélia Correia é professora, poetisa, romancista, contista e tradutora. Escreve para teatro (pelo qual tem grande interesse, já tendo subido ao palco) e literatura infantil. Apresentamos aqui este belo poema de sua autoria, apresentando-lhe os nossos cumprimentos muito sinceros, e votos de que continue o seu excelente trabalho por muitos anos, porque muito o admiramos.


